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'Tem toda nossa confiança', diz Bolsonaro sobre ministra que beneficiou JBS

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Imagem: Divulgação

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

18/11/2018 13h18

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), defendeu neste domingo (18) a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), após reportagem da Folha de S.Paulo de hoje mostrar que ela ofereceu incentivos fiscais à JBS ao mesmo tempo em que mantinha negócios com a empresa.

Enquanto Tereza chefiava a secretaria de Desenvolvimento Agrário e Produção em Mato Grosso do Sul, a JBS assinou Termos de Acordo de Benefícios Fiscais, segundo o jornal. No mesmo período, a deputada arrendava um terreno aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

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A reportagem também aponta que a JBS doou R$ 103 mil à deputada durante campanha eleitoral.

Sobre o caso, Bolsonaro afirmou que a futura ministra não foi julgada. A declaração de Bolsonaro aconteceu durante uma competição de jiu-jítsu no Rio de Janeiro hoje?na qual foi recebido aos gritos de 'mito, mito!': 

"Também sou réu no Supremo, e daí? Tenho que renunciar ao meu mandato? Ela já foi julgada? Eu desconheço. Ela já foi julgada? Apenas um processo foi a apresentado? Como eu já fui representado umas 30 vezes na Câmara, não colou nenhum. Afinal de contas sou um ser humano, posso errar. Ela goza de toda nossa confiança"

O advogado da deputada disse à Folha que o benefício "fundamentou-se na legislação do estado, e os processos administrativos para tanto foram analisados pelos setores técnicos".

Representa bancada ruralista e defende agrotóxicos

Primeira mulher a integrar o futuro governo de Bolsonaro, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) é presidente da FPA (Frente Parlamentar Mista da Agropecuária), grupo que reúne mais de 200 parlamentares, entre deputados federais e senadores, e é um dos principais grupos de pressão da bancada ruralista no Congresso Nacional.

Tereza Cristina é engenheira agrônoma e foi secretária de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo do Mato Grosso do Sul, de 2007 a 2014.

A futura ministra de Bolsonaro foi eleita deputada federal em 2014 e era filiada ao PSB na ocasião. Ela tornou-se líder da sigla na Câmara em fevereiro de 2017, mas, nove meses depois, pediu desfiliação do PSB por defender a reprovação da denúncia contra o presidente Michel Temer. O partido tinha posição contrária. Depois disso, Tereza Cristina filiou-se ao DEM.

Tereza Cristina é defensora do Projeto de Lei 6.299/02, que flexibiliza as regras de utilização de agrotóxicos no país, conhecido como PL do Veneno. Ela classifica a iniciativa como uma modernização para o setor.

Prestação de contas

Durante o evento, Bolsonaro ainda minimizou as irregularidades na prestação de contas da campanha apontadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"Algumas foram falhas do TSE. Tenho certeza que não terá problemas. Foi a campanha mais pobre da história do Brasil", disse o presidente. 

Ele também comentou sobre a possibilidade de fundir os ministérios da Educação com o do Esporte. "Nós estamos definindo essas questões. Se eu falo uma coisa agora aqui, lá na frente vão dizer que eu estou recuando. Então vai ser definido, brevemente teremos o mapa todinho dos ministérios".

Bolsonaro aproveitou também para reiterar as críticas sobre o programa "Mais Médicos".

"É justo confiscar 70% do salário? Não podemos admitir escravos cubanos no Brasil. Não podemos continuar alimentando a ditadura cubana", afirmou.

Bolsonaro é recebido aos gritos de 'mito' em competição

UOL Notícias

Bolsonaro chegou à Arena Carioca, construída para os Jogos Olímpicos no Rio de 2016, por volta de 11h30 e foi aplaudido pelo público após ter a presença anunciada pela organização do evento. Gritos de "mito" e aplausos também foram ouvidos no espaço.

A competição de jiu-jítsu é parte do Grand Slam Jiu-Jitsu, competição patrocinada pelo governo de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, que acontece desde sexta-feira (16) e termina neste domingo (18). São esperados 2.500 atletas, e a entrada é gratuita.

Durante a campanha, o presidente eleito recebeu apoio da Federação de Jiu-jítsu e chegou a ser agraciado com uma faixa preta pelo presidente da entidade, Robson Gracie.

Após o compromisso, Bolsonaro voltou para casa. O presidente eleito se locomove sob escolta de homens da Polícia Federal.

No caminho, parou em um quiosque na orla e cumprimentou apoiadores. Em casa, prepara um churrasco com amigos e familiares.

Na terça-feira (20), ele viajará para Brasília. Na sexta-feira (23), ele deve ir a São Paulo para ser submetido a procedimentos pré-operatórios no Hospital Albert Einsten, onde ficou internado durante 23 dias, em setembro. No mesmo dia, ele volta para o Rio.

A agenda ainda contempla uma visita à Brigada Infantaria Paraquedista no próximo sábado (24).

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