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Bala perdida no RJ: "Ela já se jogou no chão. Dessa vez, não deu tempo"

13.dez.2020 - Eunice Veiga, de 59 anos, morreu ao ser atingida por uma bala perdida quando estava na cozinha de casa, em São Gonçalo (RJ), na região metropolitana do Rio - Arquivo pessoal
13.dez.2020 - Eunice Veiga, de 59 anos, morreu ao ser atingida por uma bala perdida quando estava na cozinha de casa, em São Gonçalo (RJ), na região metropolitana do Rio Imagem: Arquivo pessoal

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

13/12/2020 15h48

A cantora gospel Eunice Veiga, de 59 anos, morreu ao ser atingida por uma bala perdida no pescoço quando estava na cozinha de casa ontem à tarde no bairro Amendoeira, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. De acordo com relato dos parentes, os moradores conviviam com tiroteios, que se intensificaram nas últimas três semanas devido a uma disputa pelo controle do tráfico de drogas entre facções rivais.

O caso ocorreu nove dias após a morte das primas Emily Victória e Rebecca Beatriz, de 4 e 7 anos, baleadas quando brincavam em frente ao portão de casa em uma comunidade de Duque de Caxias (RJ). Em vídeo feito a pedido do UOL, a família das meninas mostrou o local de onde partiram os tiros e acusou a PM, que nega ter atirado.

A minha mãe relatava que esses tiroteios sempre aconteciam. Semana passada, ela conseguiu se jogar no chão. Dessa vez, não deu tempo
Pablo Veiga, filho de Eunice

Eunice estava preparando um café quando foi atingida. A filha dela, que estava no quarto, ouviu o barulho e a socorreu. Ela então foi levada ao Hospital Estadual Alberto Torres, no bairro Colubandê, também em São Gonçalo, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo de Eunice Veiga, que deixou cinco filhos e seis netos, será enterrado no fim da tarde de hoje no Cemitério Parque da Paz, no mesmo município.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) foi ao local onde Eunice foi baleada para identificar a origem do disparo com o auxílio de peritos. Os investigadores agora tentam identificar o autor do tiro. Em nota, a PM disse que foi acionada após a vítima ter sido levada ao hospital.

'Já foi um bairro tranquilo', diz filho

O estudante de Direito Davi Veiga, 26 anos, um dos filhos de Eunice, viu a mãe pela última vez ontem de manhã no portão de casa, horas antes da sua morte. Ele estava na garupa da moto de um amigo e ouviu a recomendação para que ele colocasse o capacete. Em seguida, ela mandou um beijo e disse: "Vai com Deus, meu filho".

Davi, que passou toda a infância na casa onde a mãe foi morta, se queixa da violência causada pela disputa territorial entre facções rivais na região.

Já foi um bairro tranquilo para morar. Mas passou a virar um lugar perigoso nos últimos anos. A gente ouvia tiros. A minha mãe mandava mensagem dizendo que tava tendo tiroteio. Ela ficava preocupada quando a gente estava fora de casa
Davi Veiga, filho de Eunice

Eunice sustentou os filhos com o salário que recebia como merendeira de um colégio municipal de São Gonçalo. Mas teve um problema de saúde e se aposentou há cerca de dez anos. De lá para cá, passou a se dedicar à Igreja Batista Lagoinha, em Niterói, onde era missionária e cantora. Antes de ser baleada, ela se preparava para ir a um evento no local.

"Me sinto impotente. O sentimento é de revolta, mas também de conforto. Entendo que ela foi para os braços de Deus mesmo. Está em um lugar melhor", consola-se Davi.

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