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Política

"Um tomatinho qualquer não quebra a economia do país", afirma Lula em evento do PT em MG

Carlos Eduardo Cherem

Do UOL, em Belo Horizonte

15/04/2013 22h57

Durante um seminário do PT em Belo Horizonte na noite desta segunda-feira (15), que comemorou os dez anos da legenda no poder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff falaram sobre economia e inflação. "Um tomatinho qualquer não vai quebrar a economia do país", afirmou Lula, em tom despojado. "A inflação está sob controle. Não vamos perder essa conquista. Nosso combate à inflação não se confunde, entretanto, com recessão e desemprego, a diferença é essa de nossos adversários", afirmou a presidente Dilma.

"A inflação de março foi menor do que a de fevereiro e esta, por sua vez, menor do que a de janeiro. A inflação está em queda. O índice anualizado, que é alto, porém, reflete a inflação passada. Os preços de serviços e alguns alimentos pressionaram porque a demanda aumentou", afirmou a presidente. "Uma tentativa de colocar a culpa no tomate", disse.

Dilma, numa clara alusão ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato do PSDB a Presidência, que afirmou que Dilma é leniente com a inflação, chamou a oposição, sem citar nomes, de "pessimistas especializados em criar ambiente onde se enriquecem às custas do povo", afirmou. "Os pessimistas especializados, com uma visão destorcida, torcem para tudo dar errado. Deu errado para eles quando governaram, a exemplo do racionamento de energia elétrica, e querem que dê errado também no nosso governo", disse Dilma. "Acredito no futuro porque trabalho todo dia. Aprendi na minha casa a trabalhar, mas ainda tive o Lula como professor mais tarde. Presidente tem de trabalhar, com muito suor, para dar certo".

Numa clara alusão à Aécio, Lula disse: "Minas é o melhor lugar para dizer isso. O PT sair de férias? Senador, goze suas férias, mas deixe a Dilma trabalhar", disse Lula. Na semana passada, Aécio falou que o PT deveria tirar férias do governo.

Repetindo Dilma, Lula sem citar o autor Nelson Rodrigues, disse que o "brasileiro perdeu o complexo de vira-lata". A presidente havia afirmado a mesma coisa em Porto Alegre, na última semana.

Seminário

Os dois participaram do seminário "O Decênio que Mudou o Brasil", que comemora os dez anos  do PT no Planalto. O encontro reuniu cerca de 2.000 militantes e dirigentes da legenda, além de representantes da base de apoio à presidente, no Minascentro em Belo Horizonte.

Este é o terceiro da série de 13 seminários organizados pelo país em comemoração aos 33 anos do partido e sua permanência na Presidência da República desde 2003, todos capitaneados por Lula.

O primeiro foi em São Paulo, em 20 de fevereiro. No mesmo dia em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato a presidente pela legenda, ocupou a tribuna do Senado para inventariar o que ele considera os “13 erros do PT” no governo. Naquela data, Lula lançou o nome da presidente para mais um mandato. Ainda em fevereiro, Dilma e Lula estiveram em Fortaleza, no Ceará, para o segundo evento petista.

Durante o seminário, foi entregue à militância uma cartilha com um balanço sobre a administração petista. O documento elenca números considerados positivos pelo governo federal nas mais diversas áreas durante a gestão do PT e faz uma comparação com os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Os dados foram baseados em indicadores IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, BC (Banco Central do Brasil) e Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Na capa da publicação, uma foto de Lula e Dilma e a famosa frase de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos entre 1861 e 1865: “Do povo, para o povo e pelo povo”.

O documento irritou a oposição tucana já que classifica como glorioso o governo petista e, o do PSDB, como um “desastre”. 

O roteiro traçado pelo PT para a caravana do ex-presidente Lula, que prepara os alicerces para a campanha de reeleição da presidente Dilma, privilegiou cidades onde o partido é fraco ou foi derrotado nas eleições municipais do ano passado.

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