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Villas Bôas questiona "autoridade moral" da França ao tratar de queimadas

O general Eduardo Villas Boas - Pedro Ladeira/Folhapress
O general Eduardo Villas Boas Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

22/08/2019 23h56

O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército brasileiro, criticou na noite de hoje o posicionamento do presidente francês Emmanuel Macron, que cobrou ação urgente do G7, que se reúne no fim de semana, frente às queimadas na região amazônica.

"A questão que se coloca é de onde viria autoridade moral daquele país [França] que, como disse Ho Chi Minh [estadista vietnamita], é a pátria do Iluminismo, mas quando viaja se esquece de levá-lo consigo", escreveu o general em uma sequência de posts no Twitter.

E prosseguiu: "Trata-se da mesma França que de 1966 até 1996, a despeito dos reclamos mundiais, realizou 193 testes nucleares na Polinésia Francesa, expondo o Taiti, ilha mais povoada da região, a índices de radiação 500 vezes maiores que o máximo recomendado por agências internacionais".

O general citou reportagem publicada no UOL em 11 de março de 2015 em que a Polinésia Francesa, território dependente da França, exigia compensações de Paris pelos referidos testes nucleares, que teriam aumentado o número de casos de câncer nas ilhas, segundo cálculo de médicos franceses.

"Os desabitados atóis de Mururoa e Fangataufa escondem, até hoje, 3.200 toneladas de material radioativo de diferentes tipos, produto das explosões nucleares do exército francês, o mesmo que Macron usa para nos ameaçar", escreveu.

Villas Bôas disse que a fala de Macron "ultrapassa os limites do aceitável na dinâmica das relações internacionais" e que o Brasil e os brasileiros deveriam se posicionar frente ao que chamou de "ameaças". "Pois é o nosso futuro, como nação, que está em jogo", disse.

Por fim, o general afirmou que é preciso se unir àqueles que "têm procurado trazer à luz a verdade sobre essas questões ambientais e indigenistas", citando, entre outros, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional.

O encontro do G7 - que reúne os presidentes de EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão - será realizado neste fim de semana em Biarritz (França).

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