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Testemunhas foram protegidas a pedido de advogada de PMs, diz juiz do Carandiru

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

30/07/2013 14h44Atualizada em 30/07/2013 16h11

Uma segunda testemunha protegida depôs, na tarde desta terça-feira (30), no júri de 26 policiais militares acusados da morte de 73 detentos do Carandiru. Hoje é o segundo dia de julgamento do grupo no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A previsão é que a sentença seja proferida na madrugada de sexta (2) para sábado (3).

A outra testemunha foi a primeira do dia e também protegida. A reportagem apurou que são ex-funcionários do presídio. A exemplo do primeiro caso, o segundo também foi ouvido sem a presença dos réus em plenário e sem a transmissão de áudio para a sala de imprensa onde ficam os jornalistas que cobrem o júri.

Em entrevista após a oitiva em sigilo, o juiz do caso, Rodrigo Tellini, disse que a medida de proteção foi requerida pela advogada dos PMs, Ieda Ribeiro de Souza, a fim de preservar as testemunhas, que seriam pessoas "visadas" --segundo ela mesma informou ao UOL, semana passada. Segundo o magistrado, mesmo a divulgação do áudio dos depoimentos, sem identificação de nomes e profissões, poderia expor a intimidade dessas testemunhas --ainda que, futuramente, após o fim do julgamento, o teor do que elas disseram e mesmo seus nomes passem a constar dos autos, que são públicos.

Ainda conforme o magistrado, a advogada apresentou atestado médico de apenas dois dos três PMs ausentes do julgamento já desde ontem. O terceiro a faltar não teve a ausência explicada nem pela defensora, nem pelo Tribunal de Justiça. No júri de abril, por exemplo, apenas na fase final de julgamento o TJ confirmou que um dos três ausentes na ocasião estava, na realidade, foragido da Justiça por conta de outro processo.

Outras testemunhas de defesa ouvidas hoje foram o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho e o ex-secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, ouvidos em plenário hoje de manhã e também no júri de abril, quando 23 PMs foram condenados pela morte de 13 detentos do segundo pavimento do pavilhão 9.

No júri atual, as vítimas foram assassinadas no terceiro pavimento. Assim como ontem, três réus novamente se ausentaram da sessão. A advogada deles, Ieda Ribeiro de Souza, se negou a explicar os motivos. A assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo também não soube informar a razão dos três ausentes –que, como os presentes, não eram obrigados a comparecer tendo em vista a condição de réus soltos.

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