Sem discutir candidatura, Executiva do PT se reúne para definir ação pró-Lula

Bernardo Barbosa e Nathan Lopes

Do UOL, em Curitiba

  • Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo

    Cantora Ana Cañas se apresenta para militantes no acampamento do PT nos arredores da Policia Federal em Curitiba, onde Lula cumpre pena

    Cantora Ana Cañas se apresenta para militantes no acampamento do PT nos arredores da Policia Federal em Curitiba, onde Lula cumpre pena

A Executiva Nacional do PT marcou uma reunião extraordinária para a tarde desta segunda-feira (9) em Curitiba para definir ações políticas e jurídicas a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em conjunto com movimentos sociais.

Apesar de Lula estar preso desde sábado (7) e em tese inelegível, sua candidatura presidencial não deverá ser reavaliada no encontro, mas sim reafirmada.

A reunião foi marcada após o ex-presidente se entregar à Polícia Federal, no final da noite de sábado, para começar a cumprir sua pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex, da Operação Lava Jato.

Apesar de setores do partido desejarem o debate, a viabilidade da candidatura de Lula não é algo a ser discutido, segundo fontes ouvidas pelo UOL.

O partido, por decisão da Executiva Nacional, manterá a ideia de registrar a candidatura de Lula ao Planalto em 15 de agosto, mesmo que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) venha a julgar o ex-presidente inelegível por ter sido condenado em segunda instância. 

"Essa é a razão da prisão: ele ser um forte candidato. Sem dúvida nenhuma, nós reafirmaremos a defesa dele", disse o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), membro da Executiva Nacional.

Theo Marques/UOL
Lula chega à sede da PF, onde cumpre pena

Antes de Lula se entregar à Polícia Federal, o ex-ministro Alexandre Padilha, um dos vice-presidentes do partido, disse à BBC que o ex-presidente será registrado. "Não será o PT que vai retirar Lula das eleições", afirmou.

Caravanas e STF

Outro tema na pauta do PT é a elaboração de uma agenda de mobilização pelo Brasil, inclusive com a possibilidade de convocação de caravanas como as lideradas pelo ex-presidente desde o ano passado.

"Queremos a mais ampla que se possa fazer no Brasil pela democracia, pela liberdade do Lula", disse Teixeira.

O encontro servirá também para transferir, simbolicamente, a sede do partido de São Paulo para Curitiba, como forma de tornar a cidade o centro da atuação política em defesa de Lula enquanto ele estiver detido.

Desde a noite de sábado, apoiadores de Lula estão reunidos em uma rua a pouco mais de 100 metros do prédio onde o ex-presidente está preso, a sede da PF em Curitiba --a Polícia Militar isolou o edifício devido a uma ordem judicial.

Na noite de domingo (8), o grupo já somava entre 700 e 1.000 pessoas, segundo estimativas informais feitas por policiais militares que faziam patrulhamento na região. Não há um balanço oficial da PM.

Segundo o secretário nacional de movimentos populares do PT, Ivan Alex Lima, a "vigília cívica pela soltura de Lula" só termina quando o ex-presidente deixar a prisão. "Até ele sair", afirmou.

Na frente jurídica, o debate deverá ser em torno da discussão, no STF (Supremo Tribunal Federal), sobre a prisão após condenação em segunda instância como tese, e não apenas a respeito de um caso específico, como foi o julgamento do habeas corpus do ex-presidente na semana passada. Na quarta-feira (11), o ministro do STF Marco Aurélio Mello deverá colocar o tema em discussão.

"Na minha opinião, o tema no STF interessa à maioria da sociedade. Então, acho que o PT deve fazer um movimento com todo mundo em torno dessa questão", avalia Teixeira.

"Nós achamos que a prisão tem que ser revertida rapidamente. Temos a esperança que o Supremo, não só em nome do Lula, mas em respeito à Constituição, possa fazer essa reversão."

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