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Com críticas a padrinhos, Covas e Boulos travam embate no debate UOL/Folha

Ana Carla Bermúdez e Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

11/11/2020 11h31Atualizada em 11/11/2020 17h09

Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) foram os principais alvos dos adversários no debate promovido pelo UOL, em parceria com a Folha de S.Paulo, na manhã de hoje. Os dois são os candidatos à Prefeitura de São Paulo numericamente mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos mais recentes.

Ao longo do encontro, houve questionamentos sobre o apoio de padrinhos políticos aos candidatos.

Os adversários buscaram associar o atual prefeito, que busca a reeleição, à imagem do governador João Doria (PSDB), na chapa de quem foi eleito vice-prefeito.

"Você bota a mão no fogo pelo Doria?", questionou Boulos, em sua primeira fala. "Ninguém consegue ver o Doria [na campanha]. Aí o Bruno está certo, porque é uma situação muito difícil você arrastar o contêiner que é o João Doria", provocou Márcio França (PSB).

Doria amarga rejeição alta na capital, onde, em 2018, recebeu menos votos do que Márcio França no segundo turno para a eleição ao governo de São Paulo.

"Não tenho nenhum problema em apresentar os apoios que eu tenho, tenho toda a felicidade de ser o candidato apoiado pelo governador João Doria. Mas o candidato nessa disputa sou eu. Estranho seria o governador João Doria deixar seus afazeres, deixar os 645 municípios para focar na campanha de prefeito de São Paulo", respondeu Covas.

Já Márcio França falou de seu histórico ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem elogiou, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e também de Doria. Disse que Lula é um "líder", o segundo é "autêntico", e o terceiro, "aguerrido".

"O Bolsonaro na minha visão é autêntico, o que ele fala eu posso discordar, mas evidentemente ele está falando o que pensa, ele foi eleito por esse fato. É uma pessoa que, ao longo da vida, nunca negou esse jeito", afirmou.

Boulos não foi questionado sobre Lula, a quem defendeu em diversas ocasiões desde a prisão do ex-presidente, em 2018. Usou o espaço para elogiar sua vice: "Tenho ao meu lado a Luiza Erundina, a melhor prefeita que essa cidade já teve".

Os quatro primeiros colocados na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira passada (5), foram convidados: Bruno Covas (PSDB), atual prefeito e que busca a reeleição, Celso Russomanno (Republicanos), Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB), todos empatados tecnicamente, dentro da margem de erro. Uma nova pesquisa do instituto estava programada para ser divulgada hoje, porém foi censurada por uma liminar atendendo a pedido da campanha de Russomanno.

Pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira (9) mostra Bruno Covas na liderança, com 32% das intenções de voto, e uma disputa acirrada por uma vaga em um eventual segundo turno: Boulos (13%), Russomanno (12%) e França (10%) estão tecnicamente empatados na segunda posição.

O formato adotado no debate, com um banco de tempo de 15 minutos para cada candidato, deu dinamismo ao evento. Eles usaram estratégias de comentar respostas após a fala de um adversário e fizeram perguntas relacionadas ao mesmo tema para atacar quando tiveram oportunidade.

Covas tentou se apresentar como o experiente e preparado. Boulos foi para o ataque com o tucano e chegou ao último bloco com pouco tempo disponível.

Deixados de lado pelos adversários, França acabou fazendo escada ao se opor a Covas e Boulos, enquanto Russomanno protagonizou o momento mais tenso do debate, quando questionou Boulos sobre o uso de uma suposta empresa fantasma em sua campanha.

Disputa por um lugar no 2º turno

Com Covas consolidado à frente, Márcio França e Russomanno miraram no candidato do PSOL na briga com Boulos pela outra vaga no segundo turno. Os adversários buscaram retratá-lo como inexperiente.

"Quando eu era bem jovem, eu também tinha vontade de jogar futebol no Santos. Era meu sonho, achava que eu ia ser futebolista. Com o tempo eu percebi que eu não tinha a competência suficiente para ser futebolista, porque muitas vezes você tem boas ideias, mas a verdade é que na prática aquilo não se realiza porque você não sabia de detalhes que você vai descobrir com o tempo", disse França.

A estratégia do ex-governador foi a de se vender como candidato experiente: foi prefeito de São Vicente, deputado federal e eleito vice de Geraldo Alckmin em 2014.

Russomanno, por sua vez, acusou Boulos de fazer uso de uma suposta empresa fantasma em sua campanha. "Queria comentar aqui que, vendo a prestação de contas do Boulos, eu encontrei a Kirion Vagabundo Limitada, que não está no endereço certo", afirmou Russomanno, que disse ter tirado a informação de "redes sociais".

"Celso, eu desconheço essa reportagem, é do seu site? Do seu programa? Precisa dizer de onde tira as coisas. Você colocou nas redes sociais e veio fazer pegadinha em debate? Celso, pelo amor de Deus, parece que você está desesperado porque está caindo nas pesquisas e começa a querer tratar o debate desse jeito", rebateu Boulos.

A campanha do candidato do PSOL entrou em contato com o UOL e afirmou que se trata de informações falsas.

Dobradinha

Mirando no tucano, França e Russomanno fizeram dobradinha para repetir a associação do prefeito a João Doria. Covas foi eleito em 2016 vice do hoje governador, que deixou o cargo em 2018 para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

"Celso, você é um especialista em Código do Consumidor. Eleitor de outra cidade que votou em você para deputado e você prometeu quatro anos de mandato, se você se elege, você renuncia e entrega dois, dá para ir no Código do Consumidor?", ironizou o candidato do PSB.

"Não dá para ir no Código de Defesa do Consumidor", respondeu Russomanno. "Mas eu te garanto, Márcio, que o meu suplente [na Câmara], você sabe como funciona: ele é muito competente, vice-prefeito de uma cidade do interior de São Paulo, e vai saber tocar o mandato. Por sinal, ele gosta muito de Direito do Consumidor e vai atuar nessa área também", completou.

Pandemia ignorada

A pandemia da covid-19 e seus efeitos na capital foram temas laterais na discussão entre os candidatos.

Covas defendeu os feitos de sua gestão na saúde e disse que não faltou assistência aos pacientes com covid-19 na cidade. Já Boulos prometeu reabrir hospitais e contratar médicos para as periferias.

França falou em um plano de emergência para a cidade e Russomanno questionou Covas sobre um possível lockdown após o primeiro turno, mas o prefeito não respondeu.