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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta segunda-feira (8)

 
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Do UOL, em São Paulo

08/06/2020 13h14Atualizada em 08/06/2020 20h30

O Brasil viveu hoje mais um dia de discussões sobre a divulgação de dados de casos e óbitos provocados pelo novo coronavírus no país. O Ministério da Saúde prometeu voltar a publicar os totais acumulados e fazer os boletins diários até as 18h (horário de Brasília). A explicação oficial para os problemas recentes foi de problemas técnicos e tentativas de invasão ao sistema DATASUS.

No entanto, a publicação do boletim de hoje ainda foi do modo anterior, apenas com os casos reportados nas últimas 24 horas, sem a totalização oficial. O Ministério da Saúde afirmou que o Brasil teve notificadas hoje 679 novas mortes pela covid-19, passando dos 700 mil casos de infecção.

Os números, no entanto, não consideram os estados de Santa Catarina e Alagoas, que não enviaram os balanços ao ministério até as 17h de hoje.

Já um novo consórcio entre veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, divulgou posteriormente, às 20h, que o Brasil teve 849 novos registros de mortes nas últimas 24 horas.

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

Balanços conflitantes geraram confusão ontem

Em meio a uma grande polêmica com o Ministério da Saúde, acusado de tentar esconder dados de casos oficiais e mortes do novo coronavírus, o Brasil começou a semana com uma redução no número de mortos em decorrência da covid-19. Isso devido a uma divergência no site do Ministério da Saúde.

No balançou divulgado na noite de ontem, a pasta anunciou 1.382 mortes por covid-19 no país em 24 horas, mas alterou o número para 525, uma diferença de 857. A mudança ocorreu entre as 20h37, quando o balanço diário foi enviado à imprensa, e as 21h50, quando o site oficial foi atualizado. Também houve uma alteração no número de infectados. O primeiro balanço informava um total de 12.581 novos casos, contra 18.912 casos atuais.

O Ministério da Saúde ainda não apresentou explicações para a divergência. Em nota ainda ontem, a pasta apenas informou que passará a divulgar os dados de covid-19 em uma plataforma interativa que trará a análise de casos e mortes por data de ocorrência, de forma regionalizada. A nova ferramenta deverá ser disponibilizada nesta semana.

Autoridades e políticos criticam divergência de dados

"Brincar com morte é perverso". A frase foi postada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, (DEM-RJ), que voltou a criticar a mudança do governo na divulgação dos dados sobre mortes e casos da covid-19. Ele afirmou que "brincar com a morte é perverso" e que, ao alterar os números, o Ministério da Saúde "tapa o sol com a peneira".

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta também usou as redes sociais para criticar a postura do governo, citando um versículo da Bíblia citado com frequência pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido): "Não basta citar, tem que praticar", escreveu Mandetta, transcrevendo antes o versículo encontrado em João 8;32 que diz: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também questionou a atitude. "É inútil esconder", disse ele ao participar do UOL Entrevista.

O presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde), Alberto Beltrame, classificou hoje como "confusão desnecessária" as mudanças na metodologia e os equívocos na divulgação dos dados sobre a covid-19. Ele prometeu cobrar do Ministério da Saúde uma solução para dar clareza aos números.

Mortes superam 400.000 e casos, 7 milhões no mundo

Hoje o número de mortes em decorrência da covid-19 superou 400.000 em todo o mundo, enquanto o de casos oficialmente confirmados chegou a 7 milhões. Os números são da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, referência na contabilidade de estatísticas globais da pandemia de covid-19.

Uma nova projeção feita pelo Instituto de Métrica de Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, mostra que o Brasil pode ter 165.960 vítimas da covid-19 em agosto. Os dados superam a previsão anterior feita pela instituição, que era de 125.833 mortes.

Mas, uma boa notícia vem do exterior: a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, afirmou hoje que o país não tem mais nenhum caso ativo de covid-19 após a completa recuperação do último paciente que tinha a doença.

"Ao mesmo tempo em que nosso trabalho não está feito, não há como negar que esse é um marco histórico. Estamos confiantes que nós eliminamos a transmissão do vírus na Nova Zelândia por enquanto", disse a premiê.

Coronavírus seguiu rota dos rios na Amazônia

Um mapa produzido pelo médico e doutorando na Universidade de Oxford, Ricardo Parolin Schnekenberg, mostra como a covid-19 se disseminou no Amazonas partindo dos grandes centros para locais menores, que são o destino das viagens pelo rio.

"Viagens de barco são o ambiente propício para os eventos de superspreading [super espalhamento], nos quais uma única pessoa, às vezes assintomática, contamina dezenas ou centenas de pessoas. Bastava que isso tivesse acontecido uma única vez, e toda a região Norte seria contaminada", afirma o médico.

Por barco o vírus chegou à cidade hoje com maior número de casos do país, em termos proporcionais: São Gabriel da Cachoeira, no extremo oeste do Amazonas, onde quase 5% da população já foi contabilizada com a covid-19. A hipótese de que o início da circulação do coronavírus tenha ocorrido antes do fechamento das cidades será alvo de análise da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia.

São Paulo aumenta frota de ônibus contra lotação

A SPTrans colocou 784 ônibus para circular em São Paulo a partir de hoje para conter a lotação da frota e a disseminação do novo coronavírus na cidade, que está no início do processo de reabertura. A partir de hoje, os ônibus podem circular com a capacidade total de passageiros sentados.

No entanto, um grupo de cientistas alertou para os riscos dessa reabertura proposta pelo governo do estado. Segundo nota técnica do grupo, a decisão priorizou as vagas em UTI disponíveis na capital. Porém, o critério deveria considerar igualmente a evolução da epidemia, que ainda cresce na cidade, dizem os especialistas.

Governador cobra população; Rio tem baile funk

Belivaldo Chagas (PSD), governador de Sergipe, disse na noite de ontem que a população não vem colaborando para melhorar os índices de isolamento social no estado. "Estamos fazendo um grande esforço para ampliar o número de leitos e intensificando as fiscalizações da PM e do Procon. Mas, infelizmente, a população não está fazendo a sua parte", disse Belivaldo por meio de um comunicado oficial. Isso porque a rede pública de saúde do estado contava com 27 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no início de abril. Hoje, o número subiu para 126 - um aumento de 366%.

Enquanto isso, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), foi flagrado sem máscara em uma festa junina do Fazzenda Park Hotel, em Gaspar, a 129 quilômetros de Florianópolis. Nas imagens, o chefe do Executivo estadual é visto conversando com outras pessoas em um ambiente com aglomeração.

No Rio de Janeiro, imagem exibida pela TV Globo de manhã mostrou a realização de um baile funk na zona norte da cidade que começou ontem e só terminou na madrugada de hoje. As aglomerações em eventos seguem proibidas na cidade. No local, pelo que as imagens mostram ninguém usava máscaras e não havia materiais de higiene disponíveis para evitar as transmissões do novo coronavírus.

Baile do Egito - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Aglomeração na comunidade do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro, onde aconteceu o Baile do Egito
Imagem: Reprodução/TV Globo

Em Florianopólis, a morte de uma mulher de 75 anos interrompeu uma sequência de 32 dias sem óbitos na capital catarinense em decorrência da covid-19. O comércio na cidade já foi flexibilizado há mais de um mês.

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