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Greenpeace cobra governo após dia com recorde de focos de calor na Amazônia

Amazônia registrou na última quinta-feira (30) recorde de focos de calor para um mês de julho nos últimos 15 anos - Joao Laet / AFP
Amazônia registrou na última quinta-feira (30) recorde de focos de calor para um mês de julho nos últimos 15 anos Imagem: Joao Laet / AFP

Do UOL, em São Paulo

01/08/2020 10h50

O Greenpeace Brasil cobrou, por meio de um comunicado, ação do Governo Federal contra queimadas após mais um mês de registro de altos índices de focos de calor na Amazônia.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) publicados pelo jornal O Globo mostram que, na última quinta-feira (30), houve a inclusão de 1.007 pontos de calor no sistema de monitoramento, recorde para o mês de julho dos últimos 15 anos.

"O fato de ter mais de 1.000 focos de calor em um único dia, recorde dos últimos 15 anos para o mês de julho, mostra que a estratégia do governo de fazer operações midiáticas não é eficaz no chão da floresta", disse Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.

A moratória, que proíbe no papel as queimadas, não funciona se não houver também uma resposta no campo, com mais fiscalizações. Afinal, criminoso não é conhecido por seguir leis. Assim como a [operação] GLO [Garantia da Lei e da Ordem] aplicada sem estratégia e sem conhecimento de como se combate as queimadas, também não traz os resultados que a Amazônia precisa.
Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace

Ainda segundo o jornal O Globo, o Programa de Queimadas do Inpe havia registrado, até quinta-feira (30), 6.091 focos de incêndio no bioma amazônico. Os dados consolidados do mês, com a inclusão de ontem (31) ainda não foram divulgados, mas os números preliminares indicam julho como o mês com maior número de queimadas do ano.

"O desmatamento precisa ser combatido durante todo o ano, principalmente considerando que as queimadas na Amazônia não são resultado de um fenômeno natural, mas da ação humana. O fogo é uma das principais ferramentas utilizadas para o desmatamento, especialmente por grileiros e agricultores, que o usam para limpar áreas para uso agropecuária ou especulação", disse Batista.

A prática se tornou ainda mais comum com a falta de fiscalização e o desmantelamento dos órgãos ambientais. Estamos observando uma tendência de alta nas queimadas neste ano. Além da ameaça do coronavírus, com a temporada de fogo, os povos indígenas estarão ainda mais vulneráveis, pois a fumaça e a fuligem das queimadas prejudicam ainda mais sua saúde.
Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace

Ainda segundo o Greenpeace Brasil, um levantamento da própria organização aponta que, dos focos de calor registrados em julho, 539 foram dentro de terras indígenas, um aumento de 76,72% em relação ao ano passado, quando foram mapeados 305 focos.

Ainda segundo este levantamento, 1.018 atingiram Unidades de Conservação, um aumento de 49,92% em relação ao mesmo período do ano passado.

Meio Ambiente