Na reta final de escavações, bombeiros acham animais mortos e ligações clandestinas de energia

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

O Corpo de Bombeiros de São Paulo entrou na reta final das escavações no local do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, região central da cidade.
Esta quinta-feira (10) marca o décimo dia de buscas. A estimativa da corporação é que os trabalhos de escavação durem mais três dias. O encerramento completo da atuação na região, porém, só deve ocorrer no final da próxima semana.

De acordo com o porta-voz dos bombeiros, capitão Marcos Palumbo, as buscas hoje, em vários pontos, estão a um metro do limite de escavações.

Também nesta quinta, se chegou ao segundo e último subsolo da edificação, que tinha, além dos subsolos ocupados, outros 22 andares --pelo menos 10 deles com moradores.

"Há muitos indícios de ocupação humana nesses locais: roupas, guarda-roupas, geladeiras retorcidas, animais mortos, mas nenhuma célula de sobrevivência", disse o oficial, referindo-se a bolsões de ar onde eventuais sobreviventes poderiam ter se abrigado.

Ligações clandestinas de energia afetam buscas

Conforme o capitão, desde o início dos trabalhos, no último dia 1º, foram encontradas cinco ligações elétricas clandestinas pertencentes ao prédio que desabou. A última delas foi localizada ontem.

A situação fez com que os trabalhos precisassem ser interrompidos já na madrugada para que a energia fosse cortada, sob risco de choques elétricos nas equipes e nas cadelas que auxiliam na busca por vítimas. Segundo o comandante dos bombeiros, coronel Max Mena, uma ligação clandestina oriunda de outra ocupação, a menos de 100 metros do prédio que caiu, é o polo que afeta o terreno.

Até as 16h30, as máquinas não haviam ainda retornado ao trabalho. Equipes da Eletropaulo também trabalhavam no local.

Nenhum fragmento de ossos humanos foi localizado pelas equipes de busca, hoje, até o começo da tarde. Nos últimos dias, partes de vértebras, pelve e dos ossos de uma mão foram encontradas nas escavações.

Ontem, a Secretaria de Segurança Pública do estado confirmou que exames do IML (Instituto Médico Legal) apontaram que ossadas localizadas nos últimos dias pertencem a três pessoas — um adulto e duas crianças.

Seis pessoas permanecem desaparecidas, entre as quais, uma mãe e os dois filhos gêmeos de 10 anos, um casal e um homem adulto.

No final da manhã, os bombeiros liberaram, por etapas, o acesso da imprensa ao local das buscas.

No grande fosso escavado existem ainda muitas pedras, pedaços de cimento, barro e objetos que vão sendo extraídos e que pertenciam aos moradores. São brinquedos, sapatos, roupas e cobertores, por exemplo.

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