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É falso que Barroso tenha se declarado contra reeleição de Bolsonaro

5.abr.2022 - É falso que Luís Roberto Barroso, ministro do STF, tenha se declarado contra reeleição de Bolsonaro - Reprodução/Twitter
5.abr.2022 - É falso que Luís Roberto Barroso, ministro do STF, tenha se declarado contra reeleição de Bolsonaro Imagem: Reprodução/Twitter

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

05/04/2022 16h58Atualizada em 05/04/2022 19h16

É falso que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso tenha se declarado contra a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendido a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como dizem posts que se espalharam nas redes sociais hoje (5).

Intitulado "'Bolsonaro será reeleito se passarem por cima do meu cadáver', declarou Barroso em live", o texto falso diz que "Luís Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) falou em uma live numa reunião com juízes franceses que não reconhece o presidente legitimamente eleito, Jair Bolsonaro e que afirmou categoricamente que não será reeleito". A publicação afirma, também de forma falsa, que Barroso disse que "Lula merece uma segunda chance".

Em nota divulgada no site do STF, o gabinete do ministro informou que "tal encontro virtual nunca ocorreu e que o ministro jamais deu as declarações". Na agenda pública de Barroso, não há informação de que ele tenha participado recentemente de um evento com juízes franceses.

O texto falso atribui a uma pessoa pública uma declaração alarmista e foi publicado em um blog que não revela o nome de seus responsáveis. O post não tem a data de quando foi publicado, nem dos supostos fatos que relata. Também não há qualquer outro registro em áudio ou vídeo, seja na imprensa ou nas redes sociais, de que Barroso tenha dado tais declarações. Todos estes elementos são comuns em conteúdos falsos (veja abaixo um vídeo com dicas para reconhecer e não cair em fake news).

No ano passado, enquanto presidia o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Barroso foi alvo de ataques públicos de Bolsonaro e de apoiadores do presidente, em paralelo à tramitação do projeto de adoção do voto impresso. Barroso era contra a proposta, que era defendida por Bolsonaro e foi derrotada na Câmara. O ministro deixou a corte eleitoral em fevereiro.

Barroso também deu a decisão que autorizou, em abril do ano passado, a abertura da CPI da Covid no Senado — o que também lhe rendeu críticas de Bolsonaro. A CPI terminou em outubro com o pedido de indiciamento de 78 pessoas por diversos crimes, entre elas o próprio presidente da República, assim como ministros de seu governo e parlamentares aliados. O relatório final foi aprovado por 7 votos a 4. Ontem (4), o colunista do UOL Rubens Valente noticiou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) deverá decidir ainda este mês o destino da maior parte das investigações derivadas da CPI.

Por volta das 16h30, o link com a desinformação já havia sido compartilhado 750 vezes no Facebook, segundo a ferramenta de monitoramento Crowdtangle. A reportagem também encontrou um post no Twitter com o mesmo conteúdo e que já havia sido compartilhado quase 800 vezes.

Veja 5 dicas para não cair em fake news

O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para uolconfere@uol.com.br.