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Bolsonaro intensifica uso de helicóptero, e GSI não revela gastos

31.mai.2020 - De um helicóptero, o presidente Jair Bolsonaro acompanha atos a seu favor em Brasília - Mateus Bonomia/AGIF/Estadão Conteúdo
31.mai.2020 - De um helicóptero, o presidente Jair Bolsonaro acompanha atos a seu favor em Brasília Imagem: Mateus Bonomia/AGIF/Estadão Conteúdo

Guilherme Mazieiro e Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

12/06/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Nas últimas duas semanas, Bolsonaro fez 5 deslocamentos de helicópteros em Brasília e Goiás (4 deles fora da agenda oficial)
  • Uso da aeronave era menos frequente em meses anteriores, com uma só viagem em abril
  • Governo tem sofrido críticas em assuntos relacionados à transparência pública

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) intensificou nas últimas semanas os voos em helicópteros presidenciais sobre Brasília e cidades próximas, no estado de Goiás. Os gastos para levantar voo, passageiros e informações sobre os percursos não foram informados pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), responsável pela segurança presidencial.

Levantamento feito pelo UOL com base em agendas públicas e deslocamentos acompanhados pela imprensa indicam que, nas duas últimas semanas, Bolsonaro recorreu cinco vezes ao uso de helicópteros. Apenas uma dessas viagens está relacionada a um compromisso oficial: a ida à inauguração do hospital de campanha de Águas Lindas de Goiás, em 5 de junho.

Os demais deslocamentos foram realizados para sobrevoar manifestações pró-governo e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (em 24 e 31 de maio), para ir a uma lanchonete em Abadiânia (GO) e acompanhar uma operação da Polícia Rodoviária Federal (em 30 de maio), e para ver o lançamento de um foguete no Comando de Artilharia do Exército, em Goiás (em 6 de junho). Ministros e políticos aliados costumam acompanhar o presidente.

Antes dessas semanas, a reportagem identificou um deslocamento de Bolsonaro com helicóptero, em 11 de abril, quando foi vistoriar obras do hospital de Águas Lindas.

30.mai.20 - Bolsonaro faz sobrevoo em helicóptero com o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) e o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) - Acervo pessoal/ Deputado major Vitor Hugo (PSL-GO) - Acervo pessoal/ Deputado major Vitor Hugo (PSL-GO)
30.mai.20 - Bolsonaro faz sobrevoo em helicóptero com o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) e o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura)
Imagem: Acervo pessoal/ Deputado major Vitor Hugo (PSL-GO)

Outras viagens de Bolsonaro aconteceram no primeiro semestre, mas com uso de aviões. Por exemplo, nas idas para Guarujá e Rio de Janeiro, em janeiro, e viagens a São Paulo, Montevidéu e cidades dos Estados Unidos, em março.

Segundo interlocutores do presidente, a decisão de aumentar as viagens para região de Brasília está relacionada à preocupação com a segurança de Bolsonaro e ao interesse de cobrir distâncias maiores em bem menos tempo.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) foi procurada, não se manifestou e orientou a reportagem a questionar o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o qual informou que "não se manifesta sobre assuntos que envolvem a segurança presidencial".

Em julho do ano passado, Bolsonaro defendeu o uso dos helicópteros oficiais para transportar parentes ao ser questionado sobre o transporte de familiares para a festa de casamento do Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP.

"Eu vou responder. Eu fui a casamento do meu filho. A minha família ia comigo. Eu vou negar o helicóptero a ir para lá e mandar ir de carro? Não gastei nada do que já ia gastar", disse à época.

Falta de transparência

O governo Bolsonaro tem enfrentado críticas e cobranças de partidos e entidades sobre transparência de informações desde o início de sua gestão.

No Congresso, a primeira derrota do governo em votação no plenário foi justamente em relação ao sigilo de informações, em fevereiro do ano passado. À época, os deputados suspenderam um decreto assinado por Hamilton Mourão (PRTB) que modificava a Lei de Acesso à Informação.

Nesta semana, o TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou mais detalhamento nos gastos com comunicação social.

Outra medida do governo contra a transparência foi a exclusão de dados consolidados de infectados e mortos pelo coronavírus de boletins oficiais do Ministério da Saúde. O ministro so STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou que fosse retomada a divulgação dos números no portal oficial.

A medida do governo que mudou a apresentação dos dados foi criticada por entidades de pesquisa, partidos políticos e teve reação da imprensa, que criou um consórcio, do qual o UOL faz parte, para analisar os dados junto aos estados.

O presidente editou ainda medida provisória que restringia o acesso a dados da Lei de Acesso à Informação. Com a repercussão negativa, revogou o conteúdo.

Em abril, o UOL solicitou via Lei de Acesso à Informação os resultados de exames de coronavírus do presidente. Em resposta a Presidência classificou como "sigilosos" os resultados, os quais só se tornaram públicos após umdecisão do STF (Supremo Tribunal Federal) dar ganho de causa ao pedido do jornal O Estado de S. Paulo.

Em outros casos há determinação de sigilo nos gastos de cartão corporativo e na lista de convidados para um coquetel de posse para Bolsonaro.

Helicóptero do presidente

A Presidência tem à disposição o uso da aeronave VH-36 (EC-725 Caracal), adquirido durante o governo Dilma Rousseff (PT). O UOL procurou a fabricante do modelo para tentar estimar o custo de voo, gasto de combustível e demais insumos.

24.mai.20 - Bolsonaro vai de helicóptero a ato esvaziado, em Brasília - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
24.mai.20 - Bolsonaro vai de helicóptero a ato esvaziado, em Brasília
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A empresa Helibras justificou que por questões contratuais não poderia dar informações à reportagem.

"Por questões de confidencialidade contratual, a Helibras não comenta informações sobre contratos e operação de clientes. O custo operacional de um helicóptero depende de inúmeras variáveis como: tipo de missão, ambiente de operação, programa de manutenção, quantidade de horas voadas, entre outras", informou em nota.

Governo Bolsonaro