Atendimento a vítimas conecta tragédias da boate Kiss e de creche em Janaúba

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, de Porto Alegre

Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, um incêndio matou 242 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Na última quinta-feira (5), um homem incendiou uma creche em Janaúba, em Minas Gerais, deixando pelo menos dez mortos --o autor entre entre eles.

Duas tragédias brasileiras, os episódios se conectaram através do trabalho de profissionais de saúde do Ciava (Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidente), criado pelo HUSM (Hospital Universitário de Santa Maria) há quase cinco anos para auxiliar os afetados pelo incêndio na Kiss.

Desde quinta, equipes de médicos e enfermeiros estão ajudando, a distância, nos cuidados às vítimas do incêndio na creche mineira.

Em entrevista ao UOL, a chefe da Unidade de Reabilitação do HUSM e coordenadora do Ciava, Marisa Bastos Pereira, contou que as primeiras orientações foram repassadas por telefone à farmacêutica de um dos hospitais de Minas Gerais que cuidava dos mais de 40 feridos pelo fogo.

"A nossa médica pneumologista permaneceu cerca de três horas ao telefone dando orientações sobre os procedimentos clínicos no atendimento às pessoas que inalaram a fumaça. Repassamos os protocolos adotados por nós, como o tratamento de pacientes com injúria pulmonar e transtornos pós-traumáticos", explicou.

Após o incêndio na creche municipal de Janaúba, ainda na noite de quinta, ao menos 10 crianças apresentaram sintomas de falta de ar por terem inalado grande quantidade de fumaça e por isso tiveram que passar por cuidados médicos.

De acordo com Marisa, por enquanto as orientações e esclarecimentos técnicos e científicos serão via telefone, e-mail e até mensagens de Whatsapp trocadas diretamente com os profissionais da saúde dos hospitais mineiros. Não está descartada, no entanto, a chance de um auxílio presencial.

"Já enviamos para a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais os nossos protocolos de atendimento às vítimas de acidentes e estamos à disposição dos hospitais, caso necessitem de nossa ajuda", afirmou Marisa, lembrando que o Ciava se consolidou como referência nacional e internacional na área.

Especialistas ouvidos pelo UOL esta semana explicaram que a inalação de fumaça, gases tóxicos e partículas durante o incêndio pode tanto colocar em risco pessoas que nem tiveram contato direto com as chamas, como agravar o quadro de saúde de vítimas queimadas.

Ajuda internacional

O modelo de tratamento dos pacientes utilizado pela unidade vem sendo estudado e implementado em alguns países da Europa, como Portugal e França.

Em junho deste ano, a Associação Portuguesa dos Fisioterapeutas, com sede em Lisboa, pediu para ter acesso às pesquisas do órgão gaúcho por conta do incêndio florestal de grandes proporções que matou 62 pessoas e deixou cerca de 60 feridos em Pedrógão, na região de Leiria, no centro de país europeu.

Já em 2016, um pós-graduando da Escola Francesa de Saúde Pública passou um período no HUSM observando o método utilizado pelos profissionais na área.

Desde 2013, mais de 10 mil pacientes foram atendidos pelos profissionais do Ciava, que atuam em diferentes áreas como medicina, farmácia, fisioterapia, psicologia e terapia ocupacional.

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