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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta quarta-feira (20)

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 13h01Atualizada em 20/05/2020 19h08

Pela primeira vez, mais de mil mortes em um dia pelo coronavírus. A marca anunciada ontem pelo Ministério da Saúde representa que a pasta foi informada oficialmente, nas 24 horas anteriores, que 1.179 óbitos foram registrados. Não quer dizer, necessariamente, que mais de mil pessoas morreram de segunda para terça-feira, mas, em um país em que a subnotificação de casos e mortes é grande - e que estes 1.179 podem ser muito mais -, representa um marco simbólico da gravidade da covid-19.

É com este cenário que o Brasil foi dormir, ontem, com uma piada do presidente Jair Bolsonaro de que "a direita toma cloroquina e a esquerda, tubaína" e acordou, hoje, com um novo protocolo do governo federal para uso deste medicamento, ainda que diversos estudos não tragam comprovação de sua eficácia e ainda alertem contra os riscos de efeitos colaterais graves que podem levar à morte.

Depois do anúncio do protocolo, a OMS reiterou que não há provas da eficácia do medicamento, hoje, em coletiva de imprensa.

A quarta-feira ainda traz notícias como os sinais de que novas ondas de contágio podem mostrar que o coronavírus pode estar em mutação e o superferiado em São Paulo, com a antecipação de datas comemorativas que tentam parar por quase uma semana a maior cidade do país, epicentro da epidemia.

Quase 20 mil casos em 24 horas

Já na noite de hoje, o Ministério da Saúde divulgou a maior quantidade de diagnósticos entre um dia e outro desde o início da pandemia: 19.951 casos confirmados, totalizando 291.579 infectados no país.

A pasta também divulgou a confirmação de 888 óbitos pela doença entre ontem e hoje. Com isso, chega a 18.859 o número de mortes pelo novo coronavírus.

Ainda segundo o ministério, 3.483 óbitos suspeitos ainda estão em investigação e 156.037 casos seguem em acompanhamento. Cerca de 116.683 pacientes já se recuperaram da doença.

Presidente faz piada, mas há muito por trás dos números

Mesmo já sendo esta uma tragédia de certa forma anunciada, o Ministério da Saúde ignorou o número de mortes na entrevista coletiva realizada diariamente para debater o combate à pandemia. Em vez disso, focou nos temas da doação do leite materno e do atendimento remoto a profissionais da saúde e não contou com a presença do ministro interino. Ainda sem mencionar a marca de óbitos, a pasta divulgou à imprensa números de recuperados.

Ontem à noite, após o anúncio das mais de mil mortes, o presidente Jair Bolsonaro fez piada sobre o uso da cloroquina, e não comentou o número de óbitos nem prestou solidariedade às famílias de milhares de vítimas pelo país.

Hoje cedo, apenas 12 horas depois, ele escreveu em suas redes sociais lamentando as mortes e falou em "dias difíceis".

Por trás da soma que chega a 271.628 diagnosticados e a 17.408 mortos, há milhares de tragédias humanas — são mães, pais, filhos, amigos, irmãos e vizinhos que não retornarão a seus lares. Há centenas de profissionais de saúde que deram a vida para ajudar os contaminados, além da perda de personalidades como Aldir Blanc e Daniel Azulay.

Em homenagem às vítimas, o UOL reuniu alguns desses milhares de casos de dão rosto, história e peso aos números que, como se verá, vão muito além da estatística.

coronavirus mais de mil mortes por dia no brasil - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Bolsonaro insiste e reforça cloroquina

O Ministério da Saúde divulgou hoje um protocolo para aplicação da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes, inclusive os com sintomas leves, para tratar do novo coronavírus. O protocolo, que sugere a combinação dos dois medicamentos com azitromicina, é uma orientação para a rede pública de saúde.

Segundo o protocolo, "a prescrição de todo e qualquer medicamento é prerrogativa do médico". Médicos da rede pública temem pressão pelo uso da cloroquina. O texto também diz que o paciente vai ter que assinar o termo de consentimento a respeito da aplicação de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento.

O termo indica que "a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais", citando disfunção cardíaca e alterações visuais, por exemplo.

Os dois remédios têm formulações diferentes, mas que levam a mesma substância, a cloroquina. Os benefícios clínicos são parecidos, mas os efeitos adversos não. A hidroxicloroquina é considerada um pouco mais segura, com menos efeitos colaterais.

