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Apoiadores de Bolsonaro usam desinformação para atacar vacinação infantil

13.jan.2021 - Crianças de 5 a 11 anos serão vacinadas contra a covid-19 - Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo
13.jan.2021 - Crianças de 5 a 11 anos serão vacinadas contra a covid-19 Imagem: Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

Rayanne Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

14/01/2022 04h00Atualizada em 14/01/2022 09h17

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) estão em campanha nas redes sociais para desincentivar a vacinação infantil contra a covid-19. Os ataques, que em vários casos usam desinformação, se intensificaram desde que o Ministério da Saúde incluiu as crianças de 5 a 11 anos na campanha de imunização, na semana passada. As primeiras doses devem ser entregues pelo governo federal aos estados hoje (14).

As manifestações de aliados do governo seguem o tom dado por Bolsonaro, que vem atacando publicamente a vacinação infantil contra a covid. O presidente fez ameaças contra integrantes da Anvisa responsáveis por aprovar a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças, insinuou sem provas que haveria "interesses" ocultos ligados à liberação e afirmou que não irá vacinar a filha de 11 anos.

A Anvisa autorizou a vacinação infantil contra a covid seguindo evidências científicas que mostram a segurança e eficácia dos imunizantes, avaliando que os benefícios superam os riscos. A imunização de crianças contra a covid está em curso nos EUA e em países da Europa desde dezembro. As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Infectologia (SBI) se manifestaram publicamente a favor da vacinação de crianças entre 5 e 11 anos.

Ataques de parlamentares e pastor

Na última semana, parlamentares que apoiam o governo Bolsonaro vêm usando suas redes sociais para atacar a imunização infantil contra a covid-19.

Deputados federais como Bia Kicis (PSL-DF), Chris Tonietto (PSL-RJ), Daniel Silveira (PTB-RJ), Diego Garcia (Pode-PR) e Márcio Labre (PSL-RJ) replicaram a alegação falsa de que a vacina da Pfizer está em fase "experimental", o que foi desmentido pela Anvisa em nota enviada para recente checagem feita pelo UOL Confere.

Outros parlamentares se manifestaram de forma similar ainda em dezembro, dias depois de a Anvisa autorizar a vacinação infantil. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, reproduziu texto que tratava a vacinação como "experimento científico". Carlos Jordy (PSL-RJ) afirmou que crianças seriam "cobaias".

Na segunda (10), o pastor Silas Malafaia, apoiador de Bolsonaro, classificou a aplicação das vacinas como um "infanticídio" em um vídeo compartilhado nas redes sociais. As afirmações falsas ditas por ele foram replicadas tanto em grupos de apoiadores do presidente quanto por grupos da instituição religiosa que ele dirige.

A gravação foi derrubada do Twitter e do YouTube por violar as regras das plataformas. O YouTube disse não permitir "conteúdo com alegações de que as vacinas causam efeitos colaterais crônicos além das reações adversas raras que são reconhecidas pelas autoridades de saúde".

Médicos divulgam desinformação no Telegram

Desde 16 de dezembro, data em que a Anvisa liberou a vacinação para crianças, grupos de apoio ao presidente e contrários à medida passaram a compartilhar, em redes sociais e aplicativos de mensagem, informações falsas sobre riscos associados à imunização, além de resgatarem casos comprovadamente infundados sobre mortes associadas às vacinas.

Naquele dia, integrantes de um grupo que reúne médicos e apoiadores de Jair Bolsonaro no Telegram passaram a falar de suspeitas de miocardite relacionada à vacina sem esclarecer que se trata de uma reação adversa rara. Mais de 29 mil pessoas foram alcançadas por essa única mensagem com conteúdo antivacina.

Os ataques foram reforçados entre 23 de dezembro e 2 de janeiro, quando a Secovid (Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19), ligada ao Ministério da Saúde, realizou uma consulta pública sobre a imunização infantil contra a covid e definir se deveria ser adotada a prescrição médica. Em paralelo à consulta, mais de 63 mil pessoas visualizaram uma mensagem intitulada "Meu filho não é cobaia da indústria farmacêutica".

No dia 5, quando o Ministério da Saúde incluiu as crianças de 5 a 11 anos na campanha de vacinação contra a covid, novas mensagens com conteúdo falso ou enganoso passaram a circular nas redes. No Telegram, mensagens vistas cerca de 100 mil vezes mentiam ao afirmar genericamente que vacinas causam doenças neurodegenerativas e miocardite.

Onda de desinformação

A aprovação da imunização de crianças contra a covid tem sido acompanhada por uma onda de desinformação sobre vacinas.

Desde 16 de dezembro, quando a Anvisa autorizou a vacinação da faixa etária entre 5 e 11 anos, o UOL Confere e o Projeto Comprova, do qual o UOL faz parte, publicaram 14 checagens sobre vacinas.

Em uma delas, o Projeto Comprova rebateu boatos sobre casos de miocardite em crianças associados à vacina, um efeito adverso bastante raro. A investigação mostrou que a proteção oferecida pela vacina supera o risco de miocardite.

O UOL Confere, por sua vez, publicou checagens esclarecendo associações insustentáveis feitas entre casos de mal súbito ou mortes que foram associados a vacinas.

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