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"Meu filho é um Cristo", diz pai de Carlinhos Cachoeira antes de audiências em Goiânia

Lourdes Souza e Rafhael Borges

Do UOL, em Goiânia

2012-07-24T09:56:58

2012-07-24T11:09:38

24/07/2012 09h56Atualizada em 24/07/2012 11h09

A família de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira, defende a inocência do bicheiro antes do início das audiências no Tribunal da Justiça Federal, em Goiânia, nesta terça-feira (24). Na chegada ao prédio da Justiça Federal em Goiânia, o pai de Carlos Cachoeira, Sebastião Almeida Ramos, conhecido como "Tião Cachoeira", 82, afirmou que a investigação da Operação Monte Carlo teria sido encomendada pelos réus do mensalão, entre eles o ex-ministro José Dirceu e Delúbio Soares.

"Meu filho é um Cristo, ele está passando por um massacre e seria um bode expiatório do sistema." Ao afirmar que tem certeza sobre a inocência do filho, ele disse que é a pessoa que mais o conhece. "Sei da sua inocência porque fui eu quem deu tudo pra ele."

Tião Cachoeira passou mal e chegou a deixar o prédio do Tribunal da Justiça Federal. Acompanhado de uma filha, ele saiu sem falar com a imprensa. Ele teria sentido falta de ar, mas depois de alguns minutos retornou para assistir às audiências. 

A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, disse que o marido está sendo injustiçado. Para ela, a prisão tem cunho político e provocou a debilidade da saúde do marido, que estaria deprimido. Ela vai acompanhar os depoimentos ao lado de duas irmãs de Cachoeira.

Carlos Cachoeira chegou ao prédio do Tribunal da Justiça Federal às 8h25, escoltado por três carros da Polícia Federal. As audiências foram abertas por volta das 9 horas, com os pedidos dos advogados.

O primeiro a prestar depoimento está sendo Fábio Alvarez Cho, agente da Polícia Federal que coordenou as escutas. O advogado de defesa Ney Moura Teles se opôs a qualquer tipo de imagem porque, segundo ele, os réus foram desrespeitados em um prédio público onde não estão por livre vontade.

Moura disse ainda que a imprensa já julgou sumariamente os réus. “A Justiça Federal não pode compactuar com o julgamento que eles (jornalistas) fazem.”

Desmembramento

Os advogados que defendem os acusados, incluindo Geovani, foragido, pediram para rever o desmembramento do processo para não causar prejuízo aos demais réus. Idalberto, José Olímpio e Lenine não teriam sido intimados, conforme os advogados. Por isso pediram o adiamento.

Representantes do Ministério Público Federal (MPF) se manifestaram pela continuação do processo da forma como está. O juiz federal Alderico Rocha Santos negou pedido de adiamento da audiência sob o fundamento da falta de intimação dos co-réus.

O magistrado também indeferiu o pedido de Lenine tendo em vista que já havia impetrado habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A advogada de Carlos Cachoeira, Dora Cavalcanti, pediu a suspensão da audiência até que todos os documentos estejam no processo. A defesa discorda quanto ao mecanismo da senha genérica, que não teria sido juntada ao processo.

Segundo ela, essa senha mostra quem são os reais assinantes das linhas telefônicas. O MPF entende que em alegações finais poderão ser levantadas todas estas questões e também com a oitiva das testemunhas. Por isso, não haveria motivo para adiamento da audiência pelos argumentos apresentados.

Acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e outros delitos pela investigação da Operação Monte Carlo, os réus foram investigados pela Polícia Federal, na Operação Monte Carlo. Hoje (terça 24), 14 testemunhas devem prestar depoimentos, sendo quatro de acusação e dez de defesa.

Amanhã (quarta 25), a expectativa gira em torno dos interrogatórios do bicheiro, Gleyb Ferreira da Cruz, Idalberto Matias de Araujo (o Dadá), José Olímpio de Queiroga Neto, Lenine Araújo de Souza, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e Wladimir Garcez. Geovani Pereira da Silva também é réu no processo, mas está foragido.

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