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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta segunda-feira (30)

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasília -
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasília

Do UOL, em São Paulo

30/03/2020 14h48

A pandemia de coronavírus continua se expandindo pelo mundo, e o Brasil também acompanha um aumento na temperatura política. Enquanto nomes como Ciro Gomes e Fernando Haddad assinaram um manifesto pedindo a renúncia de Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente estuda até mesmo demitir o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta diante de discordâncias em relação à conduta de isolamento social.

No fim de semana, Jair Bolsonaro foi às ruas do Distrito Federal e, contrariando a recomendação do ministério, fez um passeio e teve encontro com populares. Hoje, em discurso ao deixar o Palácio da Alvorada ele voltou a dizer que o combate à pandemia também é questão de economia e reconheceu que está sozinho ao atacar o isolamento social como forma de combate à disseminação à covid-19.

Enquanto isso, pelo mundo, o Reino Unido dá indícios de que começou a colher os primeiros resultados da estratégia de isolamento social. Porém, a Espanha continua sofrendo para controlar a pandemia, tendo superado a China em número de casos confirmados de covid-19.

O dia também foi definições em relação ao mundo esportivo. Dias depois de adiar a Olimpíada marcada para este ano, o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou a realização dos Jogos a partir do dia 23 de julho de 2021. Já o Barcelona cortou os salários dos jogadores em 70% como forma de compensar os impactos financeiros pela interrupção do calendário.

Bolsonaro criticado por postura

O próprio presidente Jair Bolsonaro indicou hoje, ao deixar o Palácio da Alvorada, que está ciente de seu isolamento no cenário político diante da postura de sustentar que a reclusão social é danosa à economia e pode levar a desemprego em massa. Ontem, em passeio pelo Distrito Federal, ele voltou a contrariar recomendações das autoridades de saúde em todo o planeta que defendem o isolamento social como mecanismo essencial de combate ao alastramento do coronavírus. Hoje, ele mais uma vez defendeu sua postura.

Enquanto segue sem ceder no discurso, Bolsonaro acompanhou nas últimas horas mais uma série de manifestações contrárias às suas atitudes. Um manifesto com assinatura de, entre outros, dos candidatos à presidência na última Eleição Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), pede a renúncia do presidente. Na mesma linha, nove partidos emitiram uma nota conjunta criticando o passeio do presidente e dizendo que podem acionar a Justiça.

Já o MPF (Ministério Público Federal) solicitou à Justiça Federal do Rio de Janeiro que o governo seja multado pelo fato do presidente ter descumprido decisão judicial que proibia a União de adotar qualquer ato de estímulo contra o isolamento social como forma de combater a pandemia de covid-19. A Justiça deu prazo de 24 horas para que o governo explique o passeio de Bolsonaro.

No campo econômico, mais preocupação. A ONU alertou que o coronavírus trará um "impacto econômico sem precedentes" para os países emergentes e que esse bloco necessitará de US$ 2,5 trilhões. Um dos países afetados será o Brasil, tanto por conta da queda do preço de commodities, fuga de capital, queda de comércio exterior e problemas de financiamento.

Bolsonaro 'de saco cheio" Mandetta

A crise pelo novo coronavírus tem feito Bolsonaro acumular disputas políticas e desafetos. Hoje, Tales Faria conta em seu blog que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, corre risco de ser demitido a qualquer momento.

O presidente tem dito aos auxiliares mais próximos que está "de saco cheio de Mandetta". Ele só não o demitiu até agora para evitar agudizar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

O presidente tem-se sentido abandonado por uma parte do empresariado que o apoiou nas eleições de 2018. Ele teme que a demissão de Mandetta se transborde num rompimento definitivo com esse grupo e a parcela da opinião pública que representa.

No âmbito estadual, a temperatura continua quente e relação aos governadores, especialmente com Wilson Witzel (PSC) e João Doria (PSDB). O governador do Rio de Janeiro voltou a atacar o presidente ao prorrogar por mais 15 dias o decreto que estabelece medidas restritivas. "Não desafie o coronavírus. Não siga atitudes impensadas e descoladas da realidade", escreveu Witzel. Depois, ele subiu o tom e disse que Bolsonaro pode ser acusado de crimes contra a humanidade por desrespeitar reiteradamente as determinações sanitárias no combate à covid-19.

Já João Doria, governador de São Paulo, foi direto na crítica ao falar sobre as pessoas que estão saindo de casa. "Neste caso, não sigam as orientações do presidente. Ele não orienta corretamente e não lidera no combate ao corona e na preservação à vida", disse.

