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Eleições Americanas

Conteúdo publicado há
1 mês

Congresso é invadido por ato pró-Trump em sessão que confirmaria Biden

Carolina Marins e Thaís Augusto

Do UOL, em São Paulo

06/01/2021 16h27Atualizada em 06/01/2021 22h35

O Capitólio dos EUA, como é conhecido o Congresso americano, foi invadido por manifestantes apoiadores de Donald Trump durante a sessão que certificaria Joe Biden como presidente. As portas do prédio chegaram a ser trancadas, e um alerta de emergência foi acionado. Uma mulher foi baleada no peito e morreu; outras ficaram feridas. Biden classificou o episódio como um ataque "sem precedentes" à democracia.

O que estamos vendo é um pequeno número de extremistas dedicados à ilegalidade. Isso não é dissidência. É desordem. É caos. É quase uma sedição. E deve acabar agora."
Joe Biden

Incitados pelo presidente Donald Trump, os manifestantes começaram a se reunir em frente ao Capitólio à espera da sessão de oficialização de Biden como novo presidente e de Kamala Harris como vice. A declaração é apenas um evento burocrático no qual Congresso e Senado se reúnem em uma sessão conjunta para ler os votos do Colégio Eleitoral e aceitar objeções.

A sessão foi retomada por volta das 20h locais (22h de Brasília) com um pronunciamento do vice-presidente, Mike Pence: "Aqueles que causaram estragos em nosso Capitólio hoje, vocês não venceram. A violência nunca vence. A liberdade vence. Esta ainda é a casa do povo. Ao nos reunirmos nesta câmara, o mundo testemunhará novamente a resiliência e a força de nossa democracia."

O presidente esperava que seu vice agisse durante a sessão. Ele, porém, prometeu defender a Constituição e não impedir a certificação. Assim, o republicano voltou-se a seus apoiadores e, pelo Twitter, invocou seus seguidores a se rebelarem contra a oficialização.

Toda a sessão teve que ser paralisada por causa de protestos do lado de fora do Capitólio. No momento em que as Casas discutiam uma objeção ao voto do Arizona, os manifestantes invadiram o Congresso, forçando uma evacuação.

Tranque todas as portas, se possível. Se não, procure abrigo ou camuflagem. Fique calmo e aguarde mais instruções. Repito: ameaças à segurança dentro do Capitólio dos Estados Unidos."
Alerta emitido na sala de imprensa do Senado

A polícia chegou a usar armas, bombas de gás e spray de pimenta para conter os manifestantes que invadiram o local. Segundo a emissora americana CNN, diversos policiais ficaram feridos.

Ameaça de bomba

Minutos antes da invasão, dois prédios do Capitólio foram evacuados por uma suposta ameaça de bomba. Informações da Fox News indicam que a polícia encontrou vários pacotes suspeitos em volta do Cannon House Office e da Madison Library of Congress Building, e agiu para esvaziar os prédios e escritórios vizinhos

O vice-presidente Mike Pence, que participava da sessão para certificar Joe Biden, foi evacuado do prédio.

Nas redes sociais, Pence declarou que a violência e a destruição ao Capitólio "devem parar agora".

O ataque ao nosso Capitólio não será tolerado e os envolvidos serão processados em toda a extensão da lei."
Mike Pence, no Twitter

A prefeita de Washington, Muriel Bowser, decretou toque de recolher a partir das 18h (hora local, 20h em Brasília) na cidade, válido até as 18h de amanhã.

Biden: Insurreição

O presidente eleito Joe Biden foi em rede nacional pedir para que Trump se posicionasse sobre o episódio que chamou de "insurreição". "As palavras de um presidente importam, não importa o quão bom ou mau ele seja. Na melhor das hipóteses, as palavras de um presidente podem inspirar. Na pior das hipóteses, eles podem incitar", afirmou.

Apelo ao presidente Trump para ir à televisão nacional agora para cumprir seu juramento e defender a Constituição e exigir o fim deste cerco."
Joe Biden

"A esta hora, nossa democracia está sob ataque sem precedentes. Diferente de tudo que vimos nos tempos modernos. Um ataque à cidadela da liberdade, o próprio Capitólio. Um ataque aos representantes do povo e à polícia do Capitólio, que jurou protegê-los. E os funcionários públicos que trabalham no coração de nossa República."

Deixe-me ser muito claro. As cenas de caos no Capitólio não refletem uma verdadeira América. Não representam quem somos."
Joe Biden

Policiais sacam armas dentro do Capitólio

06 jan. 2021 - Policiais apontam armas para impedir que manifestantes avancem no Congresso dos Estados Unidos - Drew Angerer/Getty Images - Drew Angerer/Getty Images
06 jan. 2021 - Policiais apontam armas para impedir que manifestantes avancem no Congresso dos Estados Unidos
Imagem: Drew Angerer/Getty Images

Depois que manifestantes pró-Trump invadiram o Congresso americano, policiais se posicionaram perto da entrada da Câmara, apontando armas em direção à porta.

Imagens da cena mostram que uma escrivaninha foi pressionada contra a porta para impedir a entrada de manifestantes.

Bombas de gás também foram atiradas por policiais para dispersar a multidão que invadiu o Congresso.

Mais cedo, em discurso em frente à Casa Branca, o presidente Donald Trump pediu a seus seguidores que se manifestassem contra a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 3 de novembro.

Com a invasão ao Congresso e o confronto com a polícia, Trump escreveu nas redes sociais que apoiadores não deveriam confrontar autoridades.

Por favor, apoiem nossa polícia. Eles estão verdadeiramente do lado do nosso país."
Donald Trump, no Twitter

O filho do presidente, Donald Trump Jr., também usou as redes sociais para pedir protestos "pacíficos". "Use seus direitos da 1ª Emenda, mas não comece a agir como o outro lado. Temos um país a salvar e isso não ajuda ninguém", escreveu.

Marcha de Trump a apoiadores

6.jan.2021 - O presidente Donald Trump discursa para apoiadores em frente à Casa Branca  - TASOS KATOPODIS/AFP - TASOS KATOPODIS/AFP
6.jan.2020 - O presidente Donald Trump discursa para apoiadores em frente à Casa Branca
Imagem: TASOS KATOPODIS/AFP

Desde 7 de novembro, quando Biden foi projetado o novo presidente do país, Trump rejeita o resultado e utilizou de todos os recursos legais para reverter o resultado. Levou a eleição para a Justiça mais de 60 vezes, acusando a existência de fraude. Perdeu em todas.

A Geórgia, antigo reduto republicano, se tornou o campo de batalha mais dramático das eleições. Dois meses depois do pleito, a imprensa americana revelou que Trump tentou ligar ao menos 18 vezes para o secretário de estado da Geórgia na intenção de pressionar a "encontrar votos".

Sua última tentativa de reverter a sua derrota era hoje, durante a sessão conjunta. Ele esperava que seu vice contestasse o resultado e até chegou a escrever nas redes sociais que ele poderia fazê-lo. A Constituição americana, no entanto, não permite esse movimento e a presença de Pence na sessão é apenas protocolar.

Pence, porém, não seguiu as vontades do presidente e respeitou a Constituição americana, o que provou a fúria de Trump.

Ele se reuniu hoje com apoiadores negando a derrota nas eleições americanas e afirmando que a luta para questionar o resultado eleitoral está só começando, apesar de sua candidatura já ter sofrido derrotas em todos os estados que deram a vitória a Biden.

"Hoje não é o fim, é apenas o começo...nossa luta contra os grandes donos, a grande mídia, está apenas começando. Precisamos parar o roubo, e nunca mais permitir que aconteça", disse.

A marcha do presidente Trump reuniu centenas de apoiadores, que começaram a se encontrar ontem em Washington. Os manifestantes dizem estar respondendo ao apelo de Trump para se concentrarem na capital do país.

Golpe

Diversos parlamentares republicanos pediram pelas redes sociais que Trump dissesse para seus manifestantes pararem. Alguns deles chamaram a movimentação de golpe. Segundo a imprensa local, assessores também tentaram fazer com que o presidente se pronunciasse.

"Quando você não conta a verdade às pessoas, acaba fazendo com que as pessoas acreditem nas conspirações e nas provas falsas, e você tem tempestades no Capitólio como a de hoje. Isso é absolutamente, totalmente desprezível, e cada líder republicano que grite isso com força tem que ser responsabilizado ", disse Adam Kinzinger em entrevista à CNN americana.

Em qualquer lugar do mundo, chamaríamos isso de tentativa de golpe. Acho que é isso."
Adam Kinzinger na CNN

O ex-chefe de polícia da capital Washington também endossou a narrativa de golpe. "Ele [Trump] os incitou e pôs tudo em movimento. Isso é o mais próximo de uma tentativa de golpe que este país já viu. É para isso que vocês estão olhando, pessoal, é isso que vocês estão olhando e é absolutamente ridículo, absolutamente ridículo, e muitas pessoas são responsáveis".

Até mesmo o republicano Ted Cruz, do Texas, pediu que os manifestantes "parassem AGORA". Cruz é apoiador de Trump e foi um dos senadores que prometeu fazer objeções na sessão conjunta de hoje.

"Aqueles que estão atacando o Capitol precisam parar AGORA. A Constituição protege o protesto pacífico, mas a violência - da esquerda ou da direita - é SEMPRE errada. E aqueles que estão envolvidos na violência estão prejudicando a causa que dizem apoiar."

Outro apoiador de Trump, o veterano Mike Gallagher, também apelou ao presidente: Não vi nada parecido desde que fui para o Iraque em 2007 e 2008", disse à CNN. "O presidente precisa cancelar... Cancelar. Acabou. A eleição acabou. E os opositores precisam parar de se intrometer com as forças primordiais de nossa democracia aqui".

No fim da tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca informou que, a pedido de Trump, a Guarda Nacional foi chamada para responder aos protestos.

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