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Advogado de Lula conversa com juiz e espera soltura

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

08/11/2019 16h05

O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin, reuniu-se hoje com o juiz que julgará o pedido de soltura do ex-presidente. Ao sair do encontro, Zanin disse que espera que a libertação de Lula ocorra o mais brevemente possível.

"Expusemos nosso ponto e temos que aguardar", disse Zanin, ao deixar a sede da Justiça Federal do Paraná. "Pedimos urgência, mas isso depende do magistrado. A decisão poderá sair hoje, ou não."

Zanin chegou à Justiça Federal do Paraná às 13h e deixou o espaço as 15h40. A audiência sobre o caso de Lula durou cerca de 15 minutos, segundo Zanin.

Inicialmente, Zanin esperava reunir-se com a juíza Carolina Lebbos. Ela sempre decidiu sobre os processos de Lula. Lebbos, contudo, está de férias. Quem deve decidir sobre o pedido de liberdade do ex-presidente é o juiz Danilo Pereira Junior.

Antes de ir pessoalmente à Justiça, Zanin protocolou eletronicamente o pedido para libertação do ex-presidente baseada na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que impede prisão de condenados em 2ª instância. O pedido foi feito logos depois que o advogado esteve com Lula em sua cela, na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, junto com outros quatros advogados da defesa.

Lula recebeu seus advogados para discutir os desdobramentos da decisão do STF de ontem. O Supremo definiu que as prisões só devem ser feitas depois que os processos criminais passem por todas as instâncias do Judiciário, beneficiando Lula.

O ex-presidente foi condenado em 2017 na Justiça Federal do Paraná por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Em 2018, essa condenação foi confirmada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e Lula foi preso.

O ex-presidente alega que é inocente. Ainda pode recorrer ao STF para rever sua condenação. Agora que o Supremo mudou seu entendimento sobre as prisões, ele tem direito de aguardar em liberdade a tramitação de todos os seus recursos.

Assim que a Suprema Corte tomou sua decisão sobre as prisões, os advogados de Lula anunciaram que iriam pedir a liberdade imediata do ex-presidente.

Não há um prazo para esse julgamento aconteça. A defesa do ex-presidente, entretanto, defende que ele ocorra o mais rapidamente possível para que o direito de liberdade de Lula seja garantido.

Apoiadores de Lula também esperam que o ex-presidente deixe a cela na Superintendência da PF (Polícia Federal) em que está preso em breve. Desde ontem, organizadores da Vigília Lula Livre, localizada em frente à PF, estão convocando militantes a esperar mobilizados pela soltura do ex-presidente.

Ontem, enquanto o STF julgava as prisões em 2ª instância, cerca de 20 pessoas acompanhavam o julgamento da vigília. Hoje de manhã, o movimento de pessoas no espaço é mais intenso. Alguns ônibus com integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) já chegaram à Curitiba. A expectativa é que outros ônibus cheguem à capital do Paraná de tarde. São esperadas 2 mil pessoas.

Até na frente da Justiça Federal já há mobilização. Apoiadores do ex-presidente estão reunidos numa praça tocando tambores e hasteando bandeiras.

A segurança em torno da PF já foi reforçada por conta da possível saída de Lula da prisão. A PM-PR (Policia Militar do Paraná) deslocou viaturas e policiais para guardar o prédio da PF e acompanhar a movimentação de militantes.

Dirigentes do PT do Paraná chegaram à PF por volta das 11h. Eles têm uma reunião com a polícia para discutir detalhes da operação para a possível libertação do ex-presidente Lula.

Lula já disse que quer passar na Vigília Lula Livre logo que deixar à prisão. Depois, ele deve ir a São Bernardo do Campo (SP), onde um ato político por sua liberdade está programado.

Apoiadores de Lula fazem vigília na porta da Polícia Federal em Curitiba

AFP

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