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Macron lamenta rejeição do Brasil à ajuda do G7 para Amazônia

Presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado do presidente brasileiro Jair Bolsonaro durante cúpula do G20 - Jacques Witt/Pool/AFP
Presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado do presidente brasileiro Jair Bolsonaro durante cúpula do G20 Imagem: Jacques Witt/Pool/AFP

Carolina Marins

Do UOL*, em São Paulo

27/08/2019 10h07

O presidente da França, Emmanuel Macron, lamentou hoje a decisão do Brasil em rejeitar a ajuda de R$83 milhões oferecida pelos países do G7 para combater o fogo na Amazônia. Bolsonaro, por outro lado, recuou e disse hoje de manhã que pode reconsiderar a decisão se o presidente francês retirar os "insultos".

Segundo Macron, a ajuda é um sinal de amizade e não de agressividade. Ele disse que o montante não seria direcionado apenas ao Brasil, mas a todos os nove países amazônicos, como Peru e Bolívia. Ele reiterou que a França também se considera um país amazônico, já que a Guiana é parte de seu território.

O francês colocou o tema das queimadas na Amazônia na agenda da reunião do G7, que reuniu de sábado até ontem as sete maiores economias do mundo. Ontem, a cúpula anunciou uma ajuda emergencial de 20 milhões de dólares (aproximadamente R$ 83 milhões) para combater o fogo.

Apesar de ministros como Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, terem dito que a ajuda era "bem-vinda", hoje o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni informou ao G1 que o governo iria rejeitar a ajuda.

"Agradecemos, mas talvez esses recursos sejam mais relevantes para reflorestar a Europa. O Macron não consegue sequer evitar um previsível incêndio em uma igreja que é um patrimônio da humanidade [em referência à Notre Dame de Paris] e quer ensinar o quê para nosso país? Ele tem muito o que cuidar em casa e nas colônias francesas", disse o ministro ao portal.

Macron respondeu ao ministro dizendo que esta interpretação é um erro. "Nós aceitaríamos com alegria a solidariedade internacional, é um sinal de amizade", disse.

Ele criticou a "torpeza de alguns governantes" para socorrer a Amazônia. "Sobre essa questão, notei as inquietações, sem dúvida as torpezas, de alguns governantes que consideram que, no fundo, a soberania é agressividade", afirmou, sem citar nenhum nome.

Hoje, no entanto, Bolsonaro recuou e disse que pode reconsiderar a decisão se Macron lhe pedir desculpas.

"Primeiramente, o seu Macron tem que retirar os insultos que fez a minha pessoa. Ele me chamou de mentiroso. E, depois, informaram, que a nossa soberania está em aberto na Amazônia. Para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, ele vai ter que retirar essas palavras e daí a gente pode conversar", declarou Bolsonaro em frente ao Palácio da Alavorada. "Primeiro, ele retira. Depois, oferece ajuda. Daí eu respondo".

Bolsonaro questionou até mesmo anúncio oficial feito pelo Palácio do Planalto com a recusa dos recursos do G-7 pelo Brasil. "Eu falei isso? Eu falei? O presidente Bolsonaro falou?", reagiu. Indagado se ainda cogita receber a quantia, ele falou que a imprensa "vai ter uma surpresa hoje" na reunião que ele fará com governadores da região amazônica, no Palácio do Planalto, às 10h. "Tudo tem um preço. Eu disse há poucas semanas que estavam comprando à prestação a Amazônia. Vocês vão ter a resposta."

*Com Estadão Conteúdo e EFE

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