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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Rússia x Ucrânia: 10 declarações que resumem os 50 dias de conflito

12.abr.2022 - Tropas pró-Rússia em Mariupol, cidade portuária da Ucrânia - 12.abr.2022 - Alexander Ermochenko/Reuters
12.abr.2022 - Tropas pró-Rússia em Mariupol, cidade portuária da Ucrânia Imagem: 12.abr.2022 - Alexander Ermochenko/Reuters

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

14/04/2022 04h00

A invasão da Rússia à Ucrânia completa hoje (14) 50 dias em meio a trocas de acusações entre os países, sanções financeiras, reuniões do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), mortes e violência. Apesar de rodadas de negociações, ainda não foi definido um acordo de paz.

O UOL selecionou dez declarações feitas por líderes mundiais, políticos, jornalistas e civis que resumem a escalada do conflito entre os países ao longo destes 50 dias. Confira, a seguir:

Tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial. Nossa análise concluiu que nosso confronto com essas forças [ucranianas] é inevitável."
Vladimir Putin, presidente da Rússia, em 24/2

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Presidente russo Vladimir Putin anuncia ao vivo em cadeia nacional russa o início do que chamou de "operação militar especial" na Ucrânia
Imagem: REUTERS TV/via REUTERS

Foi durante a madrugada (no horário de Brasília), que Putin anunciou ter autorizado a invasão à Ucrânia em pronunciamento transmitido na Rússia ao vivo em cadeia nacional. Três dias antes, ele havia reconhecido a independência das regiões separatistas de Donetsk e Lugansk.

"Algumas palavras para aqueles que seriam tentados a intervir: a Rússia responderá imediatamente e você terá consequências que nunca teve antes em sua história", advertiu.

Acabou de explodir uma bomba aqui, a noite clareou, ficou de dia o negócio aqui. Achei que eu ia morrer."
O brasileiro David Abu-Gharbil relata bombardeio em Kiev em 25/2

Engenheiro elétrico que vive em Kiev, David relatou nas redes sociais o que vivenciou em meio aos ataques russos à capital ucraniana. Um bombardeio próximo ao edifício onde vive o fez buscar abrigo em um bunker subterrâneo.

"Não tem como sair, as estradas estão lotadas e a gente está evitando ao máximo andar na rua", disse. Relatos de moradores, organismos internacionais e políticos locais denunciaram que os soldados russos não atacaram apenas as instalações militares, mas também civis.

A Ucrânia passou a negociar a abertura de corredores humanitários para permitir a fuga de cidadãos e a acionar alarmes sonoros durante ataques aéreos. Toques de recolher foram determinados em diversas cidades para evitar que a população se arriscasse nas ruas.

Nós temos que ter equilíbrio. Vamos resolver o assunto, não vai ser na pancada. Afinal de contas, você está tratando com uma das maiores potências bélicas, nucleares, de um lado. Do outro lado está a Ucrânia, que resolveu abrir mão de suas armas [nucleares] no passado. Alguns querem que eu converse com o Zelensky, presidente da Ucrânia. Eu, no momento, não tenho o que conversar com ele"
Presidente Jair Bolsonaro (PL), em 28/2

jair, putin - Alan Santos/PR - Alan Santos/PR
16.fev.2022 - Jair Bolsonaro acompanha Vladmir Putin, presidente da Rússia, durante declaração à imprensa, em Moscou
Imagem: Alan Santos/PR

Enquanto países da União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido se manifestaram contra a invasão, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que não condenaria Putin. Em entrevista à Jovem Pan, ele afirmou que o líder russo ficou ao seu lado em defesa da soberania da Amazônia. "Vamos abrir mão disso?", questionou.

Em fevereiro, Bolsonaro viajou à Rússia em meio a forte tensão internacional. A atitude foi malvista por líderes mundiais e até por aliados.

Elas [ucranianas] são fáceis, porque são pobres"
Arthur do Val (União Brasil-SP), deputado estadual, em 4/3

O deputado estadual Arthur do Val (União Brasil-SP), conhecido como Mamãe Falei, estava na Ucrânia acompanhando o conflito quando vazou um áudio de uma conversa com amigos. Na mensagem, ele disse que as mulheres ucranianas "são fáceis, porque são pobres" após contar ter passado por barreiras alfandegárias com filas de civis tentando fugir do país. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou que uma guerra é propícia para redes de traficantes de pessoas capturarem refugiadas —como no caso de ucranianas que tentavam escapar.

Após a divulgação dos áudios, Do Val desistiu de se candidatar ao governo de São Paulo e foi expulso do Podemos, partido do qual era filiado. Nesta terça-feira (12), a Comissão de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) pediu a sua cassação; a decisão seguirá para o plenário da Casa.

