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Por apoio no STF, Lula reforçará laços com Kassio, Cármen e Toffoli

Após Lula (PT) indicar Flávio Dino para ocupar uma vaga de ministro no STF (Supremo Tribunal Federal), o colunista do UOL, Kennedy Alencar, afirmou durante o programa Análise da Notícia que o presidente irá tentar estreitar laços com outros três ministros para conseguir formar maioria no Supremo.

Pós-Dino, Lula vai focar em três ministros para consolidar maioria no Supremo e estreitar laços: Kassio Nunes, indicado por Bolsonaro, Cármen Lúcia, indicada pelo próprio Lula, e Dias Toffoli, que também foi indicado por Lula. Kennedy Alencar

Na avaliação de Kennedy, a entrada de Flávio Dino ajuda nessa consolidação. Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já têm uma relação muito boa com Lula, enquanto Dino e Zanin foram indicados pelo atual presidente.

Com Kassio Nunes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli, Lula conseguiria manter boa relação com sete dos 11 ministros do Supremo, o suficiente para formar maioria nas votações. Para o colunista, o governo vê maiores possibilidades em Nunes, Cármen e Toffoli do que em André Mendonça e Edson Fachin, por exemplo.

O André Mendonça eles acham que não dá para confiar, apesar de em questões de ordem econômica poder ter espaço para conversa. Mendonça tem boa relação com Gilmar Mendes. Então, tem um caminho, mas não é um caminho direto do Lula porque as ligações do André Mendonça com o bolsonarismo e com o Bolsonaro são mais fortes do que as de Kassio Nunes. O Fachin é um ministro muito distante do PT e do Lula, e essas distâncias se aprofundam muito por causa da Lava Jato. Depois, o Fachin acabou dando um dos votos que contribuíram para o Lula deixar a prisão e vencer os processos que tinha, mas não é alguém com quem Lula precisa procurar uma aproximação agora. Kennedy Alencar

Pelo fato de Dias Toffoli e Cármen Lúcia terem sido indicados por Lula, e pelo fato de o presidente enxergar Kassio Nunes mais distante do bolsonarismo do que André Mendonça, a escolha no momento é pela aproximação com os três ministros.

Lula acha que o Kassio Nunes vai funcionar porque vai votar a favor do Bolsonaro nas coisas que tiver que votar. Por exemplo: no julgamento dos atos golpistas, o governo não tem expectativa de que Kassio Nunes vá condenar Bolsonaro. Mas pode ter uma conversa em questões econômicas e já houve indicações. Então, esse caminho está pavimentado. Cármen Lúcia foi a responsável por colocar em julgamento antes daquele habeas corpus de Lula que acabou contribuindo para ele ir para a prisão. Então, se ela não invertesse a pauta, talvez Lula não tivesse ido para a cadeia. Mas Cármen Lúcia deu sinais de que quer uma aproximação, foi indicada por Lula lá atrás e é a única mulher que restou no Supremo. Então, é importante fazer gestos para ela e haverá articulações nesse sentido. Por último, Dias Toffoli, que foi advogado-geral da União com Lula, indicado por Lula e assessor da liderança do PT na Câmara. Mas, no governo Dilma, o Toffoli se afastou e depois fez uma ponte com Temer e acabou se aproximando dos militares e do Bolsonaro. Lula está disposto a recuperar essa relação com Toffoli. Por isso o primeiro movimento será com esses três ministros. Kennedy Alencar

Além da aproximação com os ministros, Lula também pretende articular com Rodrigo Pacheco no Senado para que a proposta de mandato de oito anos para ministros do Supremo não seja aprovada. A proposta, inclusive, desagrada todos os ministros do STF e, dessa forma, o presidente faria um gesto que agradaria a Corte.

Lula vai atuar para convencer Rodrigo Pacheco a esquecer esse assunto e a carta que está em jogo é o apoio ao Pacheco para disputar o governo de Minas Gerais em 2026 com o apoio do PT. Então, Lula está fazendo uma articulação de alto nível. Kennedy Alencar

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O Análise da Notícia vai ao ar às terças e quartas, às 18h30.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

Veja abaixo o programa na íntegra:

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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