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Ex-alunos atiram em escola e se matam: Suzano revive Columbine, nos EUA

AP
Os estudante Eric Harris e Dylan Klebold na escola Columbine High School. Os dois mataram 12 colegas e um professor e depois se suicidaram Imagem: AP

Pedro Graminha

Do UOL, em São Paulo

2019-03-13T18:20:25

13/03/2019 18h20

O atentado à escola Raul Brasil em Suzano (SP), que levou à morte de cinco alunos e dois funcionários, remete ao notório massacre de Columbine, que abriu discussões sobre porte de arma, bullying e segurança nas escolas dos Estados Unidos e no mundo.

O crime norte-americano completa 20 anos no próximo mês (aconteceu em 20 de abril de 1999) e inspirou um atirador de 14 anos em Goiânia em 2017. Após matar dois colegas na escola, o adolescente disse às autoridades que havia se espelhado no atentado dos EUA e também no de Realengo, no Rio, onde 12 alunos foram mortos em 2011.

Vídeo registra atiradores chegando em escola em Suzano

NE10

No crime de hoje, ainda não se sabe quais eram as motivações ou as inspirações. Um amigo de Guilherme Taucci, 17, um dos atiradores, disse à Folha de S.Paulo que o autor disse que "repetiria o que aconteceu nos EUA".

Em pelo menos quatro aspectos, é possível dizer que Suzano reviveu, nesta manhã, os horrores de Columbine:

  • Ataque cometido em uma escola
  • Atiradores eram uma dupla de ex-alunos
  • Atiradores premeditaram a ação
  • Suicidaram-se depois de matar pessoas

Relembre o episódio de Columbine:

Tiros na escola

A primeira e mais óbvia semelhança entre as duas tragédias é o cenário: escolas em horário de funcionamento, portanto, cheias de aluno.

No estado americano do Colorado, os ex-alunos Dylan, 17, e Eric, 18, invadiram a Escola de Ensino Médio de Columbine, com capacidade para 1.600 alunos e abriram fogo. Ao todo, 13 pessoas foram mortas e 21 ficaram feridas.

A maior parte das mortes aconteceu na biblioteca: 10 das 13 vítimas estavam lá. Encurraladas embaixo das mesas de estudo, foram alvo fáceis para os assassinos, sendo alvejadas diversas vezes.

As proporções são similares. A Escola Estadual Raul Brasil tem pouco mais de 1.000 alunos e, no incidente, ao menos 9 pessoas morreram e 10 ficaram feridas.

Crime premeditado

O ataque norte-americano foi planejado por meses. No dia da ação, os atiradores dirigiram-se ao colégio com espingardas, um rifle semiautomático, pistolas e bombas caseiras.

A dupla tentou implantar os explosivos na entrada da cafeteria do colégio buscando encurralar os estudantes que tentassem fugir pela entrada do prédio.

Como as bombas falharam, Dylan e Eric decidiram sair pelos corredores da escola disparando em quem aparecesse pela frente.

Em São Paulo, as investigações estão apenas começando, mas há indícios de que Guilherme Taucci, 17, e Henrique de Castro, 25, também tenham planejado tudo com antecedência.

Eles chegaram à escola com capuz, machado, uma arma rudimentar conhecida como 'besta' e um revólver. Também deixaram pelo local objetos que a polícia diz se parecer com explosivos caseiros - que não detonaram.

Atiradores se suicidam

Nos Estados Unidos, cerca de uma hora depois de iniciarem os disparos, após entrar em confronto com os policiais que cercavam o prédio, os assassinos levaram as armas à boca e cometeram suicídio.

Em Suzano, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, um atirador teria matado o comparsa e se suicidado na sequência. O desfecho do caso se deu em um corredor da escola, depois de se depararem com policiais.

A PM paulista afirma ter chegado ao colégio 8 minutos depois do início do ataque.

Repercussão

Reuters
Emoção no funeral do professor Dave Sanders, morto no massacre de Columbine em 1999 Imagem: Reuters

As motivações do crime em Columbine até hoje não são certas; há quem diga que a dupla era alvo de bullying na escola e teria buscado se vingar. Também há relatos de que os dois atiradores concentraram em alunos de minorias étnicas.

Em Suzano, ainda é cedo para saber as razões dos atiradores. Em entrevista à BandNews, uma mulher identificada como a mãe de Guilherme Taucci, um dos atiradores, disse que o filho havia largado os estudos por conta de bullying.

Como resultado, o massacre de Columbine levantou profundas discussões a respeito do controle de armas de fogo no país. O bullying e a violência dentro das escolas também se tornaram assunto de relevância após os assassinatos.

Além disso, o homem responsável por vender a arma aos jovens nos EUA foi preso e condenado a seis anos de prisão. No Colorado, estado em que fica Columbine, é proibido fornecer armas de fogo a menores de idade -- os dois tinham 17 anos quando conseguiram o armamento.

Columbine também deu origem a filmes, entre documentários e encenações. Entre estes os premiados Tiros em Columbine, de Michael Moore e Elefante, de Gus Van Sant.

Errata: o texto foi atualizado
14/03/2019 às 11h15
Diferentemente do informado neste texto, os assassinos de Suzano mataram 8 pessoas. O texto foi corrigido.