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Alvo da PF, militar reformado que planeja ato bolsonarista diz estar triste

Militar reformado da Marinha Winston Lima, ativista e blogueiro bolsonarista - Reprodução Twitter
Militar reformado da Marinha Winston Lima, ativista e blogueiro bolsonarista Imagem: Reprodução Twitter

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

27/05/2020 17h18Atualizada em 27/05/2020 17h18

Entre os alvos da operação da PF (Polícia Federal) que investiga uma rede de fake news está o militar reformado da Marinha Winston Rodrigues Lima que organiza atos bolsonaristas. Agentes da polícia cumpriram hoje busca e apreensão em seu endereço.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a apreensão de computadores, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos, "bem como de quaisquer outros materiais relacionados à disseminação das aludidas mensagens ofensivas e ameaçadora" de Lima e outros 28 nomes ligados à investigação.

Entre outros alvos da PF estão o ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), a ativista Sara Winter, o empresário Luciano Hang e o blogueiro Allan dos Santos.

Winston é ativista e transmite as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na portaria do Palácio da Alvorada em seu canal no YouTube.

Segundo documentos do Governo do Distrito Federal, obtidos pelo UOL, Winston foi um dos organizadores do ato de apoio a Bolsonaro de 3 de maio.

Durante a manifestação, que teve presença do presidente, foram feitos pedidos antidemocráticos como o fechamento do Congresso e do STF. Winston diz que não defende o fechamento do Congresso e STF.

A operação de hoje não investiga a organização de atos antidemocráticos. Os atos que rotineiramente acontecem em Brasília, aos domingos, estão em outro inquérito sob responsabilidade de delegados da PF.

Em perfil no Twitter, o militar reformado disse que não foi informado das razões da operação.

Militar diz "estar triste"

Ao UOL o militar da reserva disse que foi surpreendido e está triste com a operação. Ele afirmou que aguarda para prestar depoimento à Polícia Federal. Ele disse que é contrário às fakenews e defende que as redes sociais sejam um contraponto à grande mídia e corretas com a verdade.

"Sinceramente pensava que isso não ia acontecer comigo. Tudo que eu falo é dentro da democracia. Nunca acusei nenhum poder de nada, nunca falei mal contra os poderes. Isso nunca aconteceu"

Ele negou que financie uma rede de fake News e que não tem empresas em seu nome.

"Quem for ver [minhas contas] vai ficar com pena de mim. Vai ver o monte de conta que eu tenho e que tenho meu saldo quase negativo. Tudo contadinho, como todo brasileiro de bem. A gente não tem nenhuma conta abastada, pelo contrário. Eu estou perplexo, não sou empresário. Isso sim é fake news. Falar que eu sou empresário e falar que estaria financiando. Não financiei nada, tudo que é feito é por vaquinha", disse.

Sobre os atos que apresentam faixas e pedidos antidemocráticos, Lima disse que não apoia essas manifestações e quando via faixas pediam para ser retiradas.

"Estou tranquilo porque sempre defendi a democracia. A gente é legalista, democrata, pela liberdade. Inclusive a liberdade de expressão", afirmou.

"É triste acordar com a Polícia Federal na sua casa, com as coisas todas em dia. Trabalhando pelo nosso país, preocupado pelo nosso presidente que tem sido muito atacado", completou.

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