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Quem é o diretor da PF pivô da crise entre Moro e Bolsonaro

Na polícia, Valeixo comandou setores de combate ao crime organizado durante a Lava Jato - DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Na polícia, Valeixo comandou setores de combate ao crime organizado durante a Lava Jato Imagem: DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

23/04/2020 20h33Atualizada em 24/04/2020 10h01

Na noite de 7 de abril de 2018, as câmeras de TV de todo o Brasil filmaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva descer de um helicóptero e ser recebido por um homem de terno antes de ingressar na Superintendência da Polícia Federal no Paraná. O homem era o delegado Maurício Leite Valeixo, exonerado nesta sexta (24) do cargo de diretor-geral da corporação.

Pivô da crise entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Justiça, Sergio Moro, o chefão da PF no Brasil tem 23 anos de experiência na instituição. Atuou nas áreas de combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

Como mostrou o UOL, uma operação da PF e um pedido do chamado centrão (bloco político formado por PP, PL, Republicanos, DEM, Solidariedade, entre outros) reavivaram uma disputa antiga entre o ministro da Justiça e o presidente da República.

O ex-diretor-geral é próximo de Moro desde o caso Banestado, investigação que descobriu esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o banco estadual do Paraná em 2003 e o envio de bilhões de reais para contas no exterior. A investigação acabou não prosperando como queriam porque os beneficiários do dinheiro não foram punidos, mas serviu como embrião da Operação Lava Jato.

O ex-diretor da PF faz parte do grupo de comandava a corporação desde a saída de Paulo Lacerda, ainda no governo Lula. Segundo um policial experiente da corporação, a gestão de Valeixo era próxima das dos ex-diretores Leandro Daiello, Rogério Galloro e Luiz Fernando Corrêa. O ponto de inflexão foi a breve passagem de Fernando Segovia na direção da instituição, trazendo nomes novos e alguns antigos, da época de Lacerda.

Na gestão de Daiello, Valeixo era o número três da corporação. Era o diretor de Combate ao Crime Organizado, o setor mais operacional da PF em tempos de Lava Jato. Em 2017, deixou Brasília e voltou ao Paraná. Tornou-se superintendente da PF no estado. No ano seguinte aparecia ao lado de Lula nas imagens históricas que rodaram o mundo.

Maurício Valeixo foi outro personagem importante na execução da pena do ex-presidente. Lula chegou a obter uma ordem de soltura por parte do desembargador Rogério Favretto, que estava de plantão. Mas o então chefe da PF no Paraná pediu esclarecimentos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre a decisão. Ao final, Lula permaneceu preso até novembro 2019.

Quando Moro foi convidado por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, montou um time de assessores e auxiliares com as pessoas da chamada "República de Curitiba", policiais e outros investigadores com experiência no combate a crime organizado e corrupção. Valeixo fazia parte dessa equipe e foi alçado ao posto de diretor-geral.

Moro trouxe ainda duas pessoas ligadas a Valeixo para Brasília. O antecessor dele na chefia da PF no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, e o diretor de Combate ao Crime Organizado naquele estado, Igor Romário de Paula.

Pressões começaram por causa de delegado no Rio

As pressões para derrubar Valeixo começaram em meados do ano passado. No final de agosto de 2019, a crise entre Moro e Bolsonaro chegou ao nível máximo. O presidente pediu publicamente a demissão de Valeixo após a resistência do Ministério da Justiça e da Polícia Federal de retirar o superintendente da corporação no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi — Bolsonaro alegava problema de "produtividade" apesar de o Índice de Produtividade Operacional (IPO) da unidade fluminense mostrar melhora.

Chegou circular dentro da PF a informação de que Valeixo só ficaria no cargo até fevereiro de 2020 e que poderia se tornar adido policial — representando a Polícia Federal no exterior — em meados deste ano.

Com 53 anos, Valeixo foi chefe da corporação no Paraná duas vezes. Também foi adido em Washington (EUA). Nasceu em Mandaguaçu (PR), cidade ao lado de Maringá (PR), terra de Sergio Moro. Foi delegado de Polícia Civil por dois anos. Formou-se em direito pela PUC do Paraná e é especialista em metodologia do ensino Superior pela Universidade de Brasília.

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