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"Nada me preparou para esse dia", diz médica que atendeu feridos em Boston

Do UOL, em São Paulo

24/04/2013 17h40

Leana Wen, 30, que está no último ano do programa de residência do Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA), disse que a cada dia revive o horror que passou no setor de emergência do hospital no dia dos atentados à Maratona de Boston.

Leana conta que viu muita coisa em oito anos de formação médica --sendo quatro no pronto-socorro--, mas que nada a preparou para o que veria no dia dos ataques. As informações são do jornal norte-americano “USA Today”.

Perguntas sem resposta

  • O atentado a bomba na Maratona de Boston matou três pessoas e deixou mais de 200 feridos. Dois irmãos de origem tchetchena, Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, são os principais suspeitos de terem promovido os ataques. Um deles morreu em tiroteio com a polícia, o outro está sob custódia

A médica estava chegando ao fim de seu turno quando uma chamada por alto-falante anunciou que o hospital estava prestes a receber dois pacientes feridos em uma explosão. Em seguida foi ouvido outro anúncio, sobre uma segunda explosão.

Em poucos minutos, a sala de emergência estava cheia. Eram os pacientes mais angustiados que Leana já tinha visto. Alguns ficavam em silêncio, outros perguntavam insistentemente sobre familiares, outros choravam e gritavam.

“Em alguns momentos eu queria chorar com eles, mas não podia”, disse Leana. “Havia sangue por toda a parte.” Segundo ela, havia, ainda, o cheiro de roupa e carne queimada. "Nada me preparou para esse dia."

"Estou feliz de ter sido capaz de ajudar, mas gostaria de ter ajudado mais”, disse ela. Por conta do horário, bem no momento da troca de turno, o hospital contou com o dobro de médicos do que o habitual.

Um de seus trabalhos mais importantes foi a triagem, ou seja, decidir quais pacientes seguiriam primeiro para o centro cirúrgico. Com tanto sangue por toda a parte, contudo, a tarefa não foi fácil. Uma vez localizada a fonte do sangramento, Leana trabalhou para estancá-lo, amarrando torniquetes naqueles que corriam o risco de sangrar até a morte.

Em um período de pouco mais de uma hora, o hospital onde Leana trabalha recebeu 31 dos mais de 260 feridos no atentado. Desses 31, ao menos quatro tiveram mebros amputados.

Ao mesmo tempo em que tinha que tomar sérias decisões, Leana não conseguia deixar de pensar em seu marido, que tinha ido à maratona para ver amigos --o casal mora bem perto do local das explosões.

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"Eu estava com medo de que a próxima pessoa que eu teria que ressuscitar seria o meu marido", disse ela, que só soube que o companheiro estava bem cerca de duas horas dpeois.

"Foi muito difícil ver a vida das pessoas mudando em apenas um dia. Muitos deles tinham a minha idade”, disse.

Mais de uma semana depois, Leana ainda tem pesadelos. Cada sinal sonoro de alarme a leva de volta para o dia do atentado. “Eu ainda estou tentando descobrir quais são as lições que esse dia deixou.”

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