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Esposa de Bruno diz que espíritos do marido 'estão passeando na floresta'

Caso Bruno e Dom: brasileiro indigenista e jornalista lado a lado - Divulgação
Caso Bruno e Dom: brasileiro indigenista e jornalista lado a lado Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

16/06/2022 23h17Atualizada em 17/06/2022 11h21

A antropóloga Beatriz de Almeida Matos, esposa do indigenista Bruno Araújo Pereira, disse hoje que os espíritos do marido "estão passeando na floresta". Os corpos que podem ser do indigenista e do jornalista britânico Dom Phillips chegaram hoje à noite em Brasília (DF). Os restos mortais, que saíram do avião da PF (Polícia Federal) em caixões, serão periciados durante a próxima semana para confirmar as identidades.

"Agora que os espíritos do Bruno estão passeando na floresta e espalhados na gente, nossa força é muito maior", escreveu no Twitter.

A mensagem de Beatriz recebeu o apoio de outros internautas. "Um abraço, Beatriz. Obrigada por tudo. Todo o meu respeito a vocês", escreveu uma pessoa.

"Um abraço muito forte, Bia. Muita força. Estamos com vocês e Bruno", comentou outro. "Sinto muitíssimo, querida... Muito mesmo. Que a luz de Bruno possa iluminar a todos nós que andamos pelo caminho do respeito e da luta pelos direitos dos povos tradicionais", escreveu um terceiro.

Na última semana, Beatriz declarou acreditar que Bruno e Dom poderiam estar vivos, talvez perdidos ou escondidos na mata. "Eu acredito que os dois podem sobreviver na floresta, sem comida, ou com os recursos que eles têm. Então, há algo dentro de mim que diz que ele pode estar perdido, que ele pode estar escondido", disse a mulher de Bruno ao Fantástico, da TV Globo.

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Ontem à noite, a PF informou que o pescador Amarildo da Costa Oliveira, também conhecido como "Pelado", confessou ter matado e enterrado os corpos de Bruno e Dom, que estavam desaparecidos desde 5 de junho na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

O delegado Guilherme Torres, da Polícia Civil do Amazonas, afirmou, logo após coletiva ontem, que "tudo leva a crer" que os restos humanos encontrados são de Dom e Bruno. Segundo ele, para chegar ao local indicado por Amarildo, a equipe saiu de Atalaia do Norte e navegou por 1h40 pelo rio Itaguaí, depois caminhou por 25 minutos pela mata, até encontrar a região onde o material foi desenterrado.

Apesar da confissão, o envolvimento de outras pessoas não está descartado e a PF tem outro suspeito principal no crime: Oseney de Oliveira, conhecido como Do Santos. Ele é irmão de Amarildo e foi preso na terça, mas negou qualquer envolvimento no duplo homicídio.

Segundo reportagem publicada pelo UOL, o pescador afirmou à PF que esquartejou e enterrou os corpos do jornalista britânico e do indigenista. No seu depoimento, Amarildo também disse ter contado com a ajuda de outras pessoas e foi ele quem levou a PF até os corpos — que estavam a mais de 3 km da área do crime.

Durante coletiva de imprensa essa semana, o delegado Eduardo Alexandre Fontes, superintendente regional da PF no Amazonas, disse que Dom e Bruno teriam sido perseguidos por criminosos em uma lancha, que chegaram a realizar "disparo de arma de fogo" contra a dupla.

Quem são Bruno e Dom?

Dom era correspondente do jornal The Guardian. Britânico, ele veio para o Brasil em 2007 e viajava frequentemente para a Amazônia para relatar a crise ambiental e suas consequências para as comunidades indígenas e suas terras.

O jornalista conheceu Bruno em 2018, durante uma uma reportagem para o Guardian. A dupla fazia parte de uma expedição de 17 dias pela Terra Indígena Vale do Javari, uma das maiores concentrações de indígenas isolados do mundo. O interesse em comum aproximou a dupla.

Já Bruno era servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio). Era conhecido como um defensor dos povos indígenas e atuante na fiscalização de invasores, como garimpeiros, pescadores e madeireiros. Em entrevista ao UOL, o líder indígena Manoel Chorimpa afirmou que o indigenista estava preocupado com as ameaças de morte que vinha sofrendo.