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Em 4 meses, substituta de Moro condenou Lula e mandou prender Paulo Preto 

1º.nov.2018 - A juíza federal Gabriela Hardt - Reprodução/Ajufe
1º.nov.2018 - A juíza federal Gabriela Hardt Imagem: Reprodução/Ajufe

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

06/03/2019 04h00

Em cerca de quatro meses como substituta provisória de Sergio Moro na Justiça Federal do Paraná, a juíza Gabriela Hardt interrogou e condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ordenou a prisão de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da estatal paulista Dersa e suposto operador do PSDB, conhecido como Paulo Preto.

A partir de hoje, ela dá lugar ao magistrado Luiz Antonio Bonat, escolhido por concurso interno para assumir o posto deixado por Moro para ser ministro da Justiça e da Segurança Pública.

Hardt condenou Lula e mais 10 pessoas no caso do sítio de Atibaia. O ex-presidente foi sentenciado a 12 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A defesa afirma que ele é alvo de perseguição política e que as acusações foram feitas com base apenas em delações.

Antes da condenação, ainda em 2018, a juíza conduziu interrogatórios de réus do processo do sítio, entre eles Lula. A audiência com o ex-presidente foi marcada por embates verbais. Uma das frases ditas pela magistrada a Lula -- "Se o senhor começar nesse tom comigo, a gente vai ter um problema" -- virou estampa de uma camiseta usada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Veja o embate entre Lula e Hardt em interrogatório

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Hardt também autorizou a realização de quatro fases da Lava Jato, entre elas a mais recente, em que Paulo Preto foi preso preventivamente. Neste caso, ele é acusado de operar recursos para a Odebrecht, que por sua vez teria usado o dinheiro para subornar funcionários do alto escalão da Petrobras. 

Outra fase que recebeu o aval da magistrada foi a que teve como alvo um esquema de corrupção na construção da Torre Pituba, em Salvador. As obras foram pagas pelo Petros, o fundo de pensão da Petrobras, que teria sofrido um dano de R$ 150 milhões, segundo o Ministério Público. A investigação deu origem a uma ação penal com 42 réus, entre ex-executivos de Petrobras e Petros; das construtoras Odebrecht, OAS e Mendes Pinto; e nomes ligados ao PT.

Novo juiz assumirá 39 processos

Além do caso do sítio, da prisão de Paulo Preto e da operação sobre a Torre Pituba, Hardt decidiu um processo sobre um esquema de corrupção na Petroquisa, braço petroquímico da Petrobras. As propinas pagas pela Odebrecht a funcionários da estatal chegariam a R$ 32 milhões. Executivos da empreiteira e da Petroquisa fazem parte do rol de nove pessoas condenadas. 

Outro caso que recebeu sentença da magistrada envolveu o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o lobista João Antônio Bernardi Filho. Ambos foram condenados por envolvimento em um esquema de favorecimento à empresa italiana Saipem em uma obra da estatal

Na sentença mais recente, do dia 22, Hardt condenou nove pessoas em um processo sobre o pagamento de propinas estimadas em US$ 56,7 milhões decorrentes de um contrato da Petrobras com a Odebrecht. Foram condenados ex-executivos das duas empresas, além dos operadores do dinheiro sujo -- que teria chegado a políticos do MDB e do PT.

Agora, estão nas mãos de Bonat 39 ações penais da Lava Jato pendentes de julgamento. Entre estes casos estão a suposta compra de um terreno pela Odebrecht para o Instituto Lula; e a acusação de propina de US$ 5 milhões para o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) ligada a contratos de construção de navios-sonda para a Petrobras.

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