Pare a guerra. Não acredite em propaganda. Eles estão mentindo para você aqui"
Marina Ovsyannikova, então jornalista do Canal 1, em 14/3

jornalista, russa - Reprodução/ Twitter @maxseddon - Reprodução/ Twitter @maxseddon
Mulher invadiu telejornal russo para protestar contra a guerra entre a Rússia e a Ucrânia
Imagem: Reprodução/ Twitter @maxseddon

A jornalista Marina Ovsyannikova invadiu uma transmissão do Canal 1, TV estatal russa onde era editora, segurando um cartaz que dizia à população que o governo mentia sobre a guerra na Ucrânia.

Levada para uma delegacia, onde foi interrogada por mais de 14 horas, ela foi multada em 30 mil rublos (cerca de R$ 1,4 mil) e liberada. Depois do incidente, pediu demissão e foi contratada pelo jornal alemão Die Welt.

Onze dias após o protesto, Putin assinou uma lei que pode punir por até 15 anos de prisão quem divulgar "notícias falsas" sobre ações russas no exterior.

Putin é um ditador assassino"
Joe Biden, presidente dos EUA, em 17/3

Crítico da invasão russa, o presidente dos EUA, Joe Biden, chamou Putin de "ditador assassino, um puro bandido que está fazendo uma guerra imoral contra o povo da Ucrânia". Um dia antes ele havia chamado o presidente russo de "criminoso de guerra".

Embora já tenha indicado que não busca embate direto com a Rússia, o país é o que mais concedeu ajuda militar à Ucrânia — até esta quarta-feira (13), foram US$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 11,2 bilhões) em auxílio, segundo levantamento da AFP.

O país também aplicou sanções financeiras a bancos russos, órgãos estatais, oligarcas, funcionários do governo da Rússia e até às filhas de Putin.

Mais uma vez, alguns poderosos, presos em pretensões anacrônicas de interesses nacionalistas, incitam novos conflitos."
Papa Francisco em 2/4

O papa Francisco deu diversas declarações contrárias à guerra e, sem citar nomes, criticou os "interesses nacionalistas de alguns poderosos".

O pontífice também exibiu a bandeira da Ucrânia ao receber, no Vaticano, crianças ucranianas no início do mês e disse não descartar uma visita a Kiev, o que é visto por lideranças ucranianas como algo que "pode afetar o curso da guerra".

Oficialmente o Vaticano diz não tomar partido no conflito entre os países.

A única coisa que nos falta é a abordagem de princípios de alguns líderes, políticos e empresariais, que ainda pensam que a guerra e os crimes de guerra não são algo tão horrível quanto as perdas financeiras (...) O Ocidente prefere a guerra a perder dinheiro."
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, em 6/4

zelensky, ucrania - AFP/ Serviço de imprensa presidencial ucraniano - AFP/ Serviço de imprensa presidencial ucraniano
23.mar.2022 - Presidente Volodymyr Zelensky gravando um discurso em vídeo em Kiev, Ucrânia
Imagem: AFP/ Serviço de imprensa presidencial ucraniano

Em discurso ao parlamento da Irlanda, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou os países que mantêm relações econômicas com a Rússia e, com isso, auxiliam no financiamento à guerra.

No entanto, a Europa depende dos russos para obter energia: cerca de 40% do gás natural importado pelo continente vem da Rússia.

Os países da União Europeia avaliam formas de reduzir a dependência, já que, desde o início da invasão, o bloco pagou à Rússia pelo menos 35 bilhões de euros (cerca de R$ 175 bilhões) pela importação de fontes de energia.

As questões de regulação das relações sobre a Crimeia, Sebastopol e Donbass foram retiradas do escopo desses acordos. Ou seja, voltamos novamente a um beco sem saída para nós mesmos e para todos."
Vladimir Putin, presidente da Rússia, em 12/4

Após reunir-se com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, Putin declarou que as negociações de paz seguem em direção a um beco sem saída. O presidente russo argumenta que a Ucrânia recuou de alguns termos acordados na rodada de negociações em Istambul, em 29 de março, e que isso não o agradou.

Putin acrescentou o que o conflito é "uma tragédia", mas que não restou a ele outra escolha a não ser invadir o país.

Prefiro ser cuidadoso com o uso de certos termos [como genocídio] ultimamente (...) Não estou certo de que as escaladas verbais sirvam para esta causa."
Emmanuel Macron, presidente da França, em 13/4

Após Joe Biden acusar a Rússia de cometer um "genocídio" na Ucrânia, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a troca de ofensas não vai ajudar a acabar com a guerra.

Em entrevista ao canal France 2, Macron disse que é importante manter o cuidado com as palavras escolhidas pelos governantes. Ele tem tentado intermediar as negociações de paz entre os países.

"O que está acontecendo é uma loucura, é incrivelmente brutal (...) Mas, ao mesmo tempo, olho os fatos e quero tentar, na medida do possível, continuar sendo capaz de deter esta guerra e reconstruir a paz. Não estou certo de que as escaladas verbais sirvam para esta causa."

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL