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Terceiro Milênio troca suástica em carro sobre nazismo em respeito a judeus

Vencedora do Grupo de Acesso no Carnaval de São Paulo, a Terceiro Milênio troca suástica em carro sobre nazismo - Simon Plestenjak/UOL
Vencedora do Grupo de Acesso no Carnaval de São Paulo, a Terceiro Milênio troca suástica em carro sobre nazismo Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

08/03/2019 21h55

Vencedora do Grupo Acesso 2 do Carnaval de São Paulo, a Estrela do Terceiro Milênio retornou hoje ao Anhembi para o Desfile das Campeãs com o enredo sobre exemplos históricos de coragem.

O carro alegórico sobre as vítimas do Holocausto chamou a atenção pela ausência da suástica nazista, trocada por um X. A escola optou por não se envolver em polêmicas após um componente da Águia de Ouro desfilar fantasiado de Adolf Hitler durante um ensaio técnico, em fevereiro.

"Já estava decidido que não faríamos suástica. Foi uma opção em respeito à comunidade israelita para não fazer nenhum tipo de apologia ao nazismo. Tem que ter uma delicadeza", justifica o carnavalesco Murilo Lobo.

Mesmo sem suástica, é inegável a crítica ao nazismo pela escola do Grajaú, bairro do extremo sul da capital. O carro imita um campo de concentração com 24 "judeus" trajando o mesmo pijama listrado das vítimas do Holocausto. Hitler é o "general da morte", representado por uma caveira e um quepe militar. Ao redor do carro, 16 painéis de led exibem sete minutos de imagens da Alemanha nazista.

"O enredo se chama 'Coragem, somos nós que fazemos a vida'. Damos exemplos de coragem durante a história da humanidade. É o nosso grito de basta de intolerância, por todas as crenças, todas as cores e todas as formas de amar", explica o carnavalesco.

Entre os componentes do carro, a professora Lilian Souza Grinberg tem uma relação pessoal com o tema. Ela aceitou o convite para desfilar pela primeira vez no Carnaval porque o marido dela é judeu.

Dançarinas interpretam judias prisioneiras no desfile da Terceiro Milênio - Paulo Pacheco/UOL
Dançarinas interpretam judias prisioneiras no desfile da Terceiro Milênio
Imagem: Paulo Pacheco/UOL

"Fiquei muito emocionada por participar desse carro, porque acho que a gente tem que lembrar sempre para nunca esquecer e para as pessoas não repetirem o fato. É um tema bem delicado, difícil até para contar o que você vai representar, mas ele ficou feliz porque também acredita que não devemos esquecer. Temos que relembrar a história", afirma Lilian.

No carro, as componentes "judias" não sambam e interpretam o drama das vítimas do Holocausto. Elas também formam uma Estrela de Davi, símbolo judeu. A bailarina Tatiane Tieri teve dificuldade para contar à diretora da companhia de dança onde trabalha que seria judia em um campo de concentração nazista no Carnaval.

"A minha diretora é judia. Foi muito tenso falar. Ela perguntou em qual carro eu iria sair e eu respondi: 'Do Holocausto'. Ela viu que eu fiquei sem graça. Mas é importante conscientizar as pessoas", pondera.

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