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CUT diz que não estará em atos contra Bolsonaro convocados pelo MBL

Em comunicado, CUT diz que "não participará, não convocará e não faz parte da organização" de atos convocados por liberais - Roberto Parizotti/CUT
Em comunicado, CUT diz que 'não participará, não convocará e não faz parte da organização' de atos convocados por liberais Imagem: Roberto Parizotti/CUT

Do UOL, em São Paulo

08/09/2021 16h00Atualizada em 08/09/2021 16h46

Na contramão de outras centrais sindicais, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) esclareceu hoje que "não participará, não convocará e não faz parte da organização" de atos agendados para o próximo domingo (12) em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em nota, a central, ainda assim, se colocou contra o governo federal, pedindo a saída de Bolsonaro do posto de presidente e bradando o lema "vacina no braço, comida no prato!".

Os atos agendados para o dia 12 de setembro enfrentam resistência de parte da esquerda por terem sido, de início, convocados pela direita liberal, representada pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e pelo Vem Pra Rua.

Mesmo assim, quatro das maiores centrais sindicais do Brasil — Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central — decidiram aderir aos atos convocados pelos liberais. O diretório do PDT em São Paulo, pedindo união de forças com a direita, também optou por ir na mesma direção.

"A maioria da população tem pronunciado que não aceita os ataques do presidente às instituições constituídas", disseram as centrais em nota. "Nossa linha é, sempre, frente ampla em defesa do Brasil e da democracia!", concluíram as entidades, que pediram pelo impeachment.

Em sentido contrário ao espírito de união de diferentes defendido pelas outras centrais, a CUT, em artigo no site da entidade, lembrou que o MBL e o Vem Pra Rua apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), classificado como "golpe" pela organização.

Na visão da CUT, foi a saída de Dilma do posto de presidente, "que foi contra o Brasil e os brasileiros", que levou Bolsonaro ao poder. "Desde então, além das crises social, econômica e sanitária, a classe trabalhadora vem sofrendo uma série de ataques contra seus direitos", afirmou.

Atos bolsonaristas

Os atos convocados pelo MBL e pelo Vem Pra Rua, movimentos que tiveram lideranças apoiando Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018, vêm após a realização de manifestações bolsonaristas de raiz golpista e contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

Bolsonaro esteve presente nos dois principais protestos realizados ontem: em Brasília, pela manhã, e em São Paulo, pela tarde. Em ambos, fez discursos pregando ameaças contra o Judiciário, o que, para juristas, configura crime de responsabilidade e pode levar a um impeachment.

Na capital federal, Bolsonaro ameaçou o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, e a própria Corte, afirmando que "ou o chefe desse Poder enquadra os seus ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos", sem dar mais detalhes.

Mais tarde, em discurso para apoiadores em São Paulo, Bolsonaro pregou desobediência a ordens do ministro Alexandre de Moraes, principal alvo dos manifestantes presentes no ato, classificando o magistrado como "canalha".

Moraes é desafeto de Bolsonaro desde o início de 2019, quando foi nomeado relator do inquérito que investiga ataques contra o Supremo e membros da Corte por meio de desinformação, calúnias e ameaças.

No fim de agosto, Bolsonaro chegou a apresentar ao Senado um pedido de impeachment contra Moraes, que foi rejeitado e arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG)

Em 2022, ano de eleição, Moraes deve assumir a presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), hoje ocupada por Luis Roberto Barroso — outro ministro alvo de ataques de Bolsonaro, que se utiliza de inverdades sobre o sistema eleitoral brasileiro para atacar o magistrado.

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