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Coronavírus

Joel: Parece que Queiroga fez teatro por não ter comprado doses suficientes

Do UOL, em São Paulo

13/01/2022 14h12Atualizada em 13/01/2022 14h17

Na avaliação de Joel Pinheiro, as falas recentes do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em defesa da vacinação de crianças contra a covid-19 mostram que, após fazer um "teatro vergonhoso", o chefe ministerial "vai tentar trazer para si o mérito" da imunização.

"Tudo aquilo parece que foi um teatrinho", disse Joel Pinheiro ao UOL News - Tarde, programa do Canal UOL. "Agora, ele vai tentar, na medida do possível, tirar foto junto", afirmou.

Ao falar em "tudo aquilo", o comentarista estava se referindo ao papel que o Ministério da Saúde teve entre a aprovação da vacina pediátrica da Pfizer pela vigilância sanitária e a inclusão do imunizante no plano nacional de vacinação, elaborado pela pasta.

O imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos foi aprovado em 16 de dezembro do ano passado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas só foi oficialmente incluído no plano de vacinação da Saúde cerca de três semanas depois, em 5 de janeiro.

No período entre o aval e inclusão, Queiroga chegou a dizer que a vacinação de crianças, defendida por especialistas, não era "consensual" e, para justificar a demora, argumentou que "pressa é inimiga da perfeição"

Ainda entre o aval da Anvisa e o anúncio da Saúde, Queiroga chegou a prever a necessidade de prescrição médica para crianças serem vacinadas e a abrir uma consulta pública sobre o tema, gerando críticas entre cientistas.

Apesar de todas as questões criadas, na manhã de hoje, Queiroga defendeu que a "vacina infantil" tem se mostrando "segura". "Apesar de recentes, essas vacinas têm sido aplicadas nos principais sistemas de saúde no mundo", afirmou.

A fala de Queiroga aconteceu na manhã de hoje, em Guarulhos (SP), em uma cerimonia feita pelo Ministério da Saúde para apresentar as primeiras doses da Pfizer a chegarem ao Brasil — 1,2 milhão, no total.

Para Joel Pinheiro, as várias questões postas por Queiroga que acabaram atrasando o início da vacinação, porém, tinham um objetivo "mais óbvio": tirar o foco do "atraso do governo na compra das vacinas infantis".

Após oficializar a entrada imunizante Pfizer no plano do governo, a Saúde passou a prever a chegada 20 milhões de doses da vacina até o fim do primeiro semestre.

A população brasileira na faixa etária, porém, é de cerca de 20 milhões de crianças — e, como o imunizante pediátrico da Pfizer é de dupla aplicação, é preciso que 40 milhões de doses cheguem para que o Brasil consiga vacinar todo o público-alvo.

A avaliação também é feita pelo sanitarista Gonzalo Vecina, que, igualmente em entrevista ao UOL News - Tarde, destacou que Queiroga "providenciou metade da necessidade de doses que vamos precisar".

"Precisamos de 40 milhões de vacinas, e isso sem pensar na dose de reforço", afirmou Vecina. "O ministério ainda não conseguiu fazer a encomenda e continua brincando com a vida dos nossos jovens e das nossas crianças", lamentou.

Para o sanitarista, na medida do possível, quem poderia "ajudar a salvar" Queiroga do fato de não haver doses suficientes é o Instituto Butantan, que afirmou, no início de dezembro, ter 12 milhões de doses da CoronaVac reservadas para o público entre 3 e 11 anos.

A Anvisa, porém, ainda avalia um pedido emergencial feito pelo Butantan para que o Brasil possa aplicar doses da CoronaVac em crianças entre 5 e 11 anos. Na última terça-feira (11), a agência cobrou do instituto mais esclarecimentos sobre a vacina.

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