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4 meses

Jereissati: Doria, Eduardo Leite e Huck são nomes à Presidência em 2022

Do UOL, em São Paulo

08/02/2021 16h43Atualizada em 08/02/2021 19h28

Os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) e o apresentador Luciano Huck são nomes considerados a serem apoiados pelo PSDB para a disputa da Presidência em 2022, segundo o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) durante o UOL Entrevista.

Jereissati disse que a candidatura de Doria é a mais óbvia. Ele elogiou o trabalho do governador no combate à pandemia de covid-19 e disse que sem ele o Brasil não teria "quase nenhuma vacina".

O senador também destacou Eduardo Leite, a quem ele chamou de "um dos maiores sucessos da nova geração de políticos brasileiros". Sem detalhar muito, Jereissati disse que Leite tem obtido resultados excepcionais e que é admirado por pessoas de diversos partidos.

Tasso Jereissati, porém, não descartou a candidatura de Luciano Huck, que é defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "O Huck eu vejo, sim, possibilidade. Ele não é do PSDB, mas é uma pessoa jovem, idealista, tem vontade, tem se esforçado em aprender e tem feito muitas viagens, muitos cursos, palestras. Também é um candidato que poderíamos colocar nessa lista", disse.

Ele também considera que apareça um quarto nome para enfrentar Jair Bolsonaro nas urnas em 2022. "Não estou limitando a esses três nomes, estou colocando como os três que hoje vejo e percebo", afirmou. "Daqui para o primeiro semestre do ano que vem, muita água vai rolar", completou.

Temos muita coisa para acontecer daqui para o fim do ano. Já vi as coisas mudarem em menos tempo. Vai ter um momento em que vamos ter que, não diria apostar, mas investir politicamente em um desses três.
Tasso Jereissati, senador pelo PSDB-CE

O que vai definir o candidato, na opinião dele, são "a situação da economia brasileira, o momento do governo Bolsonaro, a situação social do Brasil e a percepção pública sobre que tipo de liderança o Brasil vai querer".

A ideia de lançar esses nomes mais ao centro vem de encontro a uma proposta de frente ampla.

Contudo, a eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) como presidente da Câmara dos Deputados e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para presidir o Senado fez com que houvesse um racha nesse movimento.

Essa união suprapartidária tinha como símbolo o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), que acabou derrotado por Lira, apoiado por Jair Bolsonaro.

'O meu PSDB não vai estar do lado de Bolsonaro'

Jereissati negou que seu partido apoiará o presidente Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. "O meu PSDB não vai estar com Bolsonaro de maneira alguma", afirmou.

O núcleo do PSDB, o PSDB que eu presido, é radicalmente contra o governo Bolsonaro e o responsabiliza por medidas quase que criminosas em relação ao tratamento, a condução da covid, a questão ambiental, questão de costumes, questão de gestão
Tasso Jereissati, senador do PSDB pelo Ceará

Empresário e defensor de políticas liberais para a economia, Jereissati é um dos tucanos mais influentes em Brasília. Foi governador do Ceará por três mandatos e presidente nacional do PSDB em duas oportunidades. Atualmente, o presidente da sigla é o ex-deputado federal Bruno Araújo (PE).

Ainda sobre Bolsonaro, o senador completou citando situações em que o presidente, na sua opinião, "deseducou" o Brasil.

"Nós vemos um presidente deseducando o Brasil, levando o Brasil para a vulgaridade, quando faz um discurso em um restaurante com todas as palavras chulas e baixas possíveis e com seus ministros rindo e batendo palminhas. Isso desmoraliza moralmente a presidência, e o presidente da República tem que ser referência e não líder de um comportamento chulo como esse", opinou.

Eleição no Congresso: 'Partidos são ignorados'

O senador também afirmou que os partidos políticos foram "destruídos" no processo eleitoral para as presidências da Câmara e do Senado.

Os partidos foram, a meu ver, moídos, destruídos, triturados. Nenhuma das pessoas, das lideranças, vamos chamar assim, dos coordenadores das eleições presidenciais na Câmara e no Senado tiveram ou tem qualquer respeito por partido politico, simplesmente ignoram os partidos
Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Ele declarou que vários deputados e senadores entenderam que essa é uma nova maneira de "se fazer política em Brasília" e que os coordenadores das campanhas passaram por cima das legendas para atingir ambições individuais de cada parlamentar.

"A percepção dos articuladores das campanhas é que senadores e deputados eram muito mais facilmente cooptados individualmente, discutindo projetos ou ambições pessoais, do que através das lideranças políticas ou visões partidárias. Instituíram isso nessas eleições. Você vê: o PSDB rachou, o MDB rachou, o DEM rachou. E os partidos não existem mais como uma entidade organizada com projetos e programas."

'Qualquer partido gostaria de ter Maia'

Após o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) se mostrar descontente com o próprio partido — que optou por não declarar apoio a nenhum candidato na eleição para a presidência da Câmara —, Jereissati sinalizou ter visto com bons olhos o convite feito pelo governador de São Paulo João Doria (PSDB) para que Maia se filiasse ao PSDB.

"O presidente Rodrigo Maia é um quadro, sem dúvida nenhuma, da vida política brasileira. Teve um par presidente da Câmara e é sempre importante poder tê-lo em qualquer partido, principalmente quando se tem uma identidade ideológica, principalmente na área que existe entre nós e pelo menos o que o Rodrigo Maia pregou durante a sua, e até praticou durante sua presidência. Qualquer partido gostaria de ter o Rodrigo Maia."

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