Não retorno com rancor nem com ódio, diz Aécio no Senado

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

No primeiro dia após retornar ao exercício do mandato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quarta-feira (18) que usará o cargo para provar sua inocência e disse ter sido vítima de uma "armação" feita pelos delatores da JBS.

"No exercício desse mandato irei trabalhar a cada dia e a cada instante para provar a minha inocência", afirmou Aécio.
 
O Senado decidiu ontem, por 44 votos a 26, revogar a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que tinha afastado o senador de seu mandato em setembro.
 
"Sou vítima de uma ardilosa armação, perpetrada por inescrupulosos empresários que enriqueceram às custas do dinheiro público, e não tiveram qualquer constrangimento em acusar pessoas de bem, na busca dos benefícios de uma inaceitável delação, ora suspensa em razão de parte da verdade estar vindo à tona", afirmou o senador sobre os empresários da JBS.
 
"Fui sim alvo dos mais vis e graves ataques nos últimos dias, mas não retorno a essa Casa [o Senado] com rancor ou ódio. Venho acompanhado da serenidade dos homens de bem", disse Aécio.
Mateus Bonomi/Folhapress
"No exercício desse mandato irei trabalhar a cada dia para provar a minha inocência", afirmou Aécio ao voltar

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O pronunciamento do senador no plenário durou cerca de cinco minutos.


Aécio também atacou a gestão do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que foi responsável por negociar a delação da JBS e pela apresentação da denúncia contra o senador.


"Mas o que é mais grave, corroboraram, contribuíram para essa trama ardilosa homens de Estado, notadamente alguns que tinham assento até muito pouco tempo, na Procuradoria-Geral da República", disse.


"Novos depoimentos, delações, gravações que haviam sido omitidas, vão dando contorno claro às razões que levaram àquela construção, repito, criminosa, da qual fui vítima", afirmou o senador tucano.

Aécio foi cumprimentado por aliados ao chegar no Senado. Depois do breve discurso, o senador permaneceu no plenário, conversou com senadores e falou ao telefone.


Durante o pronunciamento de Aécio, que falou de um microfone no centro do plenário, nenhum colega se posicionou ao seu lado.


Apoio tucano diminui


Apesar de a bancada do PSDB no Senado ter votado para revogar a decisão do STF que afastou Aécio do mandato, tucanos dão sinais de que o apoio ao senador mineiro pode estar enfraquecido.


Nesta quarta-feira (18), o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que Aécio não tem condições de permanecer na presidência do partido, mesmo licenciado do cargo.


Aécio está fora do comando da legenda desde que foi envolvido na delação da JBS. O senador foi denunciado por suspeitas dos crimes de corrupção e obstrução de justiça. Ele nega ter praticado os crimes.


"Acho que ele não tem condições, dentro da circunstância que está, de ficar como presidente do partido. E nós precisamos ter uma solução definitiva e não provisória", disse Jereissati


O vice-presidente do Senado e colega de partido, Cássio Cunha Lima (PB), afirmou, também nesta quarta-feira, que há um "sentimento" no PSDB para que o senador Aécio deixe a presidência do partido.


"É um ato unilateral. Mas existe um sentimento no partido de que ele deve formalizar a saída. Isso é inegável. Acho que a manifestação pública que eu fiz e que o senador Tasso fez vai ter algum efeito na reflexão de Aécio Neves, mas isso não retira o caráter unilateral da decisão", afirmou o senador. 


Entenda o caso

24 de março

18 de maio

1º de junho

30 de junho

26 de setembro

28 setembro

3 de outubro

  • Senadores preparam-se para votar o afastamento de Aécio. Um ofício fica pronto antes mesmo da votação, conforme documentos obtidos pelo UOL. No fim do dia, porém, o Senado desiste de votar aguardando uma solução pelo Supremo Tribunal Federal.

11 de outubro

17 de outubro

  • O Senado mantém mandato de Aécio Neves.

'Tem que ser um que a gente mata antes de delatar', diz Aécio sobre quem pegaria dinheiro da JBS

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