PUBLICIDADE
Topo

Política

Lorenzoni indica primeiros nomes da equipe de transição de Bolsonaro; prioridade é economia

31.out.2018 - Onyx Lorenzoni (d), futuro ministro-chefe da Casa Civil, entrega ao atual detentor do cargo, Eliseu Padilha, lista de nomes que vão compor a equipe de transição do governo Bolsonaro - EVARISTO SA / AFP
31.out.2018 - Onyx Lorenzoni (d), futuro ministro-chefe da Casa Civil, entrega ao atual detentor do cargo, Eliseu Padilha, lista de nomes que vão compor a equipe de transição do governo Bolsonaro Imagem: EVARISTO SA / AFP

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

31/10/2018 17h58

O futuro ministro-chefe da Casa Civil do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), entregou nesta quarta-feira (31) uma lista com os primeiros 22 indicados a comporem a transição entre os governos em reunião com o atual titular da pasta, Eliseu Padilha. Este foi o primeiro encontro entre os dois, que aconteceu no Palácio do Planalto, em Brasília. O futuro ministro da Defesa, general da reserva do Exército Augusto Heleno, também esteve presente.

"Há uma primeira lista de 22 nomes que foram apresentados hoje. Eles estão mais concentrados na área econômica por conta, evidentemente, das informações que a equipe do [futuro] Ministério da Economia, liderados pelo economista Paulo Guedes, deve receber para poder fazer a preparação do próximo governo", informou Lorenzoni. Ao todo, são 50 cargos disponíveis para a equipe de transição, mas Bolsonaro não é obrigado a preencher todos.

"Outra área muito sensível é de infraestrutura, onde já tivemos avanços e precisamos ainda avançar mais. Então, são as duas áreas que concentram o maior número de técnicos”, completou.

Leia também:

Os nomes entregues não foram oficialmente divulgados. Agora, cada um passará por uma triagem de antecedentes jurídicos antes de ser oficializado por meio de publicação no Diário Oficial da União.

Técnicos de subchefias da Casa Civil também estiveram na reunião, como do setor de Assuntos Jurídicos, Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais, Articulação e Monitoramento, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e Assessoria Especial.

Segundo Lorenzoni, os próximos nomes a compor a equipe de transição serão divulgados assim que os próximos ministros forem anunciados. Ele confirmou que Bolsonaro visitará o presidente Michel Temer e chefes dos outros Poderes em Brasília na próxima semana – a previsão é de que seja na terça (6).

“A primeira palavra é de muita tranquilidade, de absoluta harmonia e nós todos temos um único objetivo: servir ao Brasil e fazer a melhor transição possível. É poder instalar a partir de 1º de janeiro um governo que tem um binômio muito importante que é o da eficiência e oportunidade”, disse.

Lorenzoni afirmou que o período é de “falar pouco, trabalhar muito”. Ele se retirou da coletiva antes que todas as perguntas estivessem respondidas.

Eliseu Padilha disse que a atual administração recebeu a primeira lista com “grande alegria e satisfação” por quererem fazer uma transição “na mais absoluta tranquilidade, dando ao próximo presidente e a sua equipe condições, as melhores possíveis, para conhecer como está o governo, para onde estamos caminhando, tudo aquilo que estamos fazendo e o que projetamos ainda fazer”.

Estrutura

A equipe do presidente eleito terá à disposição 22 gabinetes para abrigar até 78 pessoas no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) em Brasília. Os gabinetes ocuparão todo o primeiro andar da ala norte do espaço, que foi equipado com móveis, computadores e máquinas. Outra ala abrigará um auditório para entrevistas e uma sala de reuniões com capacidade para 45 lugares. A segurança do local será reforçada com a Polícia Federal e outros destacamentos de responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional.

Os nomeados terão de ser exonerados em até 10 dias após a posse de Bolsonaro na Presidência, em 1º de janeiro de 2019. Eles terão direito a salário, sem acumulação de honorários especiais, e a auxílio-moradia.

Deslocamentos em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), ao menos para Jair Bolsonaro, serão autorizados pelo presidente Michel Temer assim que solicitados, disse Padilha. A residência oficial da Granja do Torto, no Distrito Federal, será oferecida ao presidente eleito para o período da transição.

A princípio, o CCBB permanecerá aberto a visitantes, mas a circulação na área está limitada por um dos portões fechado e por grades com o brasão da Presidência.

Redução de ministérios

Bolsonaro tomará posse em 1º de janeiro de 2019. A vontade do núcleo do presidente eleito é diminuir o número de ministérios dos 29 atuais para cerca de 16. A quantidade exata, porém, ainda não foi definida. Nesta quarta, pelo Twitter, Bolsonaro confirmou o astronauta Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia.

Logo depois, pela rede, afirmou que os ministérios “não serão compostos por condenados por corrupção, como foram nos últimos governos”. “Anunciarei os nomes oficialmente em minhas redes. Qualquer informação além é mera especulação maldosa e sem credibilidade”, escreveu.

Mais cedo, Lorenzoni compareceu a uma reunião privada da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e se encontrou com o general Augusto Heleno. Eles conversaram sobre os nomes para a transição e o general lhe entregou uma lista com oito indicados, não necessariamente militares ou direcionados somente para a Defesa, informou.

Governo Temer ainda não retomará Previdência

Pela manhã, o atual presidente da República, Michel Temer (MDB), se reuniu com o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), no Palácio do Planalto. Segundo Marun, não houve orientação para que a equipe volte a tocar a tramitação da reforma da Previdência na Câmara, onde está pronta para votação.

“A aprovação não é fácil, sabemos disso. Por enquanto, não há nenhuma solicitação nesse sentido. Estamos aguardando o posicionamento do presidente eleito. Pelo que vi, há discordâncias dentro da própria equipe dele, então temos de esperar. Talvez seja melhor deixar para o ano que vem mesmo”, disse.

Política