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Segurança pública

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1 mês

Familiares dos mortos no Jacarezinho vão ser ouvidos na Defensoria amanhã

Mãe de Raí Barreiro de Araújo mostra camisa em homenagem ao jovem e seu amigo Pedro Donato de Sant"ana dos Santos - Rai Aquino/Colaboração para o UOL
Mãe de Raí Barreiro de Araújo mostra camisa em homenagem ao jovem e seu amigo Pedro Donato de Sant'ana dos Santos Imagem: Rai Aquino/Colaboração para o UOL

Rai Aquino

Colaboração para o UOL, no Rio

09/05/2021 14h46Atualizada em 09/05/2021 16h14

Os familiares dos 27 mortos na operação que a Polícia Civil do Rio fez no Jacarezinho vão começar a ser ouvidos pela Defensoria Pública estadual a partir de amanhã. A expectativa é que todos eles prestem depoimento ao órgão.

"Todos deixaram contato, os telefones, as informações e pretendem passar na Defensoria para um atendimento", conta o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Álvaro Quintão.

O advogado disse que a OAB-RJ vai acompanhar os depoimentos e que já pediu ao IML (Instituto Médico Legal) e aos hospitais para onde algumas das vítimas foram levadas laudos feitos por eles.

A primeira coisa que a gente está defendendo é que nenhum depoimento seja colhido pela Polícia Civil. Até porque a Polícia Civil, neste caso, é quem pode ser investigada. Levar testemunhas e familiares para serem ouvidos na Polícia Civil não é a forma mais indicada. Estamos defendendo que todos esses depoimentos sejam colhidos pelo Ministério Público.
Álvaro Quintão

Quintão criticou a lentidão da Polícia Civil em repassar informações da operação. A corporação divulgou apenas ontem os nomes de todas as vítimas fatais, dois dias da ação ter terminado.

A OAB-RJ, inclusive, foi quem compilou uma primeira lista com a identificação das vítimas ao procurar as famílias no IML.

"O problema é que eles (a Polícia Civil) tentaram criar uma narrativa desde o início onde todos que morreram eram criminosos, todos estavam em troca de tiros. Eles tentaram fazer essa narrativa para não ter espaço para nenhum tipo de investigação. O que todos querem saber é o que aconteceu, como aconteceu, por que da operação, quem autorizou, por que descumpriram uma decisão do STF", assinalou o advogado.

'Desastre'

Mãe de Jhonatan Araújo da Silva homenageia o filho - Rai Aquino/Colaboração para o UOL - Rai Aquino/Colaboração para o UOL
Mãe de Jhonatan Araújo da Silva homenageia o filho
Imagem: Rai Aquino/Colaboração para o UOL

A Polícia Civil alega que os 27 mortos na operação "são parte de investigações em andamento que comprovam envolvimento atual no crime organizado". A corporação afirma que 25 deles possuem antecedentes criminais, mas não os descrimina.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ questiona essa informação, dizendo que ela não procede. Quintão conta que a polícia tinha 21 mandados de prisão na operação, cumpriu apenas três e que só três dos mortos na ação eram alvos de pedidos de prisão.

O advogado afirma que nenhuma das outras 16 vítimas estava sendo investigada pela Polícia Civil.

Independente de alguma coisa, a polícia está tentando justificar o injustificável. Nada justifica o desastre dessa operação. Admitindo a possibilidade que eles (os mortos) tivessem algum tipo de investigação ou qualquer outra coisa, a polícia não poderia ter agido da forma que agiu. Não é uma discussão de terem ou não terem passagem pela policia, que poderiam ser tratados da maneia como foram
Álvaro Quintão

Aras pede posição do governador

Familiares e amigos se despedem de Jhonatan Araújo da Silva - Rai Aquino/UOL - Rai Aquino/UOL
Familiares e amigos se despedem de Jhonatan Araújo da Silva
Imagem: Rai Aquino/UOL

Uma decisão de junho do ano passado do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), limitou as operações policiais nas comunidades do Rio durante a pandemia do novo coronavírus.

Na sexta-feira (7), Fachin já havia dito que viu fatos "graves" e indícios que poderiam configurar "execução arbitrária" dos policiais no Jacarezinho. O ministro pediu para que o procurador-geral da República, Augusto Aras, abrisse uma investigação sobre o caso.

Após o pedido de Fachin, Aras deu um prazo de cinco dias úteis para que o governador Cláudio Castro (PSC) e outras autoridades do estado esclareçam como a operação se deu.

Defensoria Pública chegou a protocolar no STF,uma petição questionando a legalidade da operação. O órgão pede que o Supremo intime o governador para que ele esclareça as circunstâncias em que a ação aconteceu.

Operação no Jacarezinho (RJ) deixa dezenas de mortos

Investigações

A operação no Jacarezinho aconteceu na quinta-feira (6) e deixou 28 mortos, dentre eles o policial civil André Leonardo Mello Frias, 48.

Familiares e amigos das vítimas denunciam abusos cometidos pelos agentes, que teriam executado várias pessoas.

Por causa da pressão de vários setores da sociedade, há investigações sobre o caso no STF, na PGR (Procuradoria Geral da República), no MPRJ (Ministério Público do Rio) e na própria Polícia Civil.

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