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Roda de Timbau é destaque com bateria, voz e recado forte no Carnaval de BH

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

01/03/2019 10h57

"É a melhor bateria do Carnaval de BH", definiu, extasiada, a turismóloga Cássia Campos, enquanto seu corpo vibrava bem ao lado do enérgico batuque do bloco Roda de Timbau, na noite de ontem, no Carnaval de Belo Horizonte. Para além do ritmo compassado, não faltaram vozes e discursos potentes no desfile. 

"Nossas pautas são as energias das ruas, o respeito ao próximo, os caminhos abertos para nossos projetos e vidas. Este ano, além do nosso tradicional rubro-negro, temos a cor dourada para homenagear Oxum", revelou ao UOL o cantor Randolpho Landim, pouco antes de o cortejo começar pela rua Itajubá, no bairro belo-horizontino da Floresta. "Oxum até fez a chuva que caiu à tarde parar", comemorou.

"Neste ano, convidamos a Juhlia Santos, que é uma atriz trans aqui de Belo Horizonte, para ser nossa porta-estandarte", adiantou Randolpho. Minutos depois, eis que a própria Juhlia se aproximou da reportagem para contar, empoderadíssima: "É meu primeiro ano na Roda de Timbau, mas sou porta-estandarte de outros blocos também, praticamente um por dia", enumerou. 

Participar do Carnaval é colocar meu corpo à disposição dessas lutas, desses anseios. É entender que meu corpo é atravessado por várias questões e é a representatividade disso tudo. Representatividade só existe com os nossos corpos presentes. Juhlia Santos

O bloco ainda contou com um breve, mas forte, discurso em prol da comunidade LGBTQI+ e pelo respeito a todas as formas de amor e de se ser, feito pelo seguríssimo cantor convidado Rafael Ventura, que depois levou todos ao romantismo com a música "Sozinho". 

O que rolou no bloco

Os músicos Paulo Almeida e Livia Rios tocam timbau no desfile do Roda de Timbau em BH - Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação Roda de Timbau
Os músicos Paulo Almeida e Livia Rios tocam timbau no desfile do Roda de Timbau em BH
Imagem: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação Roda de Timbau

Acompanhando as eletrizantes coreografias dos bailarinos Maíra Rodrigues e Jamaica Dudu, uma multidão dançante seguiu o bloco rubro-negro com sua bateria ritmada sob comando atento do regente Pedro Thiago, o PT, que usou uma camisa com rosto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estampada - o trio elétrico também trouxe uma bandeira vermelha com o rosto de Lula e a frase "Lula Livre", que também foi entoada pelo público na saída do bloco.

Os músicos passearam por ritmos como o afoxé, o funk, o reggaeton e o predominante samba-reggae baiano. No repertório, clássicos do axé deram o tom, mas também houve espaço para sucessos pop de Anitta e Shakira. Entre as canções que fizeram a alegria do público estiveram "Toneladas de Desejo", "Toda Menina Baiana", "Carnavalia" e "Vai Malandra". 

Vocalistas do Roda de Timbau, Randolpho Landim e Ludmilla Julia fizeram bonito, com comando forte do público e vozes potentes e afinadas que não se perderam do ritmo da virtuosa banda - que contou com sopros sofisticados - nem da bateria, na qual o sorriso contagiante do percussionista Paulo Almeida foi uma espécie de convite à festa. 

Randolpho Landim envolveu a massa com sua voz segura em canções como "Muito Obrigado Axé" e "Berimbau Metalizado". Já Ludmilla Julia impactou a todos com seu vozeirão em clássicos como "Olhos Coloridos", no qual brincou com graves e agudos com propriedade.

Entre os convidados, a cantora chilena Claudia Manzo fez uma bela versão de "Estoy Aqui", da colombiana Shakira. Outra participação internacional foi de Carlos Bolivia. Além desses, o Roda de Timbau ainda contou com os cantores convidados Leopoldina, Laura Lopes, Priscila Glenda e Matheus Brant. 

Outro momento delirante foi quando os artistas circenses Bruna Toledo, Dagmar Bedê e Diogo Dias fizeram performances com fogo. O desfile foi interrompido algumas vezes para que os artistas lembrassem ao público que assédio às mulheres presentes não seria tolerado, tampouco outras formas de preconceito como o racismo e o machismo. O público aplaudiu fortemente, para logo na sequência se jogar na levada inesquecível do Roda de Timbau. 

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