Último palanque de Lula antes de ser preso tem desmaios, choro e aceno para presidenciáveis

Luís Adorno

Do UOL, em São Bernardo (SP)

Antes de discursar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo (SP), por um portão lateral do prédio, às 10h38 deste sábado (7), despistando uma multidão que o aguardava na frente da entrada principal.

Uma cerca de ferro abriu caminho até um carro de som. Ele passou rapidamente, com seus simpatizantes tentando tocá-lo e registrar o momento em fotografias ou vídeos.

Dois minutos depois, ele aparecia sobre o carro de som, sendo ovacionado por militantes, que lotaram completamente a rua.

Nos primeiros momentos, acenou junto à ex-presidente Dilma Rousseff e à presidente nacional de seu partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PR).

Antes deles, representantes das igrejas católica e evangélica subiram ao carro, para uma cerimônia que homenagearia a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que faria 68 anos neste 7 de abril.

Nessa mesma data, Lula, ao fim do comício, afirmou que se entregaria à PF (Polícia Federal). Ele tinha prazo, determinado pelo juiz federal Sergio Moro, de se entregar até 17h do dia 6. Mas, após negociação com o órgão, ficou definido que ele se entregaria depois da homenagem à sua mulher.

O bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sandalo Bernardino, tomou à frente no início da cerimônia. Houve gritos de "Marisa, presente!". Depois, disse a Lula e aos militantes que desejava o ex-presidente livre. Ouviu dos simpatizantes que deveria rezar para melhorar o coração do juiz Moro. Uma pastora evangélica puxou o coro de "Lula vive!".

Enquanto o bispo tentava falar, era frequentemente interrompido por gritos de militantes, que iam desde agradecimentos por medidas sociais feitas nos seus governos até pedidos para que ele lutasse e resistisse à prisão, não se entregando. Lula pegou o microfone por volta de meio-dia.

Artistas ligados ao PT estavam com Lula. Não foram raras as vezes em que O ex-presidente segurou o choro. "Não chora, não, presidente!", gritou um militante, logo abaixo de Lula, que ouviu, sorriu e acenou a ele positivamente.

Veja a reação dos apoiadores durante o discurso de Lula

Com forte calor e pela proximidade entre as pessoas, duas militantes desmaiaram. Elas foram socorridas rapidamente.

Pré-candidato à Presidência pelo PT, mesmo preso, Lula transformou o carro de som em seu último palanque antes de se entregar. Com ele, subiram e foram apresentados aliados políticos do PT, como o ex-prefeito Fernando Haddad, senadores e governadores, além de integrantes do PCdoB e PSOL.

Todos foram citados nominalmente e deram um abraço no ex-presidente. 

Mas tiveram mais destaque os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB). Segundo Lula, os dois são a nova geração da esquerda que "ousa" tentar ser presidente da República.

O pré-candidato do PT disse ter orgulho de ambos, que ficaram próximos a ele nas últimas semanas quase o dia inteiro, todos os dias.

Lula voltou a se dizer inocente de todas as acusações e afirmar que está sendo perseguido por ajudar os mais pobres a terem evoluído.

Enquanto discursava, os militantes, muito emocionados, choravam, reafirmavam a todo momento pedidos para Lula não se entregar e xingavam a imprensa, principalmente a TV Globo.

Na saída de Lula, duas horas depois do início da cerimônia, o ex-presidente foi carregado por militantes, passando pelo meio dos simpatizantes e os cumprimentando. Houve empurra-empurra. Todos queriam estar o mais próximo possível dele.

Na entrada do sindicato, um furacão de militantes o acompanhou. Por não comportar a todos, a maior parte dos simpatizantes não entrou. O portão foi fechado. Lula sentiu um mal-estar. Um médico chegou a ser acionado, mas, antes de chegar até o ex-presidente, ele já se sentia melhor.

Militantes continuavam tentando estar o mais próximo possível de Lula em seus últimos momentos de liberdade.

A expectativa de que ele falasse com seus simpatizantes manteve as pessoas em uma vigília em frente ao sindicato. Não foram poucos os que decidiram dormir dentro ou na calçada do prédio.

A vigília se intensificou na sexta-feira (6), quando era possível que Lula fosse preso. Militantes tomaram as ruas do entorno do sindicato prometendo não deixar que os policiais federais se aproximassem e levassem para Curitiba (PR) o ex-presidente. De fato, não aconteceu.

Durante toda a sexta, Lula se manteve num lugar restrito do segundo dos quatro andares do prédio do sindicato.

Foram inúmeras as pessoas que entraram e saíram da sala de Lula para prestar apoio. Entre eles, políticos e advogados. Os únicos que não saíram de perto foram os familiares de Lula.

Veja a íntegra do discurso de Lula

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