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Com R$ 3,4 milhões da Lei Rouanet, Mancha Verde promete Carnaval grandioso

Bruno Rocha/Fotoarena/Folhapress
Ensaio técnico da Mancha Verde no Anhebi para o Carnaval de 2019 Imagem: Bruno Rocha/Fotoarena/Folhapress

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

2019-02-01T04:00:00

01/02/2019 04h00

Com o enredo "Oxalá, Salve a Princesa!" e a ajuda da Lei Rouanet, a Mancha Verde deve fazer em 2019 um dos desfiles de Carnaval mais caros do Brasil. A agremiação é a que mais arrecadou com a lei, considerando as escolas de São Paulo e do Rio: R$ 3,4 milhões. Este dinheiro, que entra no caixa da escola por meio de renúncia fiscal, veio da Crefisa, a mesma patrocinadora do Palmeiras.

Ao UOL, o presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, afirmou que, além dos R$ 3,4 milhões da Rouanet, a agremiação deverá gastar outros R$ 3 milhões que entrarão no caixa da empresa por meio de venda de ingressos dos desfiles, arrecadação na quadra, direitos de transmissão de TV e verba vinda da prefeitura (confira a programação dos desfiles de São Paulo).

Em São Paulo, depois da Mancha, a escola que mais pediu dinheiro pela Lei Rouanet, segundo um levantamento feito pelo UOL, foi a Vila Maria, com R$ 2,2 milhões, porém ela não conseguiu captar nada até agora. No Rio de Janeiro, a escola que mais pediu dinheiro incentivado foi a Vila Isabel, com R$ 2,7 milhões, mas só conseguiu captar até agora R$ 110 mil. A campeã entre as cariocas foi a Grande Rio, que arrecadou R$ 1,5 milhão dos R$ 2,3 pedidos por meio da lei (veja a ordem dos desfiles do Rio).

Marcelo Justo/UOL
Viviane Araújo no ensaio técnico da Mancha Verde Imagem: Marcelo Justo/UOL
Para o presidente da Mancha Verde, as escolas do Rio de Janeiro tradicionalmente recebem muito patrocínio de empresas privadas e, por isso, não precisam pedir tanto dinheiro via Lei Rouanet. Ao contrário de São Paulo, onde a lei seria essencial. "O dinheiro que pegamos na lei é carimbado. Ele tem lugar certo para ir. Tenho que comprovar tudo que gasto", defendeu.

A parceria da Mancha Verde com a Crefisa começou em 2016, quando a agremiação recebeu R$ 250 mil da empresa e se sagrou campeã do Grupo de Acesso. No ano seguinte, ela recebeu da Crefisa R$ 1,3 milhão e terminou o Carnaval em 10º lugar. No ano passado, o valor quase dobrou, chegando a R$ 2,3 milhões. Tanto dinheiro rendeu à escola seu melhor resultado na história, o 3º lugar no Grupo Especial. "Desenvolvemos uma relação de confiança com a Crefisa que rendeu frutos para a nossa escola", afirmou Serdan.

Neste domingo, a escola vai homenagear o fundador da Crefisa, José Roberto Lamacchia, e a presidente da empresa, Leila Mejdalani Pereira, com uma festa na quadra da agremiação. "A Crefisa acompanha de muito perto o que fazemos na escola e como usamos o dinheiro. Quando pedimos os R$ 3 milhões na Lei Rouanet, não sabíamos se a empresa iria aceitar patrocinar e foi uma surpresa quando pagou tudo."

Vale lembrar que, no ano passado, a escola teve os mesmos 270 pontos da agremiação que ficou em 1º lugar, a Acadêmicos do Tatuapé, e da que ficou em 2º lugar, a Mocidade Alegre, mas perdeu o troféu no critério de desempate.

A Mancha Verde já entrava com pedidos na Lei Rouanet desde 2012, antes mesmo da parceria com a Crefisa. Mas nunca conseguiu captar tanto quanto agora. "A nossa longa história na Lei Rouanet comprova que a prestação de contas tem sido correta. Se não fosse assim, nossos pedidos não seriam aprovados", garantiu o presidente.

Luiz Claudio Barbosa/Código19/Folhapres
Ensaio técnico da Mancha Verde no Anhembi para o Carnaval de 2019 Imagem: Luiz Claudio Barbosa/Código19/Folhapres

Para onde vai o dinheiro?

Com o dinheiro da Lei Rouanet, Serdan afirmou que conseguiu fazer fantasias mais elaboradas e carros alegóricos mais grandiosos, além de ter dado mais segurança financeira para quem faz o Carnaval. O dinheiro também possibilitou à agremiação realizar um sonho antigo: contratar o carnavalesco Jorge Freitas, uma das grandes apostas para levar a escola à vitória neste ano.

Na prestação pública de contas da Lei Rouanet enviada ao governo, a Mancha Verde informou que o carnavalesco ganhou R$ 105 mil. O presidente, no entanto, disse que Jorge Freitas vai receber ainda mais do que isso, com dinheiro extra próprio da escola.

A grandiosidade do desfile poderá ser medida também pelo tamanho das alegorias. De acordo com Serdan, no galpão onde foram produzidos cinco carros alegóricos no ano passado, agora só couberam dois. "Foi preciso alugar uma tenda extra", disse.

A comunidade também não foi esquecida e 2.500 componentes da escola vão ganhar fantasias de graça. Pela Lei Rouanet, a escola gastou R$ 937 mil para produzi-las, o que dá R$ 374,80 por fantasia. Com alegorias, foram gastos R$ 550 mil e com quadripés e tripés cerca de R$ 180 mil.

"Eu garanto para vocês que neste ano vamos realizar o sonho que sempre tivemos. Até o ano passado, não havíamos atingido o nível de beleza e plástica que queríamos. Neste ano, independentemente do resultado, eu tenho certeza de que vamos fazer bonito. O público vai sair da avenida muito satisfeito e vai dizer: 'Aí tem dinheiro. Esses caras souberam gastar'", disse Serdan.

Luiz Claudio Barbosa/Código19/Folhapress
Ensaio técnico da Mancha Verde para o Carnaval de 2019 Imagem: Luiz Claudio Barbosa/Código19/Folhapress

Para o presidente da escola, na apuração, a parte plástica do Carnaval conta com apenas dois quesitos: "fantasias" e "alegorias e adereços". Os outros sete quesitos avaliados são "humanos". "Com o dinheiro que conseguimos arrecadar, pudemos cuidar da nossa comunidade e investir nas pessoas que fazem o Carnaval acontecer", disse Serdan. "Estamos trabalhando neste Carnaval desde agosto. Somos uma das poucas escolas que já estão com tudo pronto com mais de um mês de prazo antes dos desfiles."

Paulo Serdan defende a Lei Rouanet e diz que sem ela ficaria inviável fazer um Carnaval em São Paulo. "Não dá para demonizar a Lei. A Rouanet é essencial quando as pessoas fazem bom uso dela. Esse dinheiro volta para a comunidade. Contratamos artistas, costureiros, artesãos, técnicos, funcionários. Tudo isso fica na comunidade. Precisamos prestar conta desse dinheiro. O governo sabe exatamente onde gastamos cada coisa. Temos todas as notas fiscais, não é bagunça. Ninguém está dando dinheiro de graça para a gente."

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