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Política

Comissão de Direitos Humanos aprova repúdio a Maduro por homofobia

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

03/04/2013 14h49Atualizada em 03/04/2013 18h05

Em reunião a portas fechadas para evitar manifestantes, a CDH (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (3) dois requerimentos, sendo um deles uma moção de repúdio ao presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, por homofobia.

Em um discurso de campanha contra o candidato Henrique Capriles, Maduro fez insinuações sobre a homossexualidade de seu adversário. No último dia 12 de março, Maduro disse em Caracas: "Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres". Na sequência, Maduro beijou a mulher, a também alta dirigente chavista Cília Flores.

Seu adversário nas eleições para a Presidência da Venezuela, Capriles, tem 40 anos e não é casado. À época, ele reagiu: "Quero enviar uma palavra de rechaço às declarações homofóbicas de Maduro. Não é a primeira vez. Creio numa sociedade sem exclusão, na qual ninguém se sinta excluído por sua forma de pensar, seu credo, sua orientação sexual."

O segundo requerimento aprovado foi um pedido de investigação para apurar concurso da Polícia Civil da Bahia.

Foram aprovados ainda pedidos de convocação de audiências públicas para tratar das questões indígenas como saúde e violência contra mulher; a formação de um grupo de trabalho para acompanhar os estudos sobre a contaminação por chumbo em Santo Amaro da Purificação (BA) e o envio de uma diligência à Bolívia para acompanhar a  situação dos torcedores brasileiros detidos naquele país. 

Durante a sessão de hoje, também foi realizada a eleição dos 2º e 3º vice-presidentes da CDH: Liliam Sá (PSD-RJ) e Anderson Ferreira (PR-PE), respectivamente. 

Sem outros concorrentes, os dois indicados acabaram sendo eleitos em votação secreta pela maioria dos presentes. Cada um recebeu nove votos e houve dois votos em branco. Nenhum dos integrantes da comissão contrários à presença de Feliciano na presidência da CDH participou da sessão.

A deputada Liliam Sá só apareceu na comissão depois de eleita. Quando chegou, pediu para falar e saiu em defesa de brasileiros presos no Senegal, disse que irá trabalhar para ajudá-los e desejou “sucesso” à comissão.

“Vou ajudar a todos nesta comissão e desejo sucesso, que este vendaval [em relação às manifestações contra Feliciano] passe e que o Brasil inteiro saiba quem é realmente o presidente desta comissão (...).Que o senhor faça um belo trabalho”, disse a parlamentar em defesa de Feliciano.

Ferreira também manifestou agradecimento pela votação e apoio a Feliciano, mas destacou que o “sucesso que a comissão terá [em suas atividades]  não vai ser rotulado em uma única pessoa, mas no colegiado”.

Segundo a comissão, presidida pelo deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP), a decisão de realizar a reunião a portas fechadas é baseada no regimento interno da Casa, que prevê a garantia de "ordem e e  a solenidade necessárias".

"Tem muita gente gritando também para que eu fique no cargo, não está ouvindo?", disse Feliciano ao chegar ao plenário.

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