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Diogo Schelp


Diogo Schelp

Ex-advogado de Trump diz que presidente dos EUA é racista e líder de culto

Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump - AFP PHOTO / HECTOR RETAMA
Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump Imagem: AFP PHOTO / HECTOR RETAMA
Diogo Schelp

Diogo Schelp é jornalista com 20 anos de experiência. Foi editor executivo da revista VEJA e redator-chefe da ISTOÉ. Durante 14 anos, dedicou-se principalmente à cobertura e à análise de temas internacionais e de diplomacia. Fez reportagens em quase duas dezenas de países. Entre os assuntos investigados nessas viagens destacam-se o endurecimento do regime de Vladimir Putin, na Rússia, o narcotráfico no México, a violência e a crise econômica na Venezuela, o genocídio em Darfur, no Sudão, o radicalismo islâmico na Tunísia e o conflito árabe-israelense. É coautor dos livros ?Correspondente de Guerra? (Editora Contexto, com André Liohn) e ?No Teto do Mundo? (Editora Leya, com Rodrigo Raineri).

Colunista do UOL

08/09/2020 11h41

A temporada dos livros-escândalo deste ano está rendendo contra o presidente americano Donald Trump. Depois da publicação de The room where it happened ("A sala onde isso aconteceu"), do seu ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, e de Too Much and Never Enough: How My Family Created the World's Most Dangerous Man ("Demais, mas nunca suficiente: como minha família criou o homem mais perigoso do mundo"), de sua sobrinha Mary Trump, vem aí Disloyal ("Desleal"), de Michael Cohen, seu ex-advogado.

O livro de Cohen está com lançamento previsto para este mês, a apenas dois meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, em que Trump tentará conquistar um segundo mandato.

Em entrevista ao canal de TV americano NBC nesta segunda-feira (7), Cohen descreveu Trump como "líder de um culto, do qual eu fazia parte". "Enquanto eu estava no culto, eu me recusava a admitir que as ações que eu desempenhava para o meu chefe eram moralmente erradas", disse Cohen, que foi condenado em 2019 a três anos de prisão por sonegação de impostos e por mentir em depoimento ao congresso americano, no contexto de um escândalo de subornos, durante a campanha das eleições de 2016, a uma modelo e a uma atriz pornô que afirmaram terem feito sexo com Trump dez anos antes.

Segundo as mulheres — com o agora endosso de Cohen, que admite ter feito os pagamentos em nome de Trump —, o então candidato presidencial queria comprar o silêncio delas sobre os relacionamentos extraconjugais (ele é casado com Melania Trump desde 2005) para não prejudicar suas chances nas urnas. Quando o caso veio à tona, em 2018, questionou-se se os pagamentos configurariam doação ilegais de campanha.

Cohen, que chegou a ser vice-presidente da Trump Corporation, afirmou que seu livro trará uma lista de comportamento criminosos liderados por seu ex-chefe. Disse também que ouviu comentários racistas de Trump a respeito do ex-presidente Barack Obama e do falecido líder sul-africano Nelson Mandela.

O ex-advogado de Trump está em prisão domiciliar, devido a uma medida adotada nos Estados Unidos para reduzir o número de detentos nos presídios para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Recentemente, ele voltou à prisão, mas conseguiu novamente ser enviado para casa com o argumento de que seu novo encarceramento visava a prejudicar o lançamento do livro.

Segundo a média de pesquisas de intenção de voto feita pelo site RealClearPolitics, Trump vem reduzindo a vantagem que o candidato democrata Joe Biden tem sobre ele em estados cruciais para uma vitória no colégio eleitoral americano. A diferença, nesses estados, é de 3,1 pontos percentuais a favor de Biden. Na intenção de votos em nível nacional, a vantagem de Biden é de 7,1 pontos percentuais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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