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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta quinta-feira (4)

Do UOL, em São Paulo

04/06/2020 12h37Atualizada em 04/06/2020 23h29

Atraso, recorde e muitos sinais de alerta. Em uma semana em que 17 estados falam em reabertura, o Brasil ainda vê o crescimento dos gráficos de casos e mortes referentes ao coronavírus. Ontem e hoje, o Ministério da Saúde atrasou a divulgação de dados e, quando eles vieram, não foram nada animadores.

O boletim diário da pandemia informou que o país teve 1.473 mortes confirmadas em 24 horas e chegou a 34.021 no total —ultrapassando a Itália no número de óbitos. Os dados apontam, pelo terceiro dia consecutivo, o maior número contabilizado no período.

O Brasil tem 614.941 casos oficiais e 34.021 mortes por covid-19, mas os números recém-anunciados já estão, na verdade, desatualizados. A conta não bate com a somatória dos boletins das Secretarias Estaduais de Saúde, que apontam mais de 620 mil diagnósticos e 34.160 óbitos.

O mesmo descompasso já havia acontecido ontem e tem sido algo comum nesta pandemia.

Diferentemente do que ocorreu ontem, a coletiva dos técnicos do Ministério da Saúde não foi cancelada hoje. Foi revelado que o número de municípios com casos de coronavírus aumentou quase nove vezes nos últimos dois meses.

No dia 2 de abril, segundo a pasta, 471 cidades brasileiras apresentavam casos da doença. Já no dia 2 de junho, este número chegou a 4.178.

As informações foram apresentadas por Eduardo Macário, secretário substituto de Vigilância em Saúde, que reiterou que a maioria das cidades apresentava menos de 100 casos.

"75% dos municípios já reportaram casos, principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil", analisou Macário. "A maioria dos municípios tem menos de 10 óbitos registrados, dos quais 766 reportaram apenas uma morte pela doença até o momento."

Oficialmente, os dados sobre novos casos e mortes são divulgados às 19h, contudo, há ao menos dez dias eles têm sofrido atrasos.

A falha não vem sem consequências. O adiamento de três horas por parte do Ministério da Saúde na divulgação do boletim diário acendeu um sinal de alerta para médicos e especialistas.

"É um mau indício em um momento crítico em que precisamos de informação. E abre até a perspectiva de haver algum tipo de manipulação ou ocultação de dados, de retardo de alguma notícia desagradável", ponderou Evaldo Stanislau, médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Saúde admite que é difícil "precisar" números reais

Os técnicos do Ministério da Saúde afirmaram hoje, em entrevista coletiva, que é "muito difícil precisar" os números reais de contágio do novo coronavírus.

Eduardo Macário, diretor do departamento de análise em saúde e vigilância de doenças não transmissíveis, defendeu o trabalho realizado pela pasta para tentar reduzir a subnotificação e deu a entender que muitos resultados de testes podem não ter sido devidamente registrados por profissionais de saúde.

"Existem vários estudos. Tem um recente da Universidade de Pelotas, mas é muito difícil precisar em relação a isso. A gente tem trabalhado para reduzir a subnotificação. Ampliando a capacidade de testagem, dos sistemas de informação, orientando todas as equipes de vigilância e as equipes hospitalares sobre a importância do registro. Não adianta [só] fazer o exame, tem de fazer o exame e registrar no sistema oficial", justificou Eduardo.

Reabertura pode sobrecarregar sistema de saúde

O Brasil vê ao menos 17 estados discutindo ou implementando processos de retomada da economia, sem dados claros sobre a quantidade de exames já realizados para diagnosticar o coronavírus e sem um programa para ampliar os testes na população, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na última sexta-feira (29), 72% de todos os diagnósticos solicitados no país já tinham sido processados pelos laboratórios públicos. No entanto, o gráfico divulgado pele pasta não traz informações sobre Rio de Janeiro — já em processo de flexibilização da quarentena na capital —, Alagoas e Acre.

O protocolo nacional prevê testes apenas para quem está hospitalizado, e não para a população em geral. Com isso, os dados mostram as consequências da pandemia, mas não servem para o controle efetivo da covid-19, que deve ser feito com o uso de testagem em massa, como recomenda a OMS.

Para o professor e epidemiologista da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Lotufo, o afrouxamento das medidas de isolamento social para reabrir a economia vai sobrecarregar o sistema de saúde e, ainda, impactar ainda mais as comunidades das periferias.