Primeira morte em Minas

Com a atualização do cenário da covid-19 prevista para esta tarde, alguns estados já anteciparam informações. Em Minas Gerais, uma idosa de 82 anos foi a primeira vítima confirmada do novo coronavírus. A paciente morreu ontem, em decorrência de complicações da doença no Hospital Biocor, em Nova Lima, conforme informou a prefeitura da cidade.

Já no Rio Grande do Sul, a secretaria estadual de Saúde confirmou hoje a terceira morte por coronavírus no estado. Trata-se de um homem de 60 anos, que morava em Ivoti. Ele estava internado em Novo Hamburgo. A vítima faleceu na noite de ontem. Ele havia sido diagnosticado com covid-19 pelo Laboratório Central de Saúde Pública do estado no sábado.

Já São Paulo registra 98 mortes. De acordo com os dados oficiais foram 89 mortes na capital e Grande São Paulo, duas em Guarulhos, e duas em outros municípios. Além disso, o Estado hoje tem 206 pacientes internados em Unidades de Terapia Intensivas (UTI). Ontem, eram 174 pessoas apresentando quadro grave.

Espanha supera China em número de infectados

Com a grande maioria dos europeus em quarentena para o combate à pandemia, especialistas começam a vislumbrar uma melhora no quadro geral. Porém, o número de infectados e de pessoas contaminadas seguem assustando.

Na Espanha, o número de infectados subiu para 85.195 hoje, ultrapassando os 81.470 casos registrados pela China de acordo com os dados mais recentes. O balanço ainda mostrou que 812 morreram nas últimas 24 horas, o que elevou o número de óbitos para 7.340 mortes.

A Itália viu o número de mortos subir em 812 óbitos, para um total de 11.591. No entanto, o número de novos casos aumentou em 4.050, o índice mais baixo desde 17 de março, atingindo um total de 101.739 em relação aos 97.689 anteriores.

O Reino Unido, por sua vez, viu o número de mortes chegar a 1.408, um aumento de 180 em relação ao boletim anterior. O patamar ainda é considerado alto, mas segundo Neil Ferguson, professor de biologia matemática do Imperial College de Londres, o surto está mostrando sinais de desaceleração no país. Diagnosticado com covid-19 na última semana, o príncipe Charles saiu do isolamento.

Já em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi colocado em quarentena preventiva depois que um funcionário de seu gabinete testou positivo para o novo coronavírus. O país já registrou cerca de 4,3 mil casos e 16 mortes decorrentes da covid-19 em seu território

Nos Estados Unidos, além da mudança de postura de Donald Trump decretando quarentena até dia 30 de abril, o destaque ficou por conta da resolução da 'Food and Drug Administration' (FDA), agência que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos, autorizando o uso limitado em caráter de emergência de dois medicamentos contra a malária.

Em um comunicado publicado no domingo à noite, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos cita doações recentes de remédios a um estoque nacional, incluindo a cloroquina e a hidroxicloroquina, ambas estudadas como potenciais tratamentos para a covid-19.

Olimpíada ganha data

O impacto do novo coronavírus no mundo esportivo teve como principal notícia de hoje a confirmação da data da Olimpíada de Tóquio, que agora será disputada a partir do dia 23 de julho de 2021. Como consequência, o Mundial de atletismo foi adiado para o ano de 2022.

Outro torneio de grande expressão não deve ser realizado neste ano. De acordo com o vice-presidente da Federação Alemã de Tênis, Dirk Hordorff,
Wimbledon será cancelado nesta semana. O All England Club, organizador do torneio, marcado para começar em 29 de junho, fará uma reunião de emergência na quarta-feira e deve tomar uma decisão final.

No futebol, os clubes tentam minimizar os prejuízos pela interrupção do calendário. O Barcelona anunciou que os jogadores do elenco aceitaram um corte salarial de 70% durante a pandemia de coronavírus.

Coronavírus liga alerta pelo mundo

Mari Palma em isolamento

O dia também foi de revelações de possíveis diagnósticos de covid-19. Mari Palma falou em seu Instagram sobre os sintomas que fizeram com que o médico apontasse que ela pode estar com o novo coronavírus. A apresentadora do Live CNN contou que está bem, mas parou de sentir cheiro e gosto "do nada".

"Fiz uma tomografia que mostrou um pequeno acometimento do pulmão, o que fez o médico apontar coronavírus. Por isso começa agora o nosso isolamento total em casa", escreveu.

Já o tenor espanhol Placido Domingo foi internado em um hospital em Acapulco, no México, devido a complicações causadas pelo novo coronavírus. O astro de 79 anos havia anunciado que estava com covid-19 em 19 de março, relatando sintomas como febre e tosse.

No Japão, o comediante Ken Shimura, que estava internado após contrair o novo coronavírus, morreu aos 70 anos.

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