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Dilma diz que receberá líderes de protestos e propõe pacto para melhorar transporte, educação e saúde

Fernanda Calgaro e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

21/06/2013 21h05Atualizada em 21/06/2013 23h12

Em pronunciamento de dez minutos em cadeia nacional de rádio e televisão nesta sexta-feira (21), a presidente Dilma Rousseff afirmou que irá convidar governadores e prefeitos de todo o país para "somar esforços" e discutir um pacto para a melhoria dos serviços públicos nas áreas de saúde, educação e transporte. "Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos."

Assista à íntegra do discurso da presidente Dilma

O pacto, segundo a presidente, terá três focos: um Plano Nacional de Mobilidade Urbana para privilegiar o transporte coletivo; a destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação e trazer "de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde)".

A reivindicação da redução das tarifas do transporte coletivo foi o gatilho da onda de protestos que ocorre no país há duas semanas.

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Na área de educação, Dilma cobrou do Congresso a aprovação do projeto que destina 100% dos royalties do pré-sal para a educação. Em pronunciamento oficial anterior no Dia do Trabalho a presidente havia feito cobrança semelhante. A proposta também é defendida pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

A contratação de médicos estrangeiros vem sendo defendida pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Precisamos tomar decisões concretas de curto e médio prazo. Interessa ao Brasil trazer médicos qualificados e bem formados, não existe nenhum preconceito em relação à origem desses médicos", disse recentemente em audiência na Câmara dos Deputados.

O pronunciamento de hoje da presidente acontece após uma série de reuniões com ministros no Palácio do Planalto nesta sexta. A fala foi gravada durante a tarde e teve duração de dez minutos (clique aqui para ler a íntegra do pronunciamento) .

Protestos

No início do pronunciamento, a presidente comentou a onda de protestos que levou, só ontem, mais de 1 milhão de pessoas às ruas do país. “Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas.”

Dilma criticou, no entanto, a violência de "minorias autoritárias" em alguns dos protestos. "O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos."

Ela pediu que os manifestantes façam seus protestos de maneira "pacífica e ordeira". “Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo. (...) Mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.”

“Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.”

Corrupção e defesa dos partidos

Dilma defendeu a existência de partidos políticos e admitiu que o Brasil precisa de formas eficazes de combater a corrupção

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha feita entre os manifestantes de São Paulo, a corrupção foi o tema mais citado como motivo que os levou ao protesto de quinta-feira.

"Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor", enfatizou Dilma.

Copa do Mundo

A presidente também usou parte do pronunciamento para falar sobre a Copa do Mundo de 2014, um dos focos de protesto dos manifestantes.

“Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com arenas, é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e governos que estão explorando estes estádios.”

“Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a saúde e a educação.”

Ela pediu que os brasileiros sejam hospitaleiros com os visitantes que devem vir ao país para o evento. “Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria. É assim que devemos tratar os nossos hóspedes.”

Em discurso, Dilma elogia manifestantes

  • Em discurso em cerimônia no Planalto na terça (18), a presidente disse que o Brasil "acordou mais forte" depois dos protestos

Nota e discurso

Além do pronunciamento de hoje, a presidente havia se manifestado em público outras duas vezes sobre os protestos.

A primeira foi em nota oficial na segunda-feira (17), em que disse apoiar as manifestações, desde que pacíficas.

Em seguida, na última terça (18), Dilma disse, em discurso lido em cerimônia no Palácio do Planalto, que o Brasil "acordou mais forte" depois dos protestos. elogiou os manifestantes, a polícia, por não ter cometido excessos, e fez um autoelogio ao seu governo, que, segundo a presidente, "está ouvindo essas vozes por mudanças".

No pronunciamento de hoje, Dilma repetiu trechos do discurso, como a parte em que falou que a sua geração batalhou muito pelo direito de se manifestar.

Dilma também voltou a dizer que seu governo está ouvindo a população. “Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram, pacificamente, às ruas: Eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça. Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.”

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