Cardume com mais de 100: o que leva tantos tubarões ao litoral de SP

Um cardume com mais de 100 tubarões foi avistado na última semana pela equipe do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), no entorno do Arquipélago de Alcatrazes, unidade de conservação marinha, no litoral norte de São Paulo.

O avistamento de tubarões disparou na região, e esse aumento tem sido observado em uma pesquisa que monitora a vida marinha no arquipélago desde 2022. O estudo é conduzido por pesquisadores da Unifesp e Unesp, em projeto apoiado pela Petrobras.

Por que os avistamentos têm crescido

A Reserva de Alcatrazes é a maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste. Foram catalogadas 1,3 mil espécies de flora e fauna e cerca de 250 espécies de peixes na área protegida.

Para especialistas, o aparecimento dos tubarões está relacionado justamente à ampliação da área protegida com a criação da reserva. Em 2016, essa área saltou de 12 mil hectares para 600 mil hectares —1 hectare equivale a um campo de futebol.

Além disso, agora há uma maior fiscalização contra a pesca. A prática é proibida no entorno do arquipélago.

Por fim, a presença dos tubarões no arquipélago acontece também pelas características geográficas do lugar, que se encontra na confluência de duas correntes oceânicas e tem águas ricas em nutrientes.

O arquipélago de Alcatrazes fica a 35 km da costa de São Sebastião e virou paraíso dos mergulhadores. Acostumados à observação de baleias, como as jubartes que nesta época passam pela região em busca de áreas marinhas mais quentes para reprodução, eles agora também buscam contato visual com os cardumes dos predadores do mar.

Não há autorização para desembarque de turistas na ilha, mas os mergulhos são permitidos em ao menos dez locais costeiros com diferentes graus de dificuldade, profundidade e características ambientais. O acesso deve ser feito por meio de uma das 15 empresas de turismo cadastradas pelo ICMBio. Barcos privados também podem levar mergulhadores, mas com agendamento e desde que acompanhados por guias ou condutores de visitantes habilitados.

Até a década de 1990, o arquipélago era alvo de exercícios de tiro realizados pela Marinha. Os projéteis destruíam os ninhos e afastavam as aves do lugar. Após pressão de ambientalistas, o lugar se transformou em agosto de 2016, por meio de decreto federal, em Refúgio de Vida Silvestre.

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*Com reportagem publicada em 18/02/2024 e Estadão Conteúdo

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