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Tragédia em Brumadinho


Sobe para 65 o número de mortos em Brumadinho (MG); 279 estão desaparecidos

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

28/01/2019 19h53Atualizada em 28/01/2019 21h55

Subiu para 65 o número de mortes confirmadas em decorrência do rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG). A informação foi divulgada pelo coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho, pouco antes das 20h desta segunda-feira (28). 

O IML (Instituto Médico Legal) confirmou a identificação de 31 corpos (veja a lista abaixo). Outros 34, portanto, ainda aguardam identificação.

Pelo segundo dia de buscas consecutivo, nenhum sobrevivente foi encontrado.

Até o momento, 279 pessoas continuam desaparecidas, segundo os bombeiros. Outras 192 foram resgatadas, número que permanece o mesmo desde sábado (26), um dia após a tragédia.

O boletim anterior, divulgado às 10h30 desta segunda, dava conta de 60 mortos e 292 desaparecidos.

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Ao longo desta segunda, os bombeiros trabalharam para acessar o interior de um ônibus encontrado na noite de domingo (27) nas imediações da área administrativa da Vale. O veículo foi soterrado pela lama da barragem.

O tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros, informou que dois corpos foram retirados do local. Ainda não se sabe se havia mais gente no veículo --os bombeiros continuarão realizando buscas nessa área até as 22h. No sábado (26), outro ônibus da Vale foi encontrado com dez mortos.

Aihara afirmou, ainda, que os bombeiros encontraram nesta segunda vítimas que possivelmente estavam no refeitório da empresa no momento da ruptura da barragem. "O número [de mortes confirmadas] da manhã de amanhã já deve aumentar", pontuou, considerando a quantidade de pessoas que se encontravam no refeitório.

Essas vítimas, segundo ele, foram encontradas em uma região a cerca de 800 metros de onde a construção originalmente foi construída. Ontem, o tenente disse acreditar na possibilidade de que o refeitório tivesse sido arrastado devido à força da lama da barragem.

Aihara disse ainda que, nesta segunda, o trabalho dos bombeiros foi "muito prejudicado" devido à circulação de notícias falsas de que sobreviventes estariam isolados em zonas de mata.

"Imediatamente, deslocamos equipes para essas áreas. Nada foi constatado. Essa situação aconteceu pelo menos 3 vezes", afirmou.

Identificação

A Polícia Civil divulgou, na noite desta segunda, a lista atualizada com os nomes das 31 vítimas identificadas pelo IML até o momento:

  1. Adriano Caldeira Do Amaral
  2. Alano Reis Teixeira
  3. Alex Rafael Piedade
  4. Camila Santos De Faria
  5. Carlos Roberto Deusdedit
  6. Claudio Jose Dias Rezende
  7. Cleosane Coelho Mascarenhas
  8. Cristiano Vinicius Oliveira De Almeida
  9. Daniel Muniz Veloso
  10. David Marlon Gomes Santana
  11. Djener Paulo Las Casas Melo
  12. Duane Moreira De Souza
  13. Edgar Carvalho Santos
  14. Eliandro Batista De Passos
  15. Fabricio Henriques Da Silva
  16. Flaviano Fialho
  17. Francis Marques Da Silva
  18. Janice Helena Do Nascimento
  19. Jonatas Lima Nascimento
  20. Leonardo Alves Diniz
  21. Marcelle Porto Cangussu
  22. Marcelo Alves De Oliveira
  23. Mauricio Lauro De Lemos
  24. Moises Moreira De Sales
  25. Ninrode De Brito Nascimento
  26. Renato Rodrigues Maia
  27. Robson Maximo Goncalves
  28. Roliston Teds Pereira
  29. Wanderson Soares Mota
  30. Wellington Campos Rodrigues
  31. Willian Jorge Felizardo Alves

Tropas israelenses

Nesta segunda, uma comitiva com cerca de 130 militares de Israel começou a auxiliar os trabalhos de buscas das vítimas da barragem. A equipe é composta por médicos, socorristas e especialistas em resgates.

À Folha de S. Paulo, o tenente-coronel Eduardo Ângelo afirmou que os equipamentos trazidos pelos israelenses "não são efetivos" para o desastre de Brumadinho. Aihara, no entanto, discordou. "[Os equipamentos] oferecem, sim, recursos positivos ao trabalho dos bombeiros. Todavia, é necessária alguma adaptação às condições que eles estão acostumados a trabalhar", disse.

Segundo ele, os maquinários trazidos pelos israelenses não puderem ser utilizados devido à diferença de topografia e à condição da lama, que não permite grandes deslocamentos desses equipamentos. Apesar disso, o tenente afirmou que integrantes da comitiva israelense trabalharam nas buscas junto aos bombeiros.

Em entrevista exclusiva para o UOL, ​​​​​​​o embaixador israelense no Brasil , Yossi Shelley, defendeu a efetividade da tecnologia empregada em Brumadinho (MG).

"Começamos os trabalhos hoje cedo e até agora ajudamos a resgatar 15 corpos na lama. Não viemos disputar quem é mais forte. Queremos ajudar as famílias, o calor do corpo é o calor da terra. Então nesse caso não funciona. Mas trouxemos, por exemplo, um sonar que pode detectar o corpo, fazer imagem dos corpos na lama", rebateu o diplomata.

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