Cidade de SP cria 'kit covid-19' com cloroquina

O município paulista de Porto Feliz criou um "kit covid-19", entregue a pacientes em estágio inicial dos sintomas do novo coronavírus. Entre os medicamentos do coquetel está a hidroxicloroquina.

kit - Reprodução/TV Cultura - Reprodução/TV Cultura
Imagem: Reprodução/TV Cultura

Reportagem da TV Cultura mostrou que a cidade tem feito medições de temperatura em seus cidadãos e, quem está com sintomas iniciais da covid-19, recebe um kit com hidroxicloroquina, azitromicina, enoxaparina, remédio para enjoo e anti-inflamatório. Foram feitos 2 mil kits, com custo de R$ 100 mil à prefeitura.

"A gente deu em torno de 200 tratamentos até o momento e o nível de sucesso, de pacientes que evoluíram muito bem é muito grande. Temos em torno de 150 altas e dos 37 internados, 35 já recuperados", disse a responsável pelo kit, Ana Paula Melo dos Santos, clínica geral e intensivista.

Coronavírus pode estar sofrendo mutações

Médicos da China têm observado que o coronavírus se manifesta de forma diferente entre pacientes de um novo foco na região nordeste do país, em comparação com o surto original em Wuhan. Os dados sugerem que o patógeno pode estar em mutação de maneiras desconhecidas, o que complica esforços para eliminá-lo.

corona - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Pacientes nas províncias de Jilin e Heilongjiang, no norte do país, parecem portar o vírus por um período mais longo, e seus testes demoram mais para dar negativo.

Pacientes na região nordeste também parecem levar mais do que uma a duas semanas para apresentar sintomas após a infecção, o prazo observado em Wuhan, e esse atraso dificulta a identificação de casos pelas autoridades antes que contagiem mais pessoas

"Como os pacientes infectados não apresentaram sintomas por um período mais longo, isso criou focos de infecções familiares", disse Qiu Haibo, um dos principais médicos da China.

Damares faz concurso de máscaras

Enquanto o presidente fez piada e mais de mil mortes foram colocadas nos dados oficiais do governo, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançou edital para um concurso que premiará as melhores máscaras feitas por crianças.

Os quatro vencedores poderão passar uma tarde em Brasília com a ministra Damares Alves, responsável pela pasta, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o ministério, o concurso tem como objetivo ajudar as famílias no incentivo ao uso da máscara de proteção por crianças para conter a disseminação do novo coronavírus.

SP alerta para colapso

O estado de São Paulo conta com a contratação de 1.500 novos leitos de UTI da rede privada para evitar o colapso no sistema de saúde por conta da pandemia do coronavírus. Caso a medida não fosse tomada, a gestão do governador João Doria (PSDB) admite que o cenário atual aponta apenas mais três semanas antes que pacientes fiquem sem atendimento.

Além dos 1.500 leitos de UTI, o governo estadual prevê a contratação de mais 3.000 leitos clínicos para o tratamento da covid-19. A diária de cada leito de UTI será contratada a R$ 1.600, enquanto o edital estabelece o valor e R$ 1.500 para cada cinco dias de um leito de baixa complexidade. O investimento bate na casa dos R$ 600 milhões.

"Certamente ocorrerá, em três semanas, o colapso no sistema de saúde, pois os leitos de UTI disponíveis ainda não são suficientes para enfrentar a crescente ameaça de grave e irrecuperável lesão à saúde pública do Estado", diz o governo paulista no edital de contratação. Hoje é inaugurado um hospital de campanha Heliópolis.

Apesar do cenário de colapso admitido pelo próprio estado, o governador João Doria afirmou que pretende iniciar um afrouxamento da quarentena a partir de 1º de junho, logo após o vencimento do atual decreto estadual,

Haverá um período, sim, a partir de 1 de junho em fases escalonadas, cuidadosas, zelosas e isso feito com o setor privado para a flexibilização. Mas quando possível. Neste momento, não. Nós estamos no pior momento do coronavírus no Brasil, não é em São Paulo"

E o feriado?

No primeiro dia do megaferiado articulado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), São Paulo não parou em sua totalidade: no centro da capital, mesmo pela manhã, o fluxo foi intenso, tanto de carros como de pessoas. A expectativa da prefeitura é atingir um índice de isolamento entre 60% e 70% com a iniciativa.

Luz - Ricardo Matsukawa/UOL - Ricardo Matsukawa/UOL
Estação da Luz, em São Paulo
Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

As principais ruas de comércio do Brás, no centro, têm presença maciça de policiais militares. A movimentação, um deles confirma, tem sido grande: "Menos do que o normal, mais do que deveria".

