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Bolsonaro repete informações falsas sobre Amazônia e inflação na RedeTV!

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista ao programa "Agora com Lacombe", da RedeTV! - Divulgação/RedeTV!
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista ao programa "Agora com Lacombe", da RedeTV! Imagem: Divulgação/RedeTV!

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

26/11/2021 00h39

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a repetir informações falsas —e já desmentidas— sobre as queimadas na Amazônia e a razão da inflação no Brasil em entrevista à RedeTV! ontem.

Ao programa "Agora com Lacombe", o presidente voltou a dizer que floresta úmida "não pega fogo", algo já desmentido inclusive pelo seu vice, Hamilton Mourão (PRTB), e a atribuir a alta da inflação, que voltou a bater recorde em outubro, às medidas de isolamento social adotadas por estados e municípios na pandemia.

O que nós estamos pagando agora, um preço muito alto do pós-pandemia -- se Deus quiser, acho que acabou essa pandemia -- é consequência do 'Fique em casa', 'A economia a gente vê depois'. A economia tá batendo na porta, tá cobrando alto. E o Brasil é um dos países que menos está sofrendo na questão da economia."
Presidente Jair Bolsonaro, na RedeTV!

Com o aumento progressivo da inflação no Brasil, Bolsonaro e seus apoiadores têm apontado o isolamento social —chamado por eles genericamente de "lockdown" ou "fique em casa"— como o grande culpado pela crise econômica aqui e em outros países.

O argumento é falso. Conforme o UOL já mostrou, as medidas de isolamento social não são a causa da alta nos preços e ajudariam a acelerar a recuperação da economia se tivessem sido bem feitas.

Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em parceria com a Universidade do Texas (EUA) aponta que municípios de São Paulo que adotaram isolamento social mais severo salvaram vidas e não tiveram desempenho econômico pior do que os que não adotaram.

Já um artigo publicado em abril por pesquisadores europeus na revista científica The Lancet indicou que a eliminação do coronavírus, e não sua mitigação, trouxe melhores resultados para a saúde e a economia em países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Também não é verdade que o Brasil é um dos países que menos sofrem economicamente. A pandemia afetou a economia em todo o planeta, mas o Brasil tem o terceiro pior quadro de inflação entre as 20 maiores economias do mundo, atrás apenas de Argentina e Turquia. Em outubro, o país atingiu inflação de 10,67% em 12 meses, a maior para o mês desde 2002.

Os preços subiram mais por aqui em especial por causa da desvalorização do real e da queda de investimento estrangeiro. Estes fatores têm relação com o ambiente político do país —o que inclui incertezas geradas pelo governo, como mostrou o UOL Economia em outubro.

Também entram na conta problemas como a alta nos combustíveis; a crise hídrica e o aumento na conta de luz; e questões climáticas que afetaram a agricultura.

Eu falei uma coisa que foi ironizada. A floresta úmida não pega fogo, pega o entorno."
Presidente Jair Bolsonaro, na RedeTV!

O falso argumento de que a floresta amazônica não pega fogo é recorrente e já foi desmentido pelo menos quatro outras vezes pelo UOL (em maio, em outubro e nos últimos dias 15 e 19 de novembro).

Em julho deste ano, a revista Nature publicou um estudo mostrando que a Amazônia já tem áreas que emitem mais gás carbônico do que absorvem —um dos reflexos das queimadas na região.

O instituto federal registrou que a devastação no bioma atingiu 13.235 km² entre 1º de agosto de 2020 e 31 de julho de 2021. O índice é considerado o pior dos últimos 15 anos.

Já o Greenpeace calcula que nos últimos três anos, sob a gestão Bolsonaro, o Brasil teve um aumento de 52,9% no desmatamento em comparação aos registros de três anos anteriores (2016-2018).

A fala de Bolsonaro também foi desmentida pelo seu vice, Hamilton Mourão, durante entrevista exclusiva ao UOL na semana passada.

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