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Roda Viva: Covas fala de vice, covid e câncer; Boulos, de violência e apoio

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno das eleições em São Paulo - Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo
Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), adversários no segundo turno das eleições em São Paulo Imagem: Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo e Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo*

24/11/2020 00h58

Os dois candidatos à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), participaram na noite desta segunda-feira (23) do programa Roda Viva, da TV Cultura.

O atual prefeito se viu encurralado ao falar sobre a sua gestão na pandemia, seu câncer e seu candidato a vice-prefeito. Já Boulos foi emparedado por seu histórico em manifestações de movimentos sociais e uma eventual futura gestão com minoria na Câmara.

A ordem das entrevistas foi definida por sorteio. Covas foi o primeiro a ser sabatinado e também respondeu no terceiro bloco. O adversário psolista respondeu no segundo e quarto blocos.

Covas começou respondendo que não faz sentido formar um gabinete antes de ser eleito, mas apresentou intenções de ampliar a diversidade. "No primeiro debate, já disse que quero aumentar a quantidade de negros e negras presentes no secretariado. Hoje, só temos a superintendente da GCM, a inspetora Elza. A expectativa é ter um secretariado mais diversificado", afirmou, sem dizer o quanto esse aumento significaria.

Sobre o vice na chapa, Ricardo Nunes, Covas o defendeu dizendo que não há qualquer denúncia contra ele sobre violência contra a atual mulher. "Não há qualquer tipo de agressão envolvendo o vereador Ricardo Nunes. Estamos em um país em que as pessoas gostam de lacrar e acabar com o currículo dos outros sem nenhum tipo de denúncia concreta."

Mas o entrevistador o relembrou da existência de um Boletim de Ocorrência do caso. "Se você olhar o boletim, lá está escrito que houve desentendimento, mas nenhum tipo de agressão física, então não há nem mesmo boletim de ocorrência envolvendo agressão física", respondeu o prefeito.

Também o defendeu sobre as acusações de superfaturamento em creches e negou que ele esteja "escondido" em sua campanha. Disse que ele é muito conhecido na zona sul, onde tem feito campanha. Perguntado se Nunes havia sido uma escolha sua ou de João Doria, ele respondeu que era sua, porém admitiu que preferia outra pessoa.

"Eu preferia uma vice mulher, mas tinha que escolher alguém que representasse a frente que nós montamos no primeiro turno e escolhi o Ricardo Nunes."

Pandemia e super-rodízio

O prefeito voltou a negar que haja indícios de segunda onda na cidade, apesar do crescimento nos números de ocupação dos leitos de UTI nos hospitais privados e municipais, além de aumentos casos e óbitos pela doença.

Vamos enfrentar isso sem criar expectativas de que o problema foi resolvido e sem criar qualquer tipo de fake news de que há uma segunda onda sendo escondida pela prefeitura.

Covas defendeu a polêmica estratégia de "super-rodízio" de veículos, porém reconheceu que o sacrifício da população era muito alto. A política foi criticada na época por ter gerado congestionamentos em acesso a hospitais e superlotação em transportes públicos.

Experiência de Erundina

Boulos reconheceu que se expressou mal ao dizer que se solucionaria o problema da Previdência ao contratar mais funcionários. "Eu reconheci e estou reconhecendo a inexatidão da forma que me expressei. O que quero trazer é o debate sobre concursos públicos na cidade, ela precisa de concursos, precisa fortalecer o serviço público."

O candidato foi perguntado sobre as acusações de ser um "radical" e se rechaçar o termo não seria contraditório por sua trajetória na militância social. "Eu luto para que as pessoas possam ter um teto, uma casa. Isso é radicalismo?", questionou.

Querer taxar essas formas de lutas e essas bandeiras de radicais é expressão do quanto a gente recuou nos últimos anos em termos de sensibilidade humana e reconhecimento dos direitos sociais.

Questionado sobre um episódio de violência durante uma manifestação do MTST em frente ao prédio da Fiesp, Boulos relembrou o protestos de brasileiros contra a morte por racismo que resultou em supermercados invadidos em algumas cidades. "Eu não defendo nenhuma forma de violência, que isso fique muito claro. Agora, você quando diz isso parece querer equiparar coisas diferentes. Vi esse mesmo padrão de raciocínio esses dias, depois do assassinato covarde do Beto Freitas."

Boulos disse que quer ter mais poder popular em sua gestão, mas teve de responder sobre o baixo apoio na Câmara, onde conta com poucas cadeiras de seus partidos na coligação.

Disse que só não pretende aceitar "toma lá, da cá". "O PSOL não vai governar sozinho a cidade de São Paulo. Uma aliança programática, quem concorda com o programa tem legitimidade para compor o governo."

Reeleição e tratamento contra o câncer

Questionado sobre políticos do PSDB abandonarem a gestão municipal para concorrer a cargos executivos mais altos, Covas se colocou contra a reeleição, com ressalvas.

"Eu sou contra a reeleição. Eu votei contra quando fui deputado federal, mas é a regra do jogo, portanto eu estou dentro da regra."

Perguntado sobre o seu tratamento contra o câncer que descobriu em 2019, o atual prefeito disse ser 100% transparente sobre o tema.

"Descobri câncer em metástase em outubro do ano passado. Todo instante fiz o tratamento da forma mais transparente possível. Os médicos me perguntaram qual era o grau de transparência que eles deveriam dar. Eu disse 100%. A população tem o direito de saber como está a saúde do seu representante, do seu prefeito".

* Colaboraram Felipe Oliveira, Gilvan Marques, João Victor Miranda e Juliana Arreguy.