A quarentena, nos arredores do parque do Ibirapuera, na zona sul da cidade, virou lazer: o espaço permanece fechado, entretanto, pessoas caminham em volta dele. Às margens do lago que fica em frente ao local, tem gente fazendo ioga, lendo, se alongando e correndo. O espaço reúne famílias com crianças, muitas sem máscara, na manhã ensolarada do primeiro dia de feriado.

Deputado bolsonarista morre de covid

O deputado estadual Gil Vianna (PSL-RJ) morreu hoje aos 54 anos vítima de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. A informação foi confirmada pela Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Gil Vianna - reprodução/Instagram - reprodução/Instagram
Imagem: reprodução/Instagram

Ele estava internado há oito dias em um hospital em Campos dos Goytacazes (RJ) e teve complicações provocadas pela doença, segundo a Alerj.

Em 2019, Vianna apareceu em um vídeo ao lado do senador Flávio Bolsonaro, por quem foi elogiado e chamado de "comandante", responsável por atuar a favor de Bolsonaro na região Norte Fluminense.

RJ: Suspeita de corrupção

Investigada pela força-tarefa da Lava Jato no Rio, a OS (Organização Social) Iabas já recebeu ao menos R$ 256,5 milhões pela implantação e gestão de hospitais de campanha para vítimas da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Enquanto o estado segue com mortes em alta, investigações feitas pela polícia suspeitam que o grupo comandado pelo empresário Mario Peixoto, preso na última quinta-feira (14) na Operação Favorito, corrompeu agentes públicos para desviar recursos através desse contrato.

O valor pago até 11 de maio consta em documento enviado pela SES (Secretaria Estadual de Saúde do RJ) ao MP-RJ (Ministério Público do Rio), que também apura os supostos desvios em contratações para prevenção da pandemia.

Governos duros, resultados rápidos

Depois de poupar (muitas) vidas, algumas nações cujas governantes agiram com agilidade e firmeza no combate à pandemia já começam a colher outros benefícios. Curiosamente, mulheres estão à frente desses países.

Na Alemanha de Angela Merkel, que controlou o vírus com isolamento amplo, testes em massa e já vive o processo de desconfinamento, o índice de confiança na economia deu um salto e mostra que investidores esperam recuperação já no segundo semestre.

Jacinda Ardern - Fairfax Media/Getty Images - Fairfax Media/Getty Images
Jacinda Ardern, da Nova Zelândia
Imagem: Fairfax Media/Getty Images

A Nova Zelândia teve sua primeira-ministra Jacinda Ardern considerada pela imprensa internacional a "líder mais eficaz do planeta" no combate à pandemia (da qual o país já está livre). Não deu outra, e ela é hoje a mais popular premiê do país dos últimos 100 anos.

Na pesquisa divulgada ontem, mais da metade dos neozelandeses aprovavam Jacinda e seu partido, e impressionantes 92% aprovavam as rigorosas medidas de isolamento implantadas por ela. Hoje o país viveu seu segundo dia consecutivo sem novos casos. Ao todo, 21 pessoas morreram de Covid-19 na Nova Zelândia.

Sintomas menos comuns incluem a conjuntivite

Com a evolução da pandemia do novo coronavírus, autoridades de saúde chamam atenção para os sintomas da doença, especialmente os mais comuns. Mas outras manifestações também podem ser um indicativo da doença e devem ser motivo de alerta.

Em sua página especial com informações sobre a covid-19, o Ministério da Saúde lista os sintomas da doença gerada pelo vírus: tosse, febre, coriza, dor de garganta e dificuldades respiratórias.

Um sintoma que se mostrou comum é a falta de paladar e olfato. O médico Farid Buitrago destaca que há outros sintomas, ainda menos comuns. Entre eles conjuntivite, náuseas e alterações gastro-intestinais, como dor de estômago e diarreia. Para conjuntivite, estudos mostraram a ocorrência em cerca de 10% dos casos.

Além disso, estudo mostra que pessoas com diabetes tipo 1 têm maior chance de morrer pela covid-19 do que tem o tipo 2 da doença.

Pessoas com diabetes tipo 1 — a forma autoimune da doença — têm três vezes e meia mais chances de morrer se contraírem a covid-19 do que os não diabéticos. Os diabéticos tipo 2 — aqueles com a forma intimamente ligada a excesso de peso — têm duas vezes mais chances de morrer do que os não diabéticos. Nove em cada dez diabéticos têm o tipo 2 e muitos são obesos.

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