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Segurança pública

Quem são os narcotraficantes que fizeram plástica para despistar a polícia

O narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido no mundo do crime como "Cabeça Branca", utilizava diferentes técnicas para fugir da polícia - Reprodução/TV Globo
O narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido no mundo do crime como 'Cabeça Branca', utilizava diferentes técnicas para fugir da polícia Imagem: Reprodução/TV Globo

Herculano Barreto Filho

Do UOL, em São Paulo

26/12/2021 04h00

Os narcotraficantes mais buscados do país recorreram a cirurgias plásticas para despistar as autoridades. A lista inclui um homem que chegou a ser considerado como o criminoso mais procurado da América Latina, chefes de facções criminosas e até o colombiano apontado como sucessor de Pablo Escobar.

Preso em agosto de 2007 em um condomínio de luxo em Barueri, na Grande São Paulo, o narcotraficante Juan Carlos Ramirez Abadia, que usava identidades falsas para despistar as autoridades, teve o rosto completamente desfigurado. Ele passou por ao menos três intervenções cirúrgicas nos dois anos em que morou no Brasil antes de ser capturado.

Chefe do cartel do Vale do Norte, na Colômbia, Abadia chegou a ser apontado como o maior traficante de drogas no seu país de origem após a morte de Pablo Escobar, abatido em uma operação policial em dezembro de 1993. Segundo as autoridades, ele buscou refúgio no Brasil, onde cometeu o crime de lavagem de dinheiro obtido com a venda de entorpecentes ao abrir empreendimentos e adquirir imóveis.

Quando preso, chegou a ser acusado de enviar mais de mil toneladas de cocaína para os Estados Unidos em apenas cinco anos. Condenado a 25 anos por tráfico internacional e assassinato, ele responde por mais de 300 homicídios no seu país de origem.

Em dezembro de 2018, o megatraficante colombiano prestou depoimento para detalhar como funcionava a operação do tráfico no julgamento do mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, condenado à prisão perpétua no ano seguinte.

Cabeça Branca: rosto anônimo era garantia de impunidade

Em julho de 2017, a Polícia Federal prendeu em Sorriso (MT), cidade com pouco mais de 80 mil habitantes a 398 km da capital Cuiabá, o traficante Luiz Carlos da Rocha. Conhecido como Cabeça Branca, foi apontado na época como o traficante mais procurado da América Latina, foragido por quase 30 anos. Com um patrimônio bilionário, era tido como o inimigo número um do Estado.

"Era o traficante número um de nossa lista de procurados. Tinha mais importância e influência que [o colombiano Juan Carlos Ramírez] Abadia ou Fernandinho Beira-Mar. Não havia ninguém acima dele, para nós", falou na ocasião o delegado Elvis Secco, que comandou uma operação com 15 homens para capturá-lo.

"Ele tinha vida social normal. Não estava preocupado em ser preso, sabia que não seria reconhecido. Aparentava uns 20 anos a menos", disse.

Nós investigávamos alguém que não tinha nome e não tinha rosto.

Segundo a polícia, ele era responsável por trazer até cinco toneladas de cocaína para o Brasil. Tinha conexões em países produtores da droga, como Bolívia, Peru e Colômbia, e em países consumidores na Europa e América do Norte.

Com mais de 100 anos de pena a cumprir em presídio de segurança máxima, usava tintura no cabelo, um RG falso e fazia cirurgias plásticas para não ser preso, além de ter acesso às informações vazadas sobre investigações.

Os bens do narcotraficante, avaliados em mais de R$ 1 bilhão no Brasil, estão bloqueados pela Justiça. A estimativa é de que o homem tenha mais outros bens estimados em cerca de R$ 300 milhões no Paraguai.

O traficante Lenon Oliveira do Carmo antes e depois das cirurgias que, segundo a polícia, foram realizadas para evitar sua identificação - Divulgação/SSP-AM - Divulgação/SSP-AM
O traficante Lenon Oliveira do Carmo antes e depois das cirurgias que, segundo a polícia, foram realizadas para evitar sua identificação
Imagem: Divulgação/SSP-AM

Cirurgias e nova identidade após ser acusado por homicídios

Em outubro de 2020, a polícia prendeu o traficante Lenon Oliveira do Carmo em Fortaleza, capital cearense. Apontado como autor de homicídios em Manaus, estava foragido desde 2018. De acordo com a polícia, para escapar das autoridades o homem passou por cirurgias plásticas no rosto e assumiu uma nova identidade, passando a se chamar Aylon Soares Cardoso.

Considerado de alta periculosidade, Lenon tem envolvimento em diversos assassinatos na capital do Amazonas, relacionados ao crime de tráfico de drogas. Participou das mortes registradas no chamado massacre de Manaus, quando 56 detentos foram assassinados no Compaj (Complexo Penitenciário Antônio Jobim) em janeiro de 2017.

No Ceará, o traficante ostentava uma vida de luxo com a família. Foi preso enquanto visitava sua nova residência, uma casa de alto padrão a poucos metros da praia de Icaraí, na região litorânea.

Nei Facão: cirurgia após escapar da prisão

Um dos fundadores da facção criminosa carioca Terceiro Comando Puro (TCP), o traficante Nei da Conceição Cruz — o Nei Facão —, também teria se submetido a uma intervenção cirúrgica para despistar as autoridades. O episódio ocorreu em 2009, após ser beneficiado pelo regime semiaberto e não voltar mais ao sistema prisional.

A informação foi descoberta em agosto daquele ano, quando Facão já estava foragido há quatro meses. Foi preso novamente em outubro de 2009 no Guarujá, município no litoral de São Paulo.

Segundo investigação deste ano da Polícia Civil carioca, Facão determinou, mesmo atrás das grades, quem seriam os encarregados por chefiar o comércio de entorpecentes na Vila do João, no Complexo da Maré, zona norte do Rio. Lá, ainda de acordo com as autoridades, o poder paralelo é responsável pela organização de um baile funk com apresentações circenses, que incluem até o globo da morte, onde motoqueiros fazem acrobacias.

O criminoso cumpre pena na penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (MS).

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