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Conteúdo publicado há
3 meses

'Não estou preocupado', diz senador governista sobre desfile de tanques

Do UOL, em São Paulo

10/08/2021 08h57Atualizada em 10/08/2021 10h32

O senador governista Luis Carlos Heinze (PP-RS) disse, em entrevista ao UOL News, não achar que o desfile de tanques que ocorreu na manhã de hoje, em Brasília, intimidaria os parlamentares. A oposição criticou o evento.

Ontem, Bolsonaro usou as redes sociais para convidar autoridades para o desfile. Nenhuma compareceu. Entre eles estavam o presidente do STF, ministro Luiz Fux, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, e o presidente da Câmara.

O desfile militar ocorreu no mesmo dia em que a PEC (proposta de emenda à Constituição) 135/19, que estabelece o voto impresso, irá para votação no plenário da Câmara dos Deputados. O voto impresso é uma das bandeiras do mandatário.

"Eu não vejo desse jeito. Essa questão, eu não estou preocupado. Ainda acompanhando a posse do Ciro Nogueira no comando da Casa Civil ele foi bem claro. O discurso do Ciro foi bem claro com respeito à democracia. Eu não estou preocupado com isso, sinceramente. O desfile, pelo que sei também, essa comitiva estava passando [com destino] a Formosa, Goiás, e ele [Bolsonaro] resolveu fazer um ato, político, quem sabe? Isso aí, de certa forma não intimidaria os parlamentares."

Heinze declarou ser apoiador do voto "auditável", assim como Bolsonaro, e disse que está trabalhando para que "isso possa ser resolvido".

Apesar de questionadas por Bolsonaro e seus apoiadores, as urnas eletrônicas são auditáveis e testadas com regularidade sobre sua segurança. Já foi constatado que os dados principais são invioláveis e não podem ser infectados por vírus que roubem informações. O próprio TSE afirma que não há indícios de fraude em eleições desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram adotadas.

O parlamentar ainda criticou o STF que, segundo ele, está pressionando parlamentares a se oporem ao voto impresso e ainda afirmou que a Corte não deve se intrometer nos outros poderes.

"Sei da pressão do próprio Supremo sob os parlamentares. Eu não acho devido essa posição. Não há o que eles imiscuir no nosso poder. Eles pressionam a nós. Os próprios senadores não têm condições de se impor. Eles [STF] não poderiam fazer o que estão fazendo com relação ao Senado e a Câmara dos Deputados", criticou Heinze.

A fala do senador sobre o STF também vai ao encontro do discurso de Bolsonaro, que vem atacando e subindo o tom contra ministros do Supremo, em especial ao ministro Alexandre de Moraes, e o ministro do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso.

Na sexta-feira (6), o presidente chamou Barroso de "filha da p...." em um vídeo que circula as redes sociais e o atual mandatário já acusou Barroso de influenciar parlamentares a votarem contra o voto impresso.

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