"À medida que há aumento de casos, sobrecarregam-se mais ainda os leitos de hospitais, e quem não estava sendo atendido continua sem atendimento. Vamos ter um reflexo muito duro", avaliou o professor em entrevista publicada hoje pelo jornal O Globo.

Todos os outros lugares fora do Brasil foram reduzindo o grau de isolamento no momento em que se reduzia o número de casos. Aqui, nós não estamos nem estáveis, mas ainda vendo aumentar número de casos e mortes. Não tem lógica nenhuma o que tem sido feito pelos governadores"

O Brasil acompanha uma queda nos níveis de isolamento. O índice nacional de pessoas em casa caiu para 44,15% em maio, sendo que nos últimos dias tivemos recorde negativo de isolamento social com apenas 39,2% respeitando a quarentena na sexta-feira (29).

SP admite subnotificação e promete testar mais

O governo de São Paulo disse hoje que tem realizado cerca de oito mil testes de covid-19 por dia. Segundo dados anunciados hoje pelo Comitê de Contingência no combate ao coronavírus, o número em abril era de mil exames diários.

De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, São Paulo vai chegar aos níveis de testagem de grandes países europeus, como Espanha e Itália em até três meses. Asilos e a Fundação Casa serão prioridades.

"O estado de São Paulo é o que mais testa e vai chegar aos níveis de Itália e Espanha", afirmou Dimas Covas. "Esses números são do dia a dia. A progressão depende dos exames que chegam. O município que demanda o PCR. Os municípios tinham uma dificuldade inicial de insumos para coleta. Isso deixa capacidade ociosa de atendimento. Os números de exames que temos falado por 100 mil habitantes estão previstos para os próximos três meses."

Também em SP, o presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Alfredo Cotait, disse hoje que o fato de o governo estadual ter liberado a retomada de algumas atividades econômicas, mas a prefeitura da capital ter criado regras específicas para isso, criou uma "confusão" para os comerciantes, principalmente os pequenos e médios.

"Se um dia o governo do estado indicou a cidade de São Paulo como fase laranja, fase 2, no dia seguinte o prefeito Bruno Covas criou uma regra de apresentação de protocolo de segurança para só a partir daí liberar a retomada. No nosso ponto de vista, isso causou uma confusão tremenda para todos os comerciantes, principalmente o pequeno e o médio, que achavam que o governo tinha autorizado e não tinham compreendido a necessidade de apresentar esse protocolo", disse ele.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), prorrogou a quarentena na cidade de São Paulo até 15 de junho, segundo decreto publicado na edição de sábado (30) do Diário Oficial. A partir do dia 1º, a reabertura de atividades não essenciais - shoppings, galerias, comércio e serviços - já poderia acontecer, mas só depois que os setores apresentassem formas de cumprir todos os critérios requisitados.

RJ: Reabertura pode aumentar mortes

A cidade do Rio de Janeiro deve sentir o impacto da reabertura de setores da economia e áreas de lazer em duas a três semanas. Especialistas ouvidos pelo UOL preveem um aumento de casos e mortes a partir de duas semanas. Eles são unânimes ao apontar que não é hora para relaxar o isolamento social.

Na capital fluminense, a reabertura se iniciou na terça-feira (2), com liberação de lojas de móveis e carros, de igrejas e da orla das praias. Já o governador Wilson Witzel (PSC) prorrogou as medidas restritivas, mas falou ontem em flexibilização no estado a partir da próxima semana.

Ontem, o estado registrou 6.010 óbitos —com recorde de mortes em 24 horas (324)— e 59.240 casos registrados de coronavírus. A capital é o epicentro da pandemia no estado, com 4.055 mortes.

Em meio a investigações de corrupção durante a pandemia, o governo do Rio de Janeiro ignorou alertas sobre risco de dano aos cofres públicos e manteve pagamentos para a OS (Organização Social) Iabas, que deveria construir e operar sete hospitais de campanha para pacientes com covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Ontem (3), o governador Wilson Witzel (PSC) determinou o rompimento do contrato com a entidade e afirmou que buscará na Justiça o ressarcimento dos valores pagos.

O rompimento do contrato é parte de um decreto de intervenção nos hospitais de campanha publicado ontem por Witzel. A Iabas deveria ter concluído em 30 de abril as sete unidades, que somariam 1.300 leitos. No entanto, apenas o centro médico do Maracanã foi entregue e, ainda sim, muito abaixo da capacidade contratada —apenas 129 dos 400 leitos estão funcionando.

Reabertura em Pernambuco

Na última segunda-feira (1º), em vez de um plano de reabertura de setores da economia, Pernambuco inovou na nomenclatura e apresentou o "Plano de Monitoramento e Convivência com a Covid-19". O termo é defendido por especialistas, que citam não só o retorno de atividades, mas alertam para uma "nova normalidade" que nos espera.

As medidas com as quais as pessoas terão de se acostumar vão além de usar máscara e álcool em gel. Envolvem uma série de comportamentos que devem ser tomados, testagem rotineira e até novos momentos de isolamento social. Isso, claro, enquanto não houver uma vacina contra o coronavírus.

Mas o pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia Felipe Naveca afirma que a reabertura só deveria começar quando houver a certeza de que o número de casos da covid-19 está em queda.

Tenho medo de que a gente esteja fazendo isso de forma prematura. Em outros países, como Alemanha e Espanha, fizeram depois de um lockdown muito rígido e já na curva em descendência. Eu só começaria quando estiver num platô ou em uma curva descendente"

Economia: Maia cobra governo sobre auxílio

O Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu hoje que uma prorrogação do auxílio emergencial de 600 reais seja discutida em conjunto com a equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e pediu que o governo se posicione oficialmente sobre o assunto.

Maia disse que há consenso entre parlamentares sobre a importância da renda e disse que qualquer discussão levará em conta a realidade fiscal do país.

"A gente sabe das dificuldades, a gente entende a preocupação do governo, e gostaria de ter uma posição oficial do governo", disse o presidente, questionado sobre a possibilidade de prorrogação do benefício no mesmo valor, mas dividido em duas parcelas de 300 reais.

Ontem, Bolsonaro vetou repasse de R$ 8,6 bilhões para estados e municípios combaterem o novo coronavírus, medida que pode ser derrubada pelo Congresso.

Hoje, os Tribunais de Justiça e de Contas e o Ministério Público de São Paulo subscreverem a nova norma que regulamenta as determinações do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus no Estado. Assim, ficou oficializado o congelamento de salários do funcionalismo em troca do socorro do governo federal.

Brasil contribui em pesquisa de vacinas

Coordenadora do Crie (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a doutora Lily Yin Weckx classificou como "um privilégio" o fato de a vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford ser testada no Brasil. O centro coordenado por ela conduzirá os testes em São Paulo.

"É com grande entusiasmo que a gente está conduzindo esse estudo, acho que é um privilégio para o Brasil estar junto no desenvolvimento de uma vacina que poderá ser a solução ou contribuir para mudar esta trajetória, este cenário tão catastrófico", disse Lily, que é investigadora principal do estudo.

Segundo ela o estudo está em fase 3, o que significa que já está avançado, e quer verificar a eficácia da vacina. No Brasil, englobará pessoas de 18 a 55 anos de idade que ainda não tenham tido covid-19. Profissionais da saúde, mais expostos ao vírus, poderão participar como voluntários.

Estudo aponta que assintomáticos são 1/3 dos infectados

Um terço dos infectados do novo coronavírus na Espanha são assintomáticos, revelou uma atualização de um estudo publicado pelo governo, que confirmou que 5,2% da população já contraiu o vírus da covid-19.

Extrapolando os resultados do estudo com a população em geral, foi concluído que "um terço das pessoas que tem a infecção não apresentam sintomas, portanto não precisaram do serviço de saúde", afirmou à imprensa a diretora do Centro Nacional de Epidemiologia, Marina Pollán.

A segunda onda do estudo soro-epidemiológico com uma amostra de mais de 60 mil pessoas, realizada entre 18 de maio e 1º de junho, teve como resultado principal que 5,21% da população (cerca de 2,4 milhões dos 47 milhões de espanhóis) desenvolveram anticorpos, ou seja, eles tiveram algum contato com o vírus, segundo o comunicado do Ministério da Saúde.

Sexo com máscaras

Se você não mora no Reino Unido, onde fazer sexo com alguém que vive em outra casa é crime durante a pandemia, deve considerar usar máscara de proteção na hora de ter relações sexuais — é o que sugere um estudo da Universidade de Harvard.

A pesquisa avaliou as implicações da covid-19 para a saúde sexual das pessoas e classificou diferentes práticas sexuais, da ordem mais segura à menos segura em termos de propagação do vírus.

O mesmo estudo recomenda, ainda, que os parceiros tomem banho completo antes e depois do sexo e limpem o espaço — seja a cama ou outro lugar — com álcool.

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