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'Padilha seria um excelente candidato', diz Cardozo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala sobre a possibilidade de ser candidato ao governo de SP - Wilson Dias/Agência Brasil
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala sobre a possibilidade de ser candidato ao governo de SP Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil

Fabio Serapião

Do UOL, em São Paulo

16/06/2013 12h45

Cotado como um dos nomes do Partido dos Trabalhadores para tentar derrotar o PSDB e Geraldo Alckmin na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes na próxima eleição, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, insiste em negar o interesse na candidatura.

Mesmo embalado pelo bom desempenho obtido na última sondagem do Datafolha e pela má avaliação do modelo de segurança pública tucano, o petista prefere desmentir possíveis boatos e elogiar seu principal adversário no PT, o também ministro Alexandre Padilha.

“Eu acho que ele seria um excelente candidato para São Paulo. Uma pessoa que tem uma gestão importante no Ministério da Saúde e que reúne credenciais e experiência necessária para ser um excelente candidato”, afirmou Cardozo, em entrevista concedida por telefone ao UOL.

Ao se posicionar longe da disputa, Cardozo também culpa os tucanos pela suposta “politização” do debate sobre o aumento da violência no Estado e as últimas manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus na capital. “Quem primeiro acusou o governo federal, infelizmente, foram autoridades de São Paulo. Eu respondi isso.”

Leia a entrevista a seguir.

UOL - Membros do PSDB têm dito que as declarações do senhor sobre as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus e crise de segurança no Estado são declarações políticas.

José Eduardo Cardozo - Em primeiro lugar, eu não sou candidato a governador. Não sou candidato a governador, mas, evidentemente, diante de certas situações que dizem respeito ao setor segurança pública, nós temos que nos manifestar sob pena de omissão. E isso é coisa que eu sempre fiz, desde quando assumi o Ministério da Justiça. Na verdade, houve no primeiro momento sobre a situação da violência em São Paulo uma acusação do governo estadual de que o problema na violência tinha ver com a má fiscalização das fronteiras pelo governo federal. Eu me limitei a responder isso, dizendo, inclusive, que não queria politizar.

Eu, em um primeiro momento, na quarta-feira (12), eu falei, textualmente, o seguinte: que a liberdade de expressão era um direito a ser assegurado, mas, em momento algum, podíamos aceitar atos que resultavam em depredações de bens públicos e violência. Ao ser arguido pela imprensa, eu disse que não só São Paulo, mas para qualquer Estado, efetivamente, nós estávamos disposto a prestar ajuda se fosse necessário.

O senhor não é candidato hoje ou também não será no futuro?

Não sou candidato e não tenho nenhuma perspectiva de ser.

O senhor faz parte de uma corrente minoritária no PT chamada “Mensagem ao Partido”. Integrantes do seu grupo querem o senhor na disputa, o senhor não se anima com esse apoio?

De fato eu tenho visto militantes do PT e alguns parlamentares que têm falado que eu deveria ser candidato. E a questão do fato de eu tratar de segurança pública seria um ponto positivo. Eu tenho falado que não sou candidato e, ainda, as pessoas têm se recusado a acreditar, particularmente, os tucanos. Inclusive, a única resposta objetiva que eu dei ao governo do Estado foi a partir de uma acusação que foi feita de que a violência em São Paulo tinha a ver com fronteiras. Me pareceu uma coisa totalmente despropositada que tinha a ver com uma disputa político-eleitoral. Uma resposta, muito claramente posta, a uma acusação política que havia sido feita.

O senhor então defende que suas manifestações são institucionais e que é o governo de São Paulo que está politizando?

Quem primeiro acusou o governo federal, infelizmente, foram autoridades de São Paulo. Eu respondi isso. Eu me manifestei por diversas vezes dizendo, claramente, que, quando a situação ainda não tinha configurado um abuso policial, ou qualquer indicador de abuso policial, que nós não podíamos aceitar os atos de vandalismo e que estávamos à disposição do Estado de São Paulo e de qualquer Estado para auxiliar.
Hoje mesmo eu elogiei o secretário [Fernando] Grella, falei que ele vinha do Ministério Público e, portanto, tinha o compromisso com a legalidade e falei que acreditava numa atuação séria do governo do Estado.

Mesmo negando ser candidato o senhor aparece com 5% de intenção de voto em uma pesquisa feita pelo Datafolha. À frente, aliás, do seu companheiro de Esplanada, o ministro Alexandre Padilha. Isso também não lhe anima para entrar na disputa?

Nem isso. Na verdade, as pesquisas ainda são muito preliminares. No caso do ministro Padilha, eu acho que ele seria um excelente candidato para São Paulo. Uma pessoa que tem uma gestão importante no Ministério da Saúde e que reúne credenciais e experiência necessárias para ser um excelente candidato. Sinceramente, as pesquisas são muito embrionárias. O fato de alguém estar com 3% no início de um processo de discussão e que nem candidato ainda é não significa que não possa ser vencedor e governador do Estado.

Temos aí o exemplo de Haddad, é isso?

Acho absolutamente normal que uma pessoa que tá iniciando o processo de discussão, que pode ser um bom candidato, que não se beneficia do recall de eleições anteriores, possa vir a representar muito bem o nosso partido. Acho que o Padilha seria um excelente candidato.

E, se partido chamar, o senhor disputa o governo de São Paulo?

Olha, essa é uma situação de hipótese que eu nem quero imaginar que ocorra. Nós temos tantos bons nomes para disputar a eleição que eu duvido que o PT chegaria a me pedir, de maneira unânime, que eu fosse candidato. Eu não penso nessa hipótese.

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