PMs só usaram armas letais em ocupação do Carandiru, diz réu

Janaina Garcia e Rogério Barbosa

Do UOL, em São Paulo

Entenda o massacre do Carandiru
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O tenente-coronel da reserva Ronaldo Ribeiro dos Santos, capitão à época do massacre do Carandiru, admitiu em interrogatório na tarde desta sexta-feira (19) no júri popular que acontece no Fórum da Barra Funda (zona oeste de SP) que os policiais só possuíam armas letais ao entrarem no presídio supostamente para conter uma rebelião. Ele afirmou ainda que, assim que seu pelotão entrou no local, foram ouvidos estampidos e clarões, que se foram interpretados como tiros, que foram revidados pela PM.

A resposta do policial, aposentado há quase oito anos, foi em pergunta feita pelos jurados. Eles quiseram saber se os policiais entraram no segundo pavimento –onde ocorreram as 15 mortes pelas quais são julgados os 26 PMs– com armas letais e não letais e se os escudos usados pelas tropas eram à prova de bala, o que ele também confirmou.

Por outro lado, indagado pelos jurados se havia bombas entre os PMs, Santos disse: "Que eu saiba, não".

O depoimento do réu durou duas horas e meia. Ele foi apresentado pela defesa ainda como presbítero de igreja, ex-pastor, professor e escritor.

Santos afirmou que a entrada  no Caranditu foi "legal e necessária", "haja vista a gravidade da situação". "Não havia outra alternativa", afirmou o policial.

Segundo Santos, antes de o pelotão que ele controlava, da Rota, tropa de elite da PM paulistana, o Batalhão de Choque da PM havia tentado uma intervenção. "A reação [dos presos à entrada do Batalhão de Choque] foi violenta", disse.

O PM aposentado afirmou ainda que portavam, na hora da invasão, uma metralhadora e uma revólver calibre 38. Santos disse que fez três disparos com seu revólver e que nenhum deles atingiu presos. Ele afirmou que não usou sua metralhadora.

"Tudo muito rápido"

O PM aposentado afirmou que a ação dentro do pavilhão 9 do Carandiru foi rápida --durou cerca de 20min. "Tudo foi muito rápido. Assim que chegamos no pavilhão, a coisa aconteceu", afirmou.

Santos disse também que durante a ação viu três corpos no corredor no qual sua tropa atuou. Foi quando a Promotoria lhe questionou sobre seu depoimento no inquérito militar, no qual o tenente teria afirmado ter visto "quatro ou cinco" no corredor e "de oito a 10" em todo o segundo pavimento.

Santos negou que tivesse informado esses números durante o inquérito